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Propostas ambientais

Cidadania, do latim civitas, que significa “conjunto de direitos atribuídos ao cidadão” ou “cidade”.

Os candidatos em quem você votará nas Eleições de outubro têm propostas para o meio ambiente? Há menos de três meses para o pleito eleitoral de outubro, quando mais de 140 milhões de brasileiros irão as urnas para escolher presidente da República, senadores, governadores, deputados federais e estaduais, o ideal é que já passemos a pesquisar as propostas daqueles que terão a missão de nos representar.

Obviamente, temas recorrentes (e por que não dizer urgentes?) relacionados a sustentabilidade, como geração de empregos, além de investimentos em educação e saúde estarão em pauta. Contudo, deixar de lado os assuntos ambientais seria um grande equívoco. Primeiramente, porque dizem respeito não somente a nossa geração, cada vez mais ameaçada por conta de fatores como escassez de água, eventos climáticos extremos e desertificação, mas também porque incidem no futuro de nossos filhos e netos.

Ao pensar nisso, algumas organizações se movimentam no sentido de entregar suas reivindicações aos 'presidenciáveis' - pré-candidatos à Presidência da República. Em 29 de junho, este repórter obteve com exclusividade para o CORREIO Sustentabilidade a informação de que a CNI (Confederação Nacional da Indústria) entregaria uma carta aos postulantes ao Palácio do Planalto com as propostas da entidade na área de clima.

Já passou da hora de sermos protagonistas da cidadania, e não apenas meros espectadores

O documento, que foi de fato entregue aos candidatos prováveis em evento que reuniu líderes empresariais em Brasília, no dia 4 de julho, teve como objetivo evitar os riscos representados pelos eventos climáticos extremos ao setor industrial e, ao mesmo tempo, oferecer propostas ao governo brasileiro acerca desse assunto.

Outro exemplo é o da organização não governamental SOS Mata Atlântica, que divulgou em 13 de junho o documento intitulado Desenvolvimento Para Sempre, cujas propostas ambientais destinam-se não só aos candidatos à Presidência, mas também aos futuros senadores, governadores e deputados. As propostas da ONG abordam o bioma Mata Atlântica e as causas urgentes para a sua conservação, como Restauração da Floresta, Valorização dos Parques e Reservas, Água Limpa e Proteção do Mar.

Por sua vez, a Coordenação da Estratégia Nacional para o Cerrado, entidade que congrega sete organizações ambientais, atualmente elabora um documento com estratégias de conservação para o bioma, que também será apresentado aos presidenciáveis. As principais medidas propostas incluem o fim do desmatamento; a realização de pesquisas para definição de políticas públicas e a conciliação de interesses do agronegócio; a conservação e o respeito ao direito das comunidades tradicionais.

Todas estas iniciativas são louváveis. Acredito que outras entidades deverão igualmente se manifestar nas próximas semanas, de modo a apresentarem suas propostas aos candidatos. Ao mesmo tempo, defendo que cada cidadão utilize os diversos canais de relacionamento e informação (como as redes sociais e os sites) com o objetivo de saber, dos seus futuros escolhidos, quais são as proposições deles quando o assunto é sustentabilidade. 

Alguns exemplos de questionamentos que podem ser feitos:

  1. De que forma pretendem melhorar o saneamento básico em seu estado e no País como um todo?
  2. Como pensam a questão dos resíduos sólidos urbanos?
  3. Possuem histórico de defesa às questões ambientais? 
  4. Tem projetos para reduzir os níveis de desmatamento e aumentar o número de unidades de conservação?
  5. Pensam em estimular a mobilidade urbana, priorizando o transporte público e a bicicleta? 
  6. Pretendem aumentar o uso de fontes renováveis na matriz energética? 
  7. O histórico dos seus candidatos é de ficha limpa?
  8. Apoiam tratados internacionais como o Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável?

Evidentemente, há uma série de outras perguntas a serem colocadas, ainda mais quando falamos de um país de dimensões continentais como o Brasil, repleto de desafios. Em uma democracia madura, não deve haver distanciamento entre representantes e representados. As pessoas não exercem a cidadania apenas quando votam. Antes disso, pesquisam a respeito de seus candidatos que, uma vez eleitos, passam a prestar contas aos votantes, que acompanham frequentemente suas respectivas atividades políticas. 

A sustentabilidade precisa estar na pauta dos candidatos. Afinal, nosso presente e futuro - e o de nossos filhos e netos - dependem de um mundo mais justo e habitável, com mais qualidade de vida. Por isso, procure saber de suas propostas. Caso o postulante com o qual você simpatiza careça de proposições nessa área, estimule-o a adotá-las em seus programas de governo. Imponha como se fosse uma condição para o voto, se preciso.  

Já passou da hora de sermos protagonistas da cidadania, e não apenas meros espectadores.  

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