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27 de Dezembro de 2010

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ODM: São Tomé e Príncipe e o desafio da sustentabilidade

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Pequeno Estado-Ilha luta contra a elevação do oceano/Foto: Joao Maximo

Faltam menos de cinco anos para o mundo cumprir os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). A Rádio ONU preparou uma reportagem especial para analisar como São Tomé e Príncipe tem enfrentado o desafio de atingir a sétima meta: alcançar o Desenvolvimento Sustentável.

"Um dos grandes problemas que temos é a erosão da nossa costa. Vemos também um aumento da altitude das ondas do mar, o que nos preocupa, sobretudo pela localização da própria ilha. E também a questão do roubo da areia do mar, que também provoca essa erosão. Diversos governos têm tomado medidas no sentido de impedir que tirem a areia do mar, o que cria sérios problemas à qualidade das nossas praias", explicou Ovídio Pequeno, embaixador de São Tomé e Príncipe na ONU.

Pequeno Estado-Ilha situado no Golfo da Guiné, na costa da África Ocidental, São Tomé e Príncipe está sempre atento aos movimentos do aquecimento global e da subida do nível do mar. Para o jovem país com cerca de 165 mil habitantes e pouco mais de 1 mil km2, a preservação do meio ambiente é literalmente uma questão de vida ou morte.

Descrito pelo presidente são-tomense, Fradique de Menezes, como "um país remoto", São Tomé e Príncipe é conhecido por belezas naturais ainda intocadas pelo turismo de massa, mas tem se tornado, cada vez mais, o destino preferido de muitos visitantes.

Comunidade Internacional

Em 2002, durante os debates anuais dos chefes de Estado e governo na ONU, o presidente Fradique de Menezes perguntou à comunidade internacional de que forma vários países como o seu poderiam salvar o meio ambiente e proteger os recursos naturais da degradação.

No atual momento, o próprio governo está implementando programas educacionais para diminuir o impacto ambiental de ações humanas, como por exemplo, a retirada da areia das praias.

presidente fradique alertou sobre as consequ�cias do aquecimento global
Presidente de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes, alerta sobre o risco de o país-ilha desaparecer/Foto: Michelle Poiré/UN

"As pessoas buscam ganhar dinheiro, vendendo a areia, sobretudo, para a área da construção. É preciso que haja um processo de educação, de explicação às pessoas, de que o fato de tirarem a areia do mar e ganharem algum dinheiro, resolvem um problema de imediato, mas criam um outro problema ao longo da história de São Tomé e Princípe", alertou Fradique de Menezes.

Produção de Petróleo

Um tradicional produtor de cacau já na época da colonização portuguesa, o país está se preparando agora para assumir o que alguns analistas chamam de importante papel no futuro da produção de petróleo do continente africano, através das águas profundas do costa do Golfo da Guiné.

Durante discurso na ONU, em 2002, Fradique de Menezes informou que seu país se tornaria um modelo de economia e desenvolvimento sustentáveis, além de alertar que se os níveis do mar subissem mais, as ilhas desapareceriam embaixo das ondas.

As águas são-tomenses são também uma fonte de renda para grande parte dos trabalhadores do país que vivem da pesca. A variedade das espécies de peixes como atum, peixe-voador, espadão, pargo e bonito, já fazem parte também da dieta da população local.

"A pesca artesanal em São Tomé é muito importante. Cerca de 80% da proteína consumida pela população provém de pescados. A pesca artesanal representa 15% da população ativa, ou seja, 23 mil pessoas vivem da atividade", explicou à Rádio ONU João Pessoa, diretor executivo da ONG Marapa.

Fundada em 1999, a ONG atende cerca de 3 mil pescadores das ilhas de São Tomé e Príncipe. João Pessoa explica como as mudanças climáticas já estão afetando o dia-a-dia dos que vivem da pesca.

"Com o aumento da população, com a necessidade de capturar mais, esta captura tende a diminuir. Notamos uma certa influência das alterações climáticas na pesca. O pescado tem diminuído. Com o aquecimento da temperatura da água do mar, algumas espécies não se aproximam da costa. Pressupomos que isso seja efeito das alterações do clima", concluiu.

Para tentar alcançar o sétimo ODM, São Tomé e Príncipe passou a vigiar também a saúde das matas. De acordo com o embaixador Ovídio Pequeno, a derrubada indiscriminada de árvores está pondo em risco a flora são-tomense como um todo.

"O Ministério da Agricultura e as autoridades competentes têm feito um trabalho para impedir que se continue a abater essas árvores. Isso tem a ver com a procura da lenha, porque nas áreas rurais de São Tomé a lenha é utilizada para se fazer as refeições. Em nível dos serviços competentes, o trabalho tem sido feito no sentido de explicar e educar as pessoas que se continuarmos a ter este tipo de comportamento, estaremos a condenar as gerações futuras em matéria de sobrevivência e da proteção do meio ambiente", projetou Ovídio.

Segundo João Pessoa, a parceria da sociedade civil com o governo para diminuir os impactos das mudanças climáticas se faz presente nos setores público e privado. O representante da ONG Marapa conta como tem cooperado com o governo local para aliviar os efeitos do superaquecimento no país.

"Melhoria das condições da captura de peixes, instalando dispositivo de concentração de pescados; melhorando as embarcações dos pescadores; introduzindo novas técnicas de pesca. É uma série de atividades da nossa parte, como também dentro da política do governo, que tem projetado algumas atividades. Cremos que poderemos alcançar muitos desses objetivos."

Pessimismo

Mesmo com todos os programas já implementados e os que ainda estão por vir até 2015, o governo acredita que o sétimo ODM pode não ser alcançado em São Tomé e Príncipe por vários fatores, um deles é a falta de recursos para enfrentar o problema.

Durante a 16ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima, realizada entre novembro e dezembro deste ano em Cancún (México), o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, voltou a pedir aos países industrializados que contribuam com US$ 100 bilhões para ajudar as nações em desenvolvimento a combater o efeito estufa.

Para a pequena nação africana, a ajuda externa é mais de 80% de suas necessidades, como explica o embaixador Ovídio Pequeno. "Em relação às Metas do Milênio, provavelmente essa é uma das questões em que não atingimos o patamar desejado. A sustentabilidade é para nós um aspecto importante."

"Também precisamos encontrar mecanismos internos que permitam o desbloqueamento rápido e eficiente dessa ajuda, por meio de programas coesos, que possam de fato criar o desenvolvimento sustentável que todos nós almejamos", finalizou Ovídio.

- Ouça esta reportagem em podcast -

Produção e Reportagem: Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

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