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"Créditos de carbono são como as indulgências da Idade Média", compara Sachs

 

Segundo o livro Lutero e Libertação, de autoria de Walter Altmann, a venda de indulgências foi uma prática da Igreja Católica comum ao final da Idade Média, pela qual os fiéis podiam comprar, de um representante do clero, parte da absolvição de seus pecados. Passados mais de 500 anos, um dos pensadores mais respeitados do desenvolvimento sustentável, Ignacy Sachs, relembrou o antigo costume instituído, ao compará-lo com os créditos de carbono.

“Créditos de carbono são como indulgências que os papas vendiam na Idade Média, em que se podia assassinar um parente se tivesse o necessário para pagar uma indulgência. O Brasil não pode deixar de entrar nesse jogo, mas as soluções também têm que ser buscadas fora do mercado de carbono”, comparou Sachs, ao também elogiar o Fundo Amazônia, baseado na ideia de contribuições voluntárias para financiar a redução do desmatamento.

Ao comentar o mercado de carbono, defendido como uma das soluções para financiamento do mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (Redd), Sachs recomendou cautela na venda de créditos gerados a partir da floresta para que eles não se tornem uma licença para que os compradores continuem a emitir gases de efeito estufa.

Ele participou na quarta-feira, 28 de outubro, de reunião do Fórum Amazônia Sustentável, que reúne especialistas da área de sustentabilidade em Belém do Pará. Em entrevista à repórter Luana Lourenço, da Agência Brasil, Sachs defendeu que a Amazônia pode ser o laboratório de um novo modelo de desenvolvimento. Atualmente, Sachs é diretor do Centro de Estudos sobre o Brasil Contemporâneo da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris.

Importância

“É preciso colocar a Amazônia na rota do desenvolvimento ambientalmente sustentável e socialmente includente. [...] A Amazônia não é nem um museu, nem um terreno a ser destruído sem critérios”, acrescentou Ignacy Sachs. Ele também defendeu mais investimentos em pesquisa sobre a biodiversidade, a necessidade de implementação efetiva do Zoneamento Econômico Ecológico e a exigência de certificação para os produtos florestais.

Na concepção do pensador, encontrar formas de desenvolvimento sustentável na região é fundamental não só para o Brasil, mas para o planeta, que depende do futuro da floresta para manutenção de condições de sobrevivência, principalmente diante das ameaças das mudanças climáticas. “Nesse sentido somos todos amazônidas, já que o futuro da espécie vai depender em boa medida do futuro que se dará à Amazônia”, observou Sachs.

Ele acredita que os caminhos para aplicar o modelo de “biocivilização moderna” à Amazônia dependem de medidas que passam pela regularização fundiária e até por ideias pouco usuais, como o uso de dirigíveis como opção à construção de estradas na região, vetores históricos do desmatamento.

O bioma amazônico conta com 25 milhões de habitantes e com a maior biodiversidade do planeta.


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