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Consumo Consciente

15 de Dezembro de 2010

 

Pesquisa revela que Brasil tem 5% de consumidores conscientes

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Segundo o Akatu, o índice de 5% representa um aumento de 500 mil novos consumidores consciente / Foto: Sxc

De acordo com uma pesquisa divulgada esta semana pelo Instituto Akatu, o percentual de consumidores brasileiros classificados como “Conscientes” é de 5% - índice igual ao de 2006, ano do último levantamento. Para o instituto, o resultado é positivo considerando-se o aumento populacional nesse período, que leva a um crescimento de cerca de 500 mil consumidores conscientes.

“A manutenção significativa dos níveis mais altos do consumo consciente é um dado bastante positivo, principalmente porque parte das informações foi coletada durante o terceiro trimestre de 2010, quando se registrou o maior crescimento econômico dos últimos anos no país”, considerou Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu. “O mais importante é que as práticas sustentáveis não foram abandonadas devido ao aumento dos benefícios financeiros”, completou.

Esses mesmos benefícios, porém, foram os responsáveis pelo aumento de 12% dos consumidores classificados como “Indiferentes”. A pesquisa apontou que esse grupo passou de 25% para 37% do total de entrevistados.

Para o consultor do Instituto Akatu, Aron Belinky, fatores como o crescimento da classe C, o aumento de renda da população e a democratização do acesso ao crédito nos últimos anos interferiu diretamente na avaliação dos comportamentos de consumo.

De acordo com o relatório, estes movimentos criam um contexto social e econômico de acesso ao consumo para grandes contingentes da população no qual é mais difícil, no primeiro momento, a incorporação de comportamentos ligados a um consumo mais consciente e sustentável.

Estes fatos apresentam dois desafios: por um lado, não há ninguém que deseje que este movimento de redução da pobreza, distribuição de renda, acesso ao consumo seja interrompido. Ao contrário, que continue, amplie e carregue para a nova “classe média” os milhões de brasileiros que ainda estão abaixo da linha acesso aos bens materiais mínimos que proporcione uma vida com dignidade e o sonho de novas conquistas. Assim, mantido este cenário positivo, o desenvolvimento de ações de estímulo a uma sociedade sustentável deverá ser feitos dentro deste contexto “desfavorável” à adoção de práticas conscientes de consumo. – Relatório “O Consumidor Brasileiro e a Sustentabilidade: Atitudes e Comportamentos frente o Consumo Consciente, Percepções e Expectativas sobre a Responsabilidade Social Empresarial. Pesquisa 2010”.

Nos outros dois grupos seguintes, “Iniciantes” e “Engajados”, verificou-se uma queda durante o período dos dois estudos de respectivamente sete e cinco pontos percentuais, correspondendo assim aos mesmos 12% de crescimentos dos “Indiferentes”.

Para chegar às conclusões os pesquisadores avaliaram 13 comportamentos dispostos em quatro grupos: economia, planejamento, compras sustentáveis e reciclagem. Esses indicadores permitiram classificar os consumidores em grupos indicativos de maior ou menor grau de consumo consciente:

• Indiferentes – consumidores que adotam até quatro comportamentos;
• Iniciantes – consumidores que adotam entre cinco e sete comportamentos;
• Engajados – consumidores que adotam entre oito e 10 comportamentos;
• Conscientes – consumidores que adotam entre 11 e 13 comportamentos.

A pesquisa ouviu 800 mulheres e homens, com idade igual ou superior a 16 anos, de todas as classes sociais e regiões geográficas do país.

Maioria ainda não se interessa pelo tema

A pesquisa ainda avaliou o nível de interesse da população sobre o tema e o grau de informação sobre esse assunto. O resultado apontou 49% dos consumidores como “Desconectados”, ou seja, aquele grupo de pessoas que não aponta interesse na questão em avaliação. Para este grupo trata-se de um assunto desvinculado de sua experiência diária e que não desperta nenhum tipo de ação.

Os consumidores “Interessados” no assunto representam 11%, enquanto os “Informados” são 33%, e os “Influenciadores” correspondem a 7% dos brasileiros. Segundo o documento, há uma maior parcela de pessoas com nível superior de instrução e de classes A e B entre o grupo de Influenciadores e Informados. Já os grupos de Desconectados e Interessados teve maior destaque entre as pessoas com menos instrução (fundamental e médio) e das classes C e D.

Entre os consumidores, 56% nunca ouviram falar em “sustentabilidade” e apenas 16% entendem o sentido correto da palavra. Mesmo no grupo que afirma conhecer o termo há problemas com sua definição; 21% dos que conhecem, ou 9% do total, não conseguem dar nenhuma definição para ele.

Outra parcela (19% do total) apresenta uma compreensão incorreta de sustentabilidade, ligada principalmente a auto-sustento, “ter renda para sustentar a família”, “sustentar a família”, “se sustentar sozinho”. Nos consumidores “mais conscientes”, 23% do total souberam dar alguma definição correta para o termo, contra 15% no grupo de consumidores “menos conscientes”.

A pesquisa também revelou que os consumidores premiam empresas mais responsáveis e punem as menos responsáveis. Eles repudiam a propaganda enganosa e o tema que mais conta pontos positivos são as relações de trabalho: 80% dos consumidores apontam o desenvolvimento de alguma ação ligada à dimensão “Direito das Relações de Trabalho” como importante para que uma empresa seja considerada socialmente responsável.

Nove em cada dez consumidores acreditam que as empresas devem desenvolver ações além dos que está estabelecido na legislação e a maior parte (59% do total) tem alta expectativa com o papel a ser desenvolvido pelas empresas. Somente 2% deles aceitam a liberdade das empresas não cumprirem totalmente a legislação. Quase metade (44%) não acredita no que é divulgado pelas empresas.

Os brasileiros também colocam os consumidores na penúltima posição de responsabilidade pelas questões ambientais e sociais. Apenas um em cada três brasileiros afirma que os consumidores tem muita responsabilidade pelos cuidados com o meio ambiente e questões sociais e 9% afirmam que os consumidores não têm responsabilidade alguma sobre isso.

Nesta relação aparecem, em primeiro lugar, os países ricos, seguidos por organizações internacionais, governo brasileiro, empresas multinacionais, ONGs e empresas brasileiras.

- Leia o documento na íntegra -

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