Editorias / Empresa Sustentável
HOME | EcoManagement | Aterro sanitário é referência em destinação adequada dos resíduos sólidos

Empresa Sustentável

14 de Junho de 2011

 

Aterro sanitário é referência em destinação adequada dos resíduos sólidos

 c�ula industrial, duplamente impermeabilizada, �coberta e possui sistema de drenagem superficial e subsuperficial
Célula industrial, duplamente impermeabilizada, é coberta e possui sistema de drenagem superficial e subsuperficial/Foto: Divulgação

Um aterro sanitário que promove a gestão integrada dos resíduos sólidos (da fonte geradora até a destinação final) e cujo o complexo, situado na cidade de Cariacica, no Espírito Santo, abriga um condomínio de negócios sustentáveis, no qual micro e pequenas indústrias podem transformar o lixo em novas matérias-primas. Assim é o Marca Ambiental, considerado o primeiro aterro privado do estado capixaba. 

Em entrevista ao portal EcoDesenvolvimento.org, a presidente do Instituto Marca de Desenvolvimento SocioAmbiental (Imadesa) e responsável pelo projeto IncubaLIX, Mirela Chiapani, explica o sucesso do empreendimento que, entre outros feitos, conta com o terceiro projeto de crédito de carbono aprovado pelo governo brasileiro (em 2005), atendendo ao Protocolo de Kyoto - que permite aos países em desenvolvimento comercializarem as emissões de gases-estufa que seriam despejadas na atmosfera junto às nações ricas (maiores poluidoras).

EcoD: o aterro sanitário Marca Ambiental existe desde quando?

Mirela Chiapani: Nós fomos o primeiro aterro privado do Brasil (1995). A preocupação com a destinação final do lixo ainda engatinhava no país. Nós víamos ainda muitos lixões. As pessoas produziam seus resíduos e as prefeituras os destinavam em lixões a céu aberto. As políticas não eram bem definidas, bem como as normas para tratamento adequado, mas nós já tínhamos conhecimento de experiências em São Paulo, que é o estado pioneiro nesse processo de aterro sanitário.

 ecoind�tria de sacolas pl�ticas recicl�eis
Ecoindústria de sacolas plásticas recicláveis/Foto: Divulgação

Em 2002 nós tivemos nossa primeira indústria aqui, especializada em vassouras PET. Nós atendíamos a muitas pessoas que reclamavam do problema da destinação inadequada do lixo, mas que tinham boas ideias. Então, passamos a prestar atenção. A partir daí, como a nossa área é muito grande, passamos a instalar essas ecoindústrias. Hoje já tem de grãos e sacolas, vassouras PET, tijolos ecológicos, papel reciclado, artefatos de fibra de coco, produção de biocombustível e separador de água e óleo.

EcoD: E como começou a parceria com o Sebrae?

Mirela Chiapani: Em razão da visibilidade nacional que a nossa iniciativa teve, sendo divulgada, inclusive em uma revista de grande porte nacional, o Sebrae tomou conhecimento do projeto e nos procurou, em 2006, em razão das micro e pequenas indústrias que surgiram por aqui. Eles identificaram então um processo de incubação. Nós tivemos que criar o Instituto Marca, porque o Sebrae não trabalha diretamente com empresas (ele fomenta empresas). A partir daí, nós passamos a fomentar empresas, por meio do modelo Anprotec. Só que o Sebrae/Anprotec fomentava incubadoras de base tecnológica, como por exemplo, desenvolvimento de software. Eles viram esse nicho e falaram: “não, vamos tentar fazer uma incubadora de econegócios”, e aí nós começamos a colocar os empresários que já desenvolviam esse trabalho nesse novo processo. Desenvolvemos o Instituto Marca, e a incubadora passou a ser um dos braços do instituto. Nós demos a incubadora o nome de “Incubalix”, criamos um estatuto, um edital, e passamos a fomentar o interesse de outros empreendedores.

 mirela chiapani preside o imadesaEcoD: Muitas dificuldades?

Mirela Chiapani: A caminhada não é tão simples assim, porque acreditar no produto ambientalmente correto ainda é uma barreira para o cidadão. Nós não temos incentivo fiscal para esse tipo de processo, os empresários que atuam nesse setor sustentável geralmente não têm capital social para montar suas indústrias e uma indústria de econegócios não é barata se a transformação da matéria-prima for de grande escala. E tem o tem o tempo de incubação, até ele [empresário] se tornar independente. Tem que percorrer essas etapas no processo de gestão. Ele tem até quatro anos para estar pronto para ir ao mercado. Tem algumas ecoindústrias que já estão com três anos, outras trabalhando há um ano, também tem a barreira do licenciamento ambiental, então, a ideia é muito boa, mas ela não acontece da noite para o dia.

EcoD: As ecoindústrias estão situadas dentro do complexo do aterro?

Mirela Chiapani: Sim, e o fato de a incubadora estar dentro de um aterro sanitário é um facilitador, pois a matéria-prima chega aqui. O empresário pode ter a matéria-prima sem custo para ele, conseguir fomentar e ser competitivo, porque você competir com uma empresa que está no mercado utilizando a matéria virgem é muito mais difícil do que você executar a ação de vender um produto ecologicamente correto.

