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15 de Agosto de 2010

 

Compartilhador de sentimentos

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Ricardo Cabús conversou com o EcoD sobre seu projeto que leva poesia para toda Maceió

Ricardo Cabús é um poeta. E se como não bastasse dividir seus sentimentos através de seus versos, o alagoano resolveu levar a poesia para os olhos e ouvidos de mais pessoas, além daqueles que já eram seus leitores.

Assim nasceu o projeto Papel no Varal, que tem o propósito de levar a boa poesia aos quatro cantos da cidade, ajudando na formação de um novo público leitor, trazendo a linguagem poética para o seu cotidiano. Desde o surgimento da ideia, já se vão dois anos, em que Cabús divide arte com visitantes em saraus de poesia e através do blog do projeto. O EcoD conversou com ele sobre essa atitude tão inspiradora.

EcoD - Como começou a ideia do projeto Papel no Varal?

Ricardo Cabús – A ideia começou no lançamento do programa Minuto de Poesia, que criei para a Rádio Educativa FM, em abril de 2009. Baseei-me em experiências semelhantes que havia atuado nos anos oitenta, mas dei um novo formato.

Como que se dá a escolha das poesias?

Há vários critérios. Coloco poemas de autores estrangeiros (traduzidos) e brasileiros, tendo sempre uma cota de autores alagoanos, e aí, faço um balanço entre esses três grupos. Os poemas têm que ser curtos o suficiente para caber em uma folha de papel ofício. A qualidade do texto também é fundamental, mas incluo desde clássicos a poemas contemporâneos de autores desconhecidos. O bom é que o público é muito eclético, e é muito interessante ver a mistura de tribos, de acadêmicos a ripongas, participando do mesmo espaço e do mesmo palco. Já levei o projeto até para as crianças, o que foi outra bela surpresa. Vou repetir.

Os varais com poesias lembram a literatura de cordel, desenvolvida, principalmente, em estados do nordeste. Você acredita que este tipo de intervenção daria certo em grandes centros urbanos?

Acredito. Embora haja esta semelhança com o cordel, o Papel no Varal tem uma tônica universal, tanto na seleção dos poemas quanto na forma como o show acontece.

Então, em meio ao caos, ainda há tempo para a sensibilidade?

A poesia consegue emergir do caos, conviver com caos, bem como com o cartesiano. Porém, para o nosso show, o formato tem que ser dinâmico. Não dá para pensar em saraus do século dezenove.

Você é autor de dois livros de poesias. Qual a sensação de ter esses versos que foram feitos de uma forma tão intimista, declamados para um público tão grande? É a sensação de ter seus sentimentos compartilhados?

É prazerosa em vários sentidos. Desde o orgulho saudável de ver uma ideia dar certo, ao prazer da rebatida: emoção arremessada, emoção que retorna, quase sempre multiplicada. Por outro lado, sou radical defensor do compartilhar a criação. Hoje temos muitas ferramentas que facilitam a disseminação rápida e barata de obras literárias.

E é assim que a poesia se espalha pela cidade.

Sim. Quando comemoramos um ano de projeto, em abril, fizemos uma grande intervenção urbana em Maceió. Foram milhares de pequenos varais com dez poemas pendurados nos quatro cantos da cidade, nas árvores, nos viadutos, em locais de estudo, trabalho, bares, restaurantes.  Normalmente, colocamos apenas o varal com cem poemas no ambiente do sarau, geralmente em bares.

O que te inspira a desenvolver o projeto?

Tem um quê de idealismo e outro de egoísmo. Pensei em um evento que levasse a boa poesia para um público amplo. Na hora de definir o formato, fiz algo que satisfizesse meus desejos, tirando tudo que eu achava desagradável em eventos semelhantes. Após alguns ajustes chegamos ao formato que tem funcionado até agora.

Tenho muito orgulho deste projeto, é como um sonho realizado. Às vezes me pegava sorrindo sozinho, nos dias que se seguiram a noites de sucesso. Jamais imaginei que seria possível levar 500 pessoas para um show de poesia e isto ocorreu em fevereiro deste ano.

O Papel no Varal, em uma intervenção pela cidade, espalhou poesias por toda a cidade, prendendo os versos em postes, paredes, muros. Veja abaixo o vídeo.

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