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Energia

10 de Dezembro de 2010

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Brasil não é potência verde por má gestão e falta de incentivo em fontes limpas

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A energia eólica representa apenas 0,2% da total do país / Foto: Lumiago 

O Brasil é um país com alto potencial para a geração de energias renováveis, porém, a má administração do governo faz com que ele desperdice oportunidades de explorar fontes de energia limpa, afirmam especialistas. As informações são da BBC Brasil.

"Ninguém tem dúvidas de que as energias renováveis vão dominar no futuro. É um processo muito demorado, mas irreversível", disse Edmilson dos Santos, economista, engenheiro e professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP.

As usinas hidroelétricas são responsáveis por 47% da produção de energia por fontes limpas no país, mas especialistas alertam que o Brasil não deve se acomodar com esses dados. O coordenador do Greenpeace, Ricardo Baitelo, falou que mesmo com o potencial do país, a falta de investimento na área de energia verde pode o deixar para traz na disputa mundial pela economia de baixo carbono.

Para se ter uma ideia do descaso governamental, os investimentos do país na área, em 2009, foram de U$ 7,4 bilhões (R$ 12,7 bilhões), enquanto os da China alcançaram U$ 34,6 bilhões (R$ 59,3 bilhões), segundo um estudo do Pew Environment Group com países do G-20. Na Europa, 60% dos novos mecanismos de geração de energia instalados no mesmo ano destinaram-se aos renováveis.

De acordo com Baitelo, há alguns anos o governo alegava que a Europa só investia em fontes renováveis por não ter o potencial hidroelétrico que tínhamos no Brasil, mas hoje ele percebeu as vantagens dessas energias, como a eólica, e as desvantagens das hidroelétricas.

Para Neli Aparecida de Mello, professora de gestão ambiental da USP, o problema não está nas hidroelétricas em si, mas na aposta no modelo de obras grandiosas, como Itaipu e Balbina, e a localização. Elas poderiam ser menores e locais. "Também é preciso levar em conta que atualmente os novos projetos estão na Amazônia, como Belo Monte. Além do impacto ambiental, temos de ver o grande problema de logística para controlar essas longas linhas de transmissão que trazem a energia para o Sudeste", disse.

Outro motivo para o atraso brasileiro em fontes verdes abordado por Santos foi a falta de incentivo aos ônibus movidos a gás. "Para suprir frotas grandes como a de São Paulo seria preciso plantar muito mais cana, tirando espaço de outro tipo de lavouras", no caso de veículos movidos a diesel e etanol.

O deslumbramento com o pré-sal também atrapalhou os investimentos governamentais. Segundo Santos, a empolgação com a novidade acabou tirando o foco de uma questão essencial: “o destino do gás gerado pela exploração desse petróleo”.

Baitelo disse que "no início do governo Lula, o etanol era prioridade. Com o pré-sal, houve um deslumbramento e ele acabou sumindo um pouco do discurso".

Os investimentos em ciência e pesquisa também são baixos, ficando concentrados nas áreas ligadas ao petróleo e a biocombustíveis. "O discurso oficial sempre pendeu mais para 'vamos esperar o preço cair' do que para criar legislação que incentive essas energias renováveis", disse Baitelo. Ele também afirmou que se houvessem mais incentivos nesse negócio, o Brasil poderia exportar essa tecnologia, como faz com o etanol.

Especialistas apontam que os erros e a má administração política tiveram o seu ápice há cerca de cinco anos e, desde então, o governo viu que o foco estava errado e passou a investir em outras energias, como a eólica. Entretanto, os investimentos estão em um ritmo muito mais lento do que o esperado. Atualmente, a energia eólica é responsável por 0,2% do total da gerada no país, quando poderia ser até três vezes mais do que o ele precisa.

Também existe uma lacuna imensa em relação aos incentivos para quem poupa energia. Tarifas especiais são raras no Brasil, enquanto em países europeus e asiáticos, aquele que usar energia solar, por exemplo, poderá vender o excedente de volta para o Estado, criando um ciclo virtuoso.

"Incentivos e garantias ao consumidor é uma questão chave para se melhorar nossa maneira de usar energia", afirma a professora da USP, fazendo uma comparação com os carros a álcool. "Demorou um tempo para se embarcar nesse mercado. Mas se a política for mantida aos poucos, o consumidor vai vendo que é algo viável, vantajoso e passa a comprar equipamentos que economizam energia, painéis solares."

Energia do Brasil em 2050

Conforme noticiamos, o Greenpeace apresentou na COP16, no dia 30 de novembro, o relatório Evolução Energética: Perspectivas para uma Energia Global Sustentável, o qual afirma que em 2050, 93% da matriz energética brasileira virá de fontes renováveis, produzindo o triplo do que é ofertado hoje e considerando a tendência de crescimento econômico.

A organização calculou que a expansão de fontes de energia eólica, solar, de biomassa, hidrelétrica e oceânica pode garantir 1.197 terawatts-hora, com menor custo de produção e redução significativa das emissões nacionais de gases de efeito estufa.

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