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Voluntariado

08 de Setembro de 2010

 

TED Clay Shirky: Como o superávit cognitivo mudará o mundo

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"As restrições sociais criaram uma cultura mais generosa que aquela criada por restrições contratuais"

Quando a advogada Ory Okolloh, de Nairobi, no Quênia, decidiu criar um blog para divulgar informações sobre um surto de violência que ocorreu em seu país logo após as eleições presidenciais, ela nem imaginava que aquilo se transformaria em um modelo de democracia e engajamento social.

Ao perceber que o trabalho estava ganhando proporções insustentáveis para uma só pessoal, ela pediu ajuda aos seus leitores e foi respondida por dois programadores que se comprometeram a criar uma ferramenta capaz de recolher informações dos usuários via internet, celulares e SMS e colocá-las em um mapa.

Assim surgiu o Ushahidi – que quer dizer "testemunha" em swahili. Disponibilizado livremente pelos seus criadores, que a tornaram software livre, transformando-o em uma plataforma, o programa já foi usado no México, para monitorar fraude eleitoral, em Washington D.C. para fiscalizar a limpeza da neve nas ruas, e no Haiti logo após o terremoto.

Para o jornalista e especialista em novas mídias, Clay Shirky, esse fenômeno só foi possível graças a tecnologia digital e generosidade humana. A união sincera desses dois elementos é o que ele chama de superávit cognitivo. Segundo Shirky, isso “representa a habilidade da população mundial de voluntariar-se, contribuir e colaborar, em projetos de larga escala, muitas vezes mundial”.

Baseado na disponibilidade de tempo e talento em todo o mundo, na essência humana que leva as pessoas a criarem e compartilharem e nos novos recursos de criação, o superávit cognitivo está levando a experimentos em todas as esferas da sociedade, como na ciência, literatura, arte e esforço político. “Claro, também estamos vendo muitos gatinhos engraçados, ou LOLcats”, diz o palestrante.

Apesar de parecerem sem importância, as fotos bonitinhas e divertidas de gatos também são consideradas como parte do modelo participativo, segundo o jornalista. “Alguém que tenha feito isso, não importa quão medíocre ou descartável, tentou fazer algo e conseguiu divulgar algo. Tendo feito uma vez, podem fazê-lo novamente. E podem esforçar-se para fazê-lo melhor”, defende.

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"Podemos também celebrar e apoiar e recompensar as pessoas tentando usar o superávit cognitivo para criar valor cívico. E, na medida em que fizermos isso, na medida em que conseguirmos fazer isso, conseguiremos mudar a sociedade"

Independente do resultado final, todas essas criações tem uma base em comum: a generosidade humana.

“Uma das curiosidades de nossa era histórica é que, ao mesmo tempo em que o superávit cognitivo está se tornando um recurso de criação, as ciências humanas também estão passando a explicar a importância que damos à nossas motivações intrínsecas, de como fazemos as coisas porque gostamos de fazê-lo, em vez de fazê-lo porque nosso chefe mandou, ou porque estamos sendo pagos para fazê-lo”, ressalta.

Shirky apresenta então um gráfico que reproduz um experimento feito em creches em Haifa, Israel, e que testa a "teoria da detenção”. Segundo ele, se quisermos que alguém faça menos de alguma coisa, acrescente uma punição e essa pessoa fará tal coisa menos.

O resultado mostrou que quando recebiam punições financeiras por pegarem seus filhos atrasados na escola (no caso, o teste aplicou multas aos pais que chegavam depois do horário estipulado pelos professores), em vez de penalizações sociais ou sentimento de culpa, o número de atrasos foi duas vezes maior.

“A explicação do comportamento humano que herdamos no século 20 foi que somos todos atores racionais e auto-maximizadores. Nessa explicação a creche não tinha contrato, funcionaria sem restrições. Mas isso não é verdade. Elas funcionavam com restrições sociais, invés de restrições contratuais. E, o mais importante, as restrições sociais criaram uma cultura mais generosa que aquela criada por restrições contratuais”, diz.

Segundo Shirky, a ligação entre o caso das creches e do Ushahidi é que ambos dependem do superávit cognitivo. “Ambos criam com base na premissa que as pessