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Economia e Política

08 de Setembro de 2009

 

Cientistas querem “Banco Mundial do Clima” para comércio de carbono

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Especialistas propõem que países industrializados comprem "direitos de emissões" das nações em desenvolvimento/Foto: sxc.hu

Em tempos de altas emissões de gases causadores de efeito estufa, crise financeira internacional e dificuldades para os países em desenvolvimento investirem em sustentabilidade, cientistas alemães defendem a criação de um “Banco Mundial do Clima”, capaz de permitir às nações mais industrializadas a compra do direito de emissão de CO2 daquelas que possuem economias menos desenvolvidas. A ideia foi proposta por climatologistas do Conselho Alemão sobre a Mudança Global (WBGU, na sigla em alemão).

Para os pesquisadores, os países desenvolvidos devem comprar os “direitos de emissão” das nações menos favorecidas economicamente, caso queiram continuar a emitir altos níveis de gases poluentes. Com o estabelecimento de um banco mundial do clima, eles poderiam adquirir as cotas dos que poluem menos. Os especialistas calculam que o comércio global de cotas de emissões possibilite lucros anuais de R$ 80 bilhões a 241 bilhões. Na concepção dos cientistas, o valor arrecadado teria o seguinte fim: ajudar os países mais vulneráveis a financiarem o desenvolvimento sustentável.

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Os cientistas calculam que o comércio global de cotas de emissões possibilite lucros anuais de R$ 80 bilhões a 241 bilhões. /Foto: sxc.hu

Os cientistas da WBGU estimam que o limite atual de toneladas de CO2 emitidas por todos os países (coletivamente) deve atingir, no máximo, 750 bilhões de toneladas até 2050. Caso essa meta seja cumprida, a chance de fazer com que o aquecimento do planeta fique limitado a 2ºC é de 67%. Em 2007, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro-ministro indiano Manmohan Singh propuseram que todos os indivíduos do mundo deveriam ter o direito de emitir a mesma quantidade de dióxido de carbono.

Com base em tal proposta, cada país tem um limite de tempo diferente para reduzir suas emissões, o que varia a depender do respectivo consumo de combustíveis fósseis como petróleo, carvão e gás natural. Países como Bangladesh e Índia, por exemplo, poderiam manter seus níveis atuais de poluentes emitidos pelos próximos 384 e 88 anos, respectivamente, que mesmo assim atingiriam suas metas na condição de “aceitáveis”. O mesmo não vale para as nações industrializadas, que devem cortar a quantidade de gases de efeito estufa que emitem em poucos anos.

Contestação

Mas se por um lado à proposta dos cientistas alemães aparece como solução para um dos problemas mais discutidos atualmente, há menos de 90 dias da Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas (COP-15), uma visão mais crítica da ideia ajuda a criar uma polêmica que demonstra estar longe do fim. Em junho deste ano, o portal EcoDesenvolvimento.org apresentou a opinião do economista Jeffrey Sachs sobre o tema.

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Sachs contesta o conceito de crédito de carbono/Foto: European Parliament

Para o também diretor da Universidade de Columbia, conhecido pelo trabalho desenvolvido como conselheiro econômico de governos de todo o mundo, o debate em torno do crédito de carbono e da criação de taxas para as emissões distrai a atenção de outras possíveis soluções, como os esforços por novas tecnologias e políticas públicas voltadas para a área.

“O que eu quero são mais planos que nos digam quantitativamente o que precisamos fazer para alcançarmos nossos objetivos (...) se tentarmos restringir as emissões sem um conjunto de tecnologias fundamentalmente novas acabaremos sufocando o crescimento econômico, incluindo as perspectivas de desenvolvimento de bilhões de pessoas”, afirmou ao portal norte-americano TreeHugger, à época.

Para Sachs, que é o autor do livro O fim da pobreza, muitos economistas dão a entender que o estabelecimento de um preço para as emissões de carbono via permissões negociáveis ou um imposto sobre o CO2 é suficiente para cumprir as reduções necessárias das quantidades emitidas. “Isso não é verdade. Um sistema de créditos pode influenciar marginalmente as escolhas entre usinas de carvão e gás ou provocar um pouco mais de adoção de energia solar ou eólica, mas não levará a uma revisão necessária e fundamental dos sistemas de energia”, defendeu, em artigo publicado na revista Scientific American Brasil.

*Com informações do Der Spiegel, no portal UOL


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