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21 de Dezembro de 2009

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Lixo Marinho: com certeza você já ouviu falar

Fim de ano: natal, reveillon, agradecimentos pelo ano que passou, pedidos para o ano que vem chegando, presentes. Muitos presentes e... quantas embalagens para embrulhar todos estes presentes! Papeis de presente, sacolas e embalagens plásticas, fitas de tecido, caixas de madeira... Então, como última reflexão de final de ano, vamos ser sinceros: não há mais desculpas para descartar incorretamente suas embalagens de presentes.

Este ano, com certeza, você já ouviu falar sobre LIXO MARINHO. O descarte inadequado, a ineficiência do sistema de coleta e tratamento de lixo, a precariedade dos lixões e aterros sanitários nas cidades contribuem para que nossas embalagens cheguem aos ambientes costeiros e marinhos, tornando-se lixo marinho.

Durante sete meses, através do site da EcoD em uma parceria com a Global Garbage e a Associaҫão Praia Local Lixo Global, você pode acompanhar fatos e inúmeros problemas associados à presença de lixo no ambiente. A primeira coluna dedicada ao tema abriu as portas da EcoDesenvolvimento.org, convidando todos a entrar e aprender mais sobre o lixo e suas consequências nos ambientes costeiros e marinhos, sob um ponto de vista muito especial: o de especialistas que estudam e efetivamente buscam soluҫões para estas questões.

Em junho conversamos com a prof. Monica Costa, da UFPE, sobre o papel das universidades na amenização e busca de soluções para o problema do lixo marinho. A qualificação de pessoal, a geração de informação nova e de qualidade e a divulgaҫão destas informaҫões para a sociedade, unidas em um círculo virtuoso, devem ser acompanhadas pela concientizaҫão e mudanҫa na atitude de cada pessoa através da reciclagem de ideias!

No mês seguinte, a prof. Jacqueline Santos, da UFRPE, falou sobre educaҫão e responsabilidade ambiental de forma cativante. Fomos convidados a embarcar com ela e sua filha em um bote, na busca por soluҫões possíveis para o problema do lixo; a menssagem, protagonizada por uma crianҫa de cinco anos, é clara e verdadeira: cada um deve fazer a sua parte.

Em agosto entrevistei o oceanógrafo Arthur Machado, que falou sobre sua experiência na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, em Santa Catarina. O monitoramento dos costões rochosos e do fundo do mar nos entornos da ilha mostrou que o ambiente encontra-se efetivamente contaminado por lixo marinho com origem, principalmente, nas atividades pesqueiras. Medidas urgentes devem ser tomadas, já que a reserva abriga inúmeras espécies da fauna e flora, inclusive em ameaҫa de extinҫão.

A prof. Christina Araújo da UFRN conversou conosco em setembro sobre a ameaҫa do lixo marinho vista sob uma perpectiva microscópica: o tamanho dos itens diminui a medida que estes sofrem fragmentaҫão, dificultando as limpezas públicas nas praias (o que aumenta a acumulaҫão de plásticos) e facilitando a ingestão destes fragmentos por praticamente todos os grupos de animais marinhos.

Em outubro, nossa praia foi invadida por esférulas plásticas (plastic pellets) trazidas pelo prof. Alexander Turra e a bióloga Aruanã Manzano. Estas esférulas, matérias-prima para fabricação e comercialização de plásticos, estão entre os items mais amostrados no lixo marinho, e apesar disso são pouco conhecidas inclusive em nível internacional. Um projeto em longo prazo estabelecido em Santos-SP procura responder a muitas perguntas relacionadas à ocorrência (e consequências) de esférulas plásticas nos ambientes costeiros. Desde já sabe-se que significativas mudanças nas formas de produção e consumo de materiais manufaturados são essenciais para minimizar este problema.

E, quem diria, desembarcamos em novembro nos Estados Unidos da América com a oceanógrafa Andréa Oliveira, minha colega na Associaҫão Praia Local Lixo Global, que dividiu conosco sua expêriencia em uma visita ao Programa de Lixo Marinho da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, em inglês). Lá ela pôde comprovar que existe sim uma preocupação governamental sobre os problemas associados ao lixo, e que é preciso sim investir muito para que resultados em curto, médio e longo prazo sejam alcanҫados. O Brasil precisa e deve desenvolver um programa para o monitoramento do lixo marinho. O Projeto Lixo Marinho (www.lixomarinho.org) vem alcanҫando resultados neste sentido, mas muito ainda está, pode e deve ser feito.

Finalizo agradecendo a todos que acompanharam nossa coluna durante o ano de 2009. Obrigada também a EcoDesenvolvimento, na pessoa de Fábio Góis, sempre presente. Aos queridos amigos e colegas de trabalho, muito obrigada por acreditaram que podemos efetivamente fazer a nossa parte, reciclando nossas ideias, sendo cidadãos verdes, monitorando ambientes impactados e “arregaҫando as mangas” para protegê-los, entendendo que pequenos fragmentos podem ter grandes impactos e que é sim possível mudar a realidade do nosso país. Acredito no nosso trabalho, na busca por mudanҫas positivas e na conservaҫão de ambientes ecologicamente saudáveis. Um presente, para aqueles que acompanharam e aqueles que irão em 2010: algumas pessoas podem realmente mudar o mundo... dentro de suas casas, na rua, a sua volta, na praia, nas suas cidades, no nosso país, no mundo todo.

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E, não se esqueҫa: neste natal, use menos embalagens, se necessário use embalagens recicláveis, reutilize e recicle aquelas que você ganhou e busque sempre alternativas para minimiza o lixo produzido.

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