Mas nossa expectativa com as novas políticas do setor, que inclui a logística reversa [carro-chefe da Política Nacional dos Resíduos Sólidos], é que a necessidade de as indústrias cuidarem dos resíduos que elas colocam no mercado faça com que consigamos alavancar mais negócios.

As ecoindústrias ficam situadas em um condomínio, que costumamos chamar de “condomínio de econegócios”. Nós temos uma sala, cujas despesas são compartilhadas, e que possui uma única secretária, mesas compartilhadas, internet, uma única segurança patrimonial – o que diminui os custos para eles.

EcoD: O lucro da comercialização das matérias-primas, de parte das ecoindústrias, é compartilhado com o Grupo Marca, responsável pelo aterro?

Mirela Chiapani: Eles têm uma taxa de incubação, para manutenção. É um processo muito importante para a nossa cadeia de gestão, mas não é o carro-chefe do aterro. No entanto, sabemos que, quanto mais resíduos nós reciclarmos, mas vida útil ganha o aterro. Eles têm benefícios por estarem aqui dentro. É uma troca. O valor é simbólico. A taxa é para ratear as despesas que nós temos em relação à gestão deles. O lucro é deles e eles são responsáveis por suas próprias indústrias. Nós até temos acesso aos balanços, mas não interferimos nas gestões. Nossa função é saber se eles estão pagando os impostos dos funcionários corretamente. Todos os funcionários são registrados, porque eles estão inseridos em uma outra unidade.

 ecoind�tria de vassouras pet
Ecoindústria de vassouras PET/Foto: Divulgação

EcoD: O aterro tem um dos projetos pioneiros de créditos de carbono em nível nacional. Como se deu esse processo?

Mirela Chiapani: Desde 2000 nós pesquisamos a questão do biogás no aterro sanitário. Logo que houve o primeiro experimento para saber se poderíamos transformar os resíduos sólidos em biogás para gerar eletricidade, houve a ratificação do Brasil no Protocolo de Kyoto e surgiu todo esse processo de crédito de carbono. Consequentemente, os países desenvolvidos passaram a se interessar pelas propostas brasileiras. Nós fomos um dos alvos.

Houve o contato de uma empresa inglesa, chamada Biogás, que trabalha o processo aqui, e o nosso projeto foi desenvolvido à época pela Ecosecurities. Fizemos um projeto, o enviamos para o Ministério de Minas e Energia, que fez toda a certificação, e passamos a explorar há três anos, mas, desde a implantação, tudo o que nós deixávamos de emitir era contabilizado. Então, nós já até recebemos a primeira leva, porém, por ser pequeno, nosso aterro não produz uma quantidade muito grande – a ideia era produzir 1,5 metros cúbicos por hora. Hoje, são produzidos 800, 900 metros cúbicos hora. O crédito de carbono é feito em cima da não emissão dos gases-estufa.

EcoD: Uma termelétrica à biogás será construída no aterro?

Mirela Chiapani: Hoje nós estamos construindo uma termelétrica, porque o nosso projeto junto à ONU não era só de queima do biogás, mas também de aproveitamento energético. O objetivo dessa termelétrica interna é aproveitar toda essa energia do lixo para mover a nossa própria indústria. A ideia é utilizarmos 1 megawatt para nosso consumo interno. A gente hoje usa 800 kilowatts hora por mês. Então, tornaríamos nossa unidade sustentável em energia. Nós queimamos o metano e o transformamos em dióxido de carbono (CO2), que é menos impactante.

EcoD: E em relação a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Como tem sido a posição do aterro Marca Ambiental?

Mirela Chiapani: Nós temos aqui no estado uma comissão (Cogeres), um comitê que trata especificamente da destinação dos resíduos, e nós fazemos parte desse comitê. O Espírito Santo tem uma política estadual sobre o tema, então nós temos grandes discussões a respeito. Podemos dizer que temos acompanhado, com atenção, as discussões sobre a nova lei nacional dos resíduos sólidos.

EcoD: Como funciona o projeto socioambiental desenvolvido pelo Instituto Marca?

Mirela Chiapani: São quatro projetos desenvolvidos na comunidade onde atuamos. Nós temos no Instituto Marca um projeto chamado “Ciranda do Saber”. Lançamos anualmente um edital e a comunidade indica o que ela quer, via escolas e associações que ela tem. É um edital de projeto público. Nós temos um limite e aí financiamos essas iniciativas. Os projetos são os seguintes: Circo Marcas da Alegria, Era Uma Vez (educação ambiental), Cantar a Vida (musicalidade) e Novas Trilhas da Educação Ambiental.

As instituições contempladas são: Escola Teotônio Brandão Vilela, Colorir Criando Valores, Centro Nova Geração – Cáritas Arquidiocesana, Fé e Alegria do Brasil.

Faça sua doação!

Estamos precisando muito da sua ajuda e qualquer valor doado é de grande importância.

Você pode impedir que este trabalho importante de conscientização acabe, fazendo sua doação. Todos os recursos obtidos serão utilizados para a manutenção de nossas atividades. Vale lembrar que todo conteúdo é 100% gratuito e acessível a qualquer cidadão.

Clique aqui e saiba como fazer a sua doação!

Comentários

Deixe sua opinião sobre este assunto.

Dicas
Veja Mais Dicas
Guias
Veja Mais Guias
 
Shopping EcoD
Abrasivo Digital