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Marcos Terena afirmou que não podemos "assassinar o futuro em nome do desenvolvimento"/Foto: José Cruz/Agência Senado
O líder indígena brasileiro Marcos Terena abordou o tema economia verde em evento da Organização das Nações Unidas (ONU) realizado na terça-feira, 17 de maio, em Nova York. Em entrevista à Rádio ONU, ele adiantou que as comunidades nativas brasileiras vão levar conhecimentos tradicionais e articulação política para a Rio+20, conferência marcada para junho de 2012, no Rio de Janeiro, 20 anos após a Rio-92 (também conhecida como Eco-92).
"Como vai ser no Brasil, nós queremos levar a sabedoria da nossa ancestralidade e conhecimentos tradicionais. Mas queremos levar também a capacidade política de negociação que estamos construindo em relação ao Banco Mundial, às Nações Unidas e ao Fórum Permanente da ONU", argumentou Terena, que também é coordenador da participação indígena na Rio+20.
Terena está em Nova York para participar do Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas, que será realizado até o dia 27 de maio. Ele foi um dos palestrantes da reunião paralela sobre economia verde. No debate, o líder indígena alertou para o risco de se dar preços ao meio ambiente.
"Geralmente, o mundo moderno tem o costume de transformar a natureza, os rios, as águas, o meio ambiente e até mesmo o ar, e qualificar isso em termos de preço, de mercado", observou Terena. Segundo ele, a visão indígena de economia verde vai contra esta tendência.
O coordenador acredita ser possível usar recursos da natureza sem alterações profundas, sem a "geração de novos verdes", como descreveu. "Nós não podemos assassinar o futuro em nome do desenvolvimento. E as indústrias, grandes centros urbanos e governantes têm que aprender isso com os povos indígenas para que a gente possa gerar então essa possibilidade de um futuro melhor", ressaltou Terena.
A ONU estima que haja 370 milhões de indígenas em 90 países do mundo.
A Rio+20 pretende abordar temas como desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza.
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