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Carros e Transportes

29 de Agosto de 2010

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A terapia das bicicletas

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Teresa é a criadora do grupo Saia na Noite/Fotos: Saia na Noite

Ao contrário de muitas pessoas, Teresa D'Aprile não aprendeu a andar de bicicleta enquanto era criança. Foi depois do fim de um casamento que, com quase 40 anos, sentiu que as coisas precisavam mudar. Ela juntou um dinheiro e comprou uma bicicleta, atitude que mudaria por completo a sua vida a partir dali. Há 18 anos, ela comanda o Saia na Noite, um grupo que ensina mulheres a andarem de bike por toda São Paulo e a terem confiança em si mesmas.

Muito da ideia de montar a turma feminina de ciclistas veio da própria história de Teresa. “Era um absurdo uma mulher andar de bicicleta há vinte, trinta anos atrás”, conta Teresa sobre o preconceito que muitas enfrentavam. “Então, eu comecei a pedalar de noite, aproveitava o escuro para me sentir mais livre e aprender”, completa.

Claro que não foi fácil. “No começo participei de uma disputa e cheguei em quinto lugar. Pensei em jogar a bicicleta fora, quebrar aquilo, achava que ter comprado a bicicleta tinha sido o maior erro da minha vida”, relata.

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O grupo de ciclistas aumenta a cada terça feira

Indo para encontros de ciclistas, Teresa conheceu outras mulheres que amavam a bike. Então, surgiu a ideia de montar o Saia na Noite, um grupo que incentiva outras mulheres a aprenderem a andar de bicicleta e a superarem seus limites, tudo com muita calma e descontração.

Teresa conta que o "Saia", como chama carinhosamente o grupo, é um processo acima de tudo terapêutico. “Se alguém não conseguir completar o percurso todo, eu envio e-mail contando que aquele foi o máximo que ela pode alcançar naquele dia, que é para ela continuar nesse caminho, que ela foi muito bem”, comenta.

“O importante é continuar pedalando”

O grupo, criado em 1992, recebe um número cada vez maior de mulheres, que juntas se tornam mais do que companheiras de bike, e se transformam em amigas. Os encontros são realizados todas terças-feiras à noite e elas percorrem sempre um caminho diferente, para que as mulheres conheçam a cidade onde moram, saibam ser independentes e percam o medo de pedalar.

Preconceitos e desafios

Quando perguntada sobre o preconceito, Teresa conta que esta questão é uma realidade que todas elas precisam enfrentar. Além do desrespeito dos carros, as mulheres precisam se desviar dos olhares maldosos. No caso de Teresa, por exemplo, isso se agrava por conta da idade: “Mas não preciso de homens do meu lado para me proteger. Faço tudo de bicicleta, vou para qualquer compromisso em cima da bike”, revela.

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"Não preciso de homens do meu lado para me proteger. Faço tudo de bicicleta, vou para qualquer compromisso em cima da bike”

E se mesmo assim a iniciante estiver com medo de começar a pedalar, Teresa dá as dicas: “é importante se lembrar da manutenção dos equipamentos, ter uma noção de mudança de marcha, saber que estar protegida é importante e contar com os imprevistos”, conta. “E se preferir levar o namorado nas primeiras vezes, não tem problema”.

Além dos problemas de infraestrutura, Teresa acredita que um grande desafio é a falta de educação no trânsito. “Essa falta de noção do espaço do próximo se estende para o ciclista, não posso omitir. Há quem ande na contra-mão, disputa corrida com os automóveis, não dê sinal, ande na faixa esquerda, tudo isso atrapalha quem dirige”, comenta a cicloativista. “Sou ativista em prol da inserção das bicicletas como meio de transporte de dia e sou uma ciclista comum de noite”.

Por um número cada dia maior de ciclistas

O Saia na noite é só um dos momentos em que Teresa está nas ruas em cima da magrela. Além de pedalar todos os dias, ela ainda frequenta um grupo de ciclistas todo domingo. Cada vez maior, o número de mulheres com bicicletas, só orgulha Teresa. “É ótimo ver mulheres ostentando suas bikes por aí, em pensar que antes eu tinha vergonha de sair de casa de bicicleta”.

E o que inspira Teresa a continuar pedalando? “O trabalho. É saber que eu ajudo tantas mulheres a serem independentes”, conta. “Essa é a minha contribuição para o mundo, sabe? Quero estar viva para ver cada vez mais mulheres em cima das bikes”.

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