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Economia e Política

09 de Fevereiro de 2011

 

Inundações no Sul da África e seca na China podem causar escassez de alimentos

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Inundações castigam o Sul do continente africano/Foto: Evan Schneider/UN

As inundações decorrentes das chuvas no Sul da África e a seca na China podem provocar a escassez de alimentos, segundo informou a Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Os alagamentos em parte do continente africano danificaram grandes áreas de comunidades socialmente vulneráveis, enquanto que no gigante asiático 2,6 milhões de pessoas e 2,8 milhões de cabeças de gado já são afetadas pela desertificação.

“Os níveis de insegurança alimentar já estão críticos nas áreas afetadas de alguns desses países e as inundações só pioram ainda mais a capacidade dos agricultores pobres de lidar [com a situação] e alimentar suas famílias nos próximos meses", afirmou a representante da FAO Cindy Holleman, coordenadora regional de emergência para o Sul da África.

Sobre a China, a FAO lembrou que o país é o maior produtor mundial de trigo, o que significa dizer que a falta de chuvas coloca os estoques em risco e eleva os preços do cereal. Tal fenômeno já mostrou sua influência em janeiro, período em que o valor do alimento registrou alta de 8%.

FAO e governos buscam medidas para crise

O governo chinês informou que vai tomar medidas com o objetivo de minimizar os efeitos da seca no país, ao designar US$ 15 milhões para irrigar a região, ajudar os agricultores e provdenciar a compra de combustíveis, fertilizantes e pesticidas.

Na África, a FAO trabalha com os sistemas de alerta precoce de autoridades regionais e nacionais para acompanhar a evolução das principais bacias hidrográficas e avaliar o impacto sobre a produção de alimentos. A região está no meio da estação de chuvas e a estação de ciclones deve chegar em seu auge durante este mês, situação que coloca em risco elevado de inundações diversas áreas agrícolas ao longo de rios de países como Botsuana, Lesoto, Moçambique, Namíbia, Zâmbia, Zimbábue e África do Sul.

No Lesoto, por exemplo, um dos mais pobres países da subregião, uma equipe de avaliação da FAO constatou que, em algumas das áreas alagadas, até 60% da safra foram perdidos e mais de 4.700 animais, principalmente ovelhas e cabras, morreram.

Perdas de safras também são relatadas ao longo de margens de rios nas regiões Central e Sul de Moçambique, onde foi declarado estado de alerta vermelho, dado que fluxos de água nos principais rios estão acima dos níveis considerados críticos. A África do Sul já declarou estado de desastre nacional em vários distritos do país, devido às enchentes que destruíram milhares de hectares de terras cultiváveis e causaram danos estimados em milhões de dólares.

A FAO está participando de avaliações de impacto de inundações em toda a região e fornece aos governos parecer técnico sobre sistemas de monitoramento de enchentes, bem como preparação e medidas para evitar a eclosão e propagação de doenças veterinárias, ao mesmo tempo se preparando para possíveis intervenções de auxílio agrícola, após a diminuição dos níveis de água.

Com informações do Centro de Notícias da ONU

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