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29 de Outubro de 2009

Sustentabilidade Ambiental: um desafio para a moda

Sustentabilidade Ambiental: um desafio para a moda

Autor:Neide Köhler Schulte e Luciana Lopes

O artigo propõe uma reflexão sobre o paradigma que se estabeleceu no século XXI: o desenvolvimento ambientalmente sustentável e sua implicação na criação de produtos para o vestuário de moda. A pesquisa Eco fashion: consolidação de uma tendência ecológica na moda foi o ponto de partida para as reflexões sobre o sistema da moda diante dos princípios estabelecidos para um desenvolvimento sustentável: economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente correto. Conceber novos produtos para o vestuário, de acordo com estes princípios, é um grande desafio para moda. Os ciclos curtos de vida destes produtos e o apelo ao consumismo representam um entrave ao desenvolvimento sustentável. O consumidor, a indústria, o criador de novos produtos, todos têm papéis determinantes na consolidação deste paradigma. Os impactos ambientais devem ser considerados em todas as etapas nos projetos de novos produtos, da origem da matéria-prima até o descarte pelo consumidor. Diante deste contexto, é preciso identificar novos cenários.

Para compreender como se configurou o contexto atual, da relação entre o homem e a natureza, torna-se necessário um breve retorno na história da humanidade. O homem teve diferentes percepções da natureza. Inicialmente a respeitava, tinha uma visão sacralizada, considerando-a onipotente, imprevisível e indomável, um verdadeiro culto à natureza. Os Deuses eram entendidos como agentes dos fenômenos naturais, o homem aceitava e temia seus desígnios, agradecendo a generosidade proporcionada: a chuva, as plantas, os animais. Depois, com os físicos gregos e, mais tarde com o judaísmo-cristão, o homem passa a ter uma postura interrogativa e contemplativa (CAMARGO, 2002).

Com o desenvolvimento da ciência, passou a ser fundamental compreender o significado das coisas que aconteciam. O que a ciência não explicava era atribuído ao divino, uma relação homem-natureza dentro de princípios metafísicos e divinos. Com a revolução da ciência no século 17 e depois com a revolução industrial, o modelo orgânico de mundo ‘mãe-terra’, foi substituído pelo modelo mecanicista ‘mundo-máquina’. Com isso, o universo material, incluindo a natureza, passou a ser considerado como uma máquina, que pode ser completamente entendida e analisada; a afirmação do homem como sujeito, um ser inteligente, e a realidade, como objeto. A natureza e o universo eram compreendidos como coisas mutáveis, a serem dominadas, exploradas e pesquisadas pelo homem (CAPRA, 1996).

Surge no século 20, uma visão romântica da natureza como ‘um grande todo harmonioso’, que levou alguns cientistas a ver a Terra como um todo integrado. A ciência trouxe uma perspectiva holística da natureza, conhecida como pensamento sistêmico, surgindo uma nova ciência: a Ecologia. A natureza passa a ser vista como uma teia inter-conexa de relações, cujas propriedades essenciais nenhuma das partes possui isoladamente. A visão sistêmica reconhece que todos os conceitos e teorias são limitados e aproximados, e a ciência não fornece uma completa e definitiva compreensão da realidade (CAPRA, 1996).

Este ‘todo harmonioso’, o planeta Terra, está sendo destruído. Os cientistas têm alertado para a necessidade urgente de recuperação e preservação da natureza. Todos sabem dos problemas ambientais, porém saber apenas não basta. É preciso incorporar tal saber, tornar-se sensível e agir. Atitudes simples na vida cotidiana, como a reciclar o lixo, não desperdiçar água e energia, são muito significativas para a preservação ambiental. A escolha mais criteriosa dos produtos consumidos, o uso de combustíveis alternativos, e principalmente a redução do consumo, entre outras ações, são de grande importância para a minimização dos problemas ambientais e para a promoção do desenvolvimento sustentável.

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