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02 de Junho de 2009

 

Comportamento de consumo consciente aplicado na universidade

Debora NunesAo longo da história, os seres humanos desenvolveram relações de consumo de serviços e bens, mas foi a partir da Revolução Industrial que este comportamento ganhou maiores proporções. Ao permitir o barateamento do custo dos objetos e o assalariamento de um grande número de pessoas, a industrialização aumentou a oferta e a acessibilidade destes objetos a um número cada vez maior de famílias e indivíduos. Neste mesmo período observou-se também o início do crescimento explosivo da população mundial – antes praticamente estável – devido à melhoria das condições sanitárias. Assim, com a produção e consumo de massas, começou o conflito da produção com o meio ambiente: a capacidade de regeneração dos ecossistemas face à ação humana começa a diminuir.

A pesquisadora baiana Débora Nunes acompanha a relação entre a forma com que consumimos e os efeitos das mudanças climáticas e acredita ser fundamental uma profunda mudança de comportamento da nossa sociedade. “As mudanças comportamentais serão necessárias para fazer face aos desafios atuais da humanidade. A história ensina que geralmente as transformações nos modos de vida começam com mudanças de comportamento surgidas entre os formadores de opinião, como o são as pessoas que circulam por Instituições de Ensino Superior”, explicou Nunes em seu artigo “Crise Climática Global e Mudança de Comportamento de Consumo nas IES Brasileiras: testando novas tecnologias”.

Consumo, Consciência e Aquecimento Global

A pesquisadora alerta que na “sociedade de consumo”, na qual vivemos hoje, o que antes era uma atividade principalmente vinculada à necessidade, passou a ter cada vez mais uma conotação simbólica, sendo o simbolismo maior que a função utilitária dos objetos. Por isso somos estimulados a comprar e oferecer bens, sem nem mesmo precisarmos.

Foto: Breno Peck
As sociedades precisam fazer mudanças profundas na forma de consumir/Foto: Breno Peck 

No artigo, Nunes reforça a existência do conceito “obsolescência programada”, citado no documentário Historia das Coisas, de Anne Leonard. Esse conceito está associado ao modo de produção dominante da época atual que consiste em fazer com que um produto tenha uma durabilidade reduzida para implicar na sua substituição programada para um curto espaço de tempo. “Do mesmo modo foi criada a ‘obsolescência simbólica’ em que um produto em bom estado deixa de ser utilizado por ser visto como ultrapassado – como pode ser visto no exemplo da moda”, conclui.

Diante da percepção de que as sociedades precisam rever o modelo de consumo em que estão inseridas, surge então o consumo consciente. “Consumir conscientemente significa, portanto, atentar para os efeitos que este ato acarreta ao meio ambiente e a toda a humanidade e entender o desperdício como uma espécie de ‘delito ambiental’. Buscando contribuir para a melhoria das condições ambientais e sociais do planeta, o consumidor consciente identifica o consumo mínimo que lhe é suficiente e escolhe produtos ambientalmente e socialmente responsáveis, priorizando a reciclagem, a reutilização e o compartilhamento de bens”, esclarece Nunes.

Para a pesquisadora, dificilmente alguém, ou uma instituição, que passa por uma mudança de consciência relativa à sua pegada ecológica, volta a praticar os mesmos atos de consumo inconscientes do passado. Isso faz com que estas ações sejam duradouras. Porém elas precisam ser acompanhadas de políticas públicas eficazes. “Para transformar uma opção de existência individual em um movimento coletivo, o entorno precisa mudar para não penalizar demasiadamente aqueles que estão optando por fazer sua parte”, conta.

Aplicação nas instituições de ensino

Visando mobilizar o público de estudantes, professores e funcionários, o Fórum de Extensão das Instituições de Ensino Superior Particulares (FOREXP), elegeu como prioridade de ação nos próximos anos uma ampla campanha nacional para evitar desperdícios no dia a dia acadêmico. Esta campanha visa estimular a reflexão e práticas conscientes de consumo no interior das faculdades e universidades, entendendo que este público, conscientizado, tem um poder multiplicador de mudanças de comportamento de consumo na sociedade.

Este programa foi aplicado na Universidade Salvador (Unifacs) em 2006 e agora está sendo discutido em reuniões com instituições de norte a sul do Brasil. O que se pretende é estimular uma mobilização nacional, buscando cumprir a responsabilidade social e ambiental do ensino superior e ser exemplo para a sociedade brasileira. Os efeitos do programa ultrapassam a diminuição de consumo de matéria-prima e energia, consequentemente, diminuiu a pegada ecológica da atividade acadêmica.

Foto: Unifacs
Alunos da Unifacs plantam mudas de árvores nos campi da universidade durante a Semana do Meio Ambiente 

“O FOREXP entendeu que se instalou aí um círculo virtuoso ao se conseguir concatenar ações conjuntas benéficas a todos os envolvidos. Ganham as instituições, a comunidade acadêmica, a sociedade e o planeta.”, contou Débora Nunes.

A pesquisadora detalha as ações aplicadas na Universidade Salvador em seu artigo e garante que essa metodologia continua sendo afinada para refletir com mais precisão as mudanças em andamento nos diferentes públicos. O modelo também já está sendo implantado, em projeto piloto, em escolas públicas baianas, e já está sendo aperfeiçoado por várias IES.

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