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Desmatamento das florestas responde por 20% das emissões globais anuais de gases de efeito estufa/Foto: leoffreitas
Em tempos de mudanças climáticas e aquecimento global, o mundo discute alternativas que incentivem a preservação do meio ambiente. Uma das opções mais debatidas sugere o pagamento por parte dos países industrializados e empresas às nações em desenvolvimento, como forma de compensação ao desflorestamento.
Estamos falando do mecanismo conhecido como Reducing Emissions from Deforestation and Forest Degradation in Developing Countries, que traduzido para o português significa Redução das Emissões geradas pelo Desmatamento e Degradação (Redd).
O que é o Redd?
O Redd é tido como um meio importante para a redução das emissões dos gases de efeito estufa lançadas na atmosfera global por meio do desmatamento. Trata-se de um mecanismo de compensação financeira voltado para a preservação das florestas dos países em desenvolvimento.
Ultimamente, o Redd tem sido um dos principais assuntos nas negociações acerca de um possível acordo sobre o clima mundial, como temos visto nas conferências anuais promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), as chamadas COPs.
Funcionamento
Propostas sobre como o mecanismo de Redd deve funcionar e ser financiado não faltam. Três das principais delas são:
Importância
De acordo com os cientistas do clima, o desmatamento responde por cerca de 20% das emissões anuais globais dos gases de efeito estufa. Um dos mais conceituados defensores do Redd é o economista britânico Nicholas Stern. Segundo ele, este mecanismo é a maior oportunidade isolada de redução imediata, e de maior custo efetivo, das emissões de poluentes.
Os adeptos da ideia de implantaçção do Redd, como Stern, argumentam que as demais alternativas já apresentadas, a exemplo da captura e armazenamento de carbono, possuem preço muito elevado, o que poderiam levar muito tempo para a implantação em larga escala.
Vantagens
Além das já mencionadas por Nicholas Stern, pode-se garantir que os diversos mecanismos a serem implementados poderão levantar até US$ 30 bilhões por ano para os projetos em países em desenvolvimento. A atual proposta para estabelecimento do mercado de carbono inclui a possibilidade de empresas e outras entidades de deduzir uma porcentagem da redução de emissões de carbono por meio dos mecanismos de Redd.
Em todo o mundo, existem diversos mercados de carbono em operação, sendo o da União Europeia um dos mais conhecidos. A criação de outros em países como os Estados Unidos, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Austrália e Japão parece próxima, mas as propostas ainda estão em debate. Depois de instituídos, o "x" da questão será estabelecer o funcionamento harmonioso entre eles.
Desvantagens
Os principais críticos do Redd defendem que o mecanismo dará aos governos de países industrializados e empresas a chance de cumprir as metas internacionais sem que tenham, necessariamente, que cortar as próprias emissões de gases de efeito estufa.
Organizações ambientalistas temem que a adoção de um mecanismo de créditos florestais possa carregar o mercado de deduções baratas, fator capaz de reduzir o preço do carbono e tirar o estímulo de cortes das emissões dos maiores poluidores.
Outros pontos alimentam a polêmica: a queda do desmatamento em uma determinada área pode fazer com que os madeireiros migrem para outra, ou seja, como medir o nível de desmate para saber, de fato, se houve alguma redução? Ainda em relação a medições: como contabilizar o carbono armazenado em uma floresta, e quanto em número de emissão se evita com a preservação de determinada floresta?
Também falta a garantia de que o dinheiro do Redd será mesmo aplicado, por exemplo, para as comunidades que vivem nas florestas, uma vez que a corrupção de governos e empresas é um mal comum em boa parte do mundo.
Para botar mais pimenta nessa panela, há de se considerar que a definição de propriedade rural é vaga e questionável em vários países. Dessa forma, atribuir valores às florestas pode acabar incentivando invasões e grilagens.
Maiores emissores por desmatamento
Atualmente, o ranking global de emissões do World Resources Institute (WRI) coloca China, Estados Unidos, Indonésia, Brasil e a República Democrática do Congo como os cinco maiores emissores de gases de efeito estufa por meio de desmatamento. Logo, tais países são considerados fundamentais nas negociações referentes ao Redd.
Desmatamento = dióxido de carbono (CO2)
De que forma o desmatamento causa as emissões de CO2? Quando as árvores são queimadas, uma grande quantidade de carbono armazenada nelas é liberada na atmosfera, em forma de dióxido de carbono - um dos principais gases de efeito estufa, capaz de acelerar as mudanças climáticas. A criação de áreas de pastagem e demais espaços para a agricultura comercial são os principais motivos para a prática de desmate.
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