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05 de Janeiro de 2009

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Ética e estética do consumo "Eco-Friendly"

Adriana Calcanhoto canta uma bela canção do Assis Valente, já cantada por Carmem Miranda em 1938, na qual nos diz que “anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar... e o tal do mundo não se acabou”. Essa canção é uma crônica inspirada na suspeita de uma possível colisão do cometa Halley com a Terra, e na enorme preocupação com o “fim dos tempos”.

Hoje em dia, o grande debate em torno do relatório produzido pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas nos alertou para as conseqüências do aquecimento global, que pode levar à desaparição de várias espécies de vida, à desertificação de extensas áreas em todo o mundo, ao degelo das capas polares e a mudanças que cientistas não mais consideram exageradas ou falsamente alarmantes. A crise alimentar e problemas, como a escassez ou desperdício no aproveitamento das águas, tornaram-se temas obrigatórios na agenda de todos nós.

O ritmo de crescimento das cidades do mundo alcançou velocidade espantosa. Em 1950, havia 86 cidades com mais de 1 milhão de habitantes; hoje, já são 400 e, segundo projeções da ONU, em 2025, o percentual de população urbana será de 61%.

A parte mais visível desse processo de urbanização é a explosão das megacidades e a conseqüente deterioração da paisagem urbana, que terminam nos conduzindo a crises sociais, ambientais e arquitetônicas, diminuindo o número daqueles que têm dúvidas dos reflexos do meio ambiente em nossas vidas.

Atentos a essas questões, os organizadores da 5ª Bienal Européia da Paisagem convidaram filósofos, como Gilles Lipovetsky, analistas políticos, como Josep Ramoneda, bem como arquitetos, teóricos, projetistas e profissionais de outras disciplinas para os debates.

Atualmente, até os candidatos a cargos municipais, prefeitos ou vereadores são obrigados a abandonar a dicotomia simplista que contrapõe urbanidade e progresso à preservação e ao mundo rural e atrasado.

Nunca foi tão evidente a responsabilidade dos governos e dos agentes econômicos na questão do desenvolvimento de ciência, tecnologia e inovação, com visitas a que estas possam garantir a sustentabilidade e o nosso futuro.

Joan Nogué, diretor do Observatório del Paisage, afirma: “Toda essa urbanização sem sentido causou uma perda de identidade territorial. As pessoas se perguntam o que está acontecendo, tanto localmente quanto no contexto da globalização. Tudo isso causa desorientação, desassossego, sensação de que algo não funciona”.

Felizmente, há luzes surgindo no horizonte. No Brasil, um projeto como “Cidade Limpa”, da Prefeitura de São Paulo, tornou-se modelo para outras cidades. A urbanização e o saneamento das favelas tornaram-se itens fundamentais na agenda brasileira, associando municípios para o que chamamos de qualidade de vida.

Nos meios acadêmicos brasileiros, a Universidade Federal da Bahia criou e implementou o Programa UFBA - Ecológica e assinou um convênio com a Fundação France-Libetés, visando à elaboração de um programa intitulado “Reconsiderar a Riqueza”, nos moldes do que foi produzido na França.

A construção de um planeta saudável diz respeito ao nosso mundo pessoal na medida em que adotamos atitudes e hábitos “Eco-Friendly”, adaptando o nosso estilo de vida a uma nova ética e estética de consumo.

Atitudes “Eco-Friendly” podem gerar maior harmonia no planeta, acredite! E não precisamos esperar o cometa Halley passar outra vez. Sabemos que ele já deu uma volta por aqui em 1986 e, como o seu círculo orbital dura de 74 a 79 anos, a espera pode ser longa... rsss.

No nosso dia-a-dia doméstico, podemos começar hoje mesmo a consumir produtos orgânicos e biodegradáveis, usar sacolas e papel reciclado, fazer coleta seletiva de lixo e, sobretudo, economizar água.

“By the way”, vocês já entenderam que a água começa a ser considerada um luxo? Ou ninguém reparou ainda nos modelos de garrafas de água “prêt-à-porter” e “haute couture” que o Lacroix criou para a Evian?

Tornou-se imperativo selecionar o que compramos e usamos, privilegiando as empresas e os produtos que buscam reduzir a degradação e invistam na preservação ambiental.

A kiehl's criou, em parceria com a Fundação Brad Pitt, cosméticos biodegradáveis, cuja mescla de ingredientes químicos desaparecem em 28 dias depois da sua utilização. A embalagem foi produzida com um tipo de plástico que segue as normas mais rigorosas de reciclagem.

Cem por cento das vendas desse sabão serão doadas para a organização não-governamental que o astro acaba de criar para ajudar na reconstrução de casas de quem as perdeu no furacão Katrina.

No quesito estético, já podemos dizer que não estamos mal acompanhados. 

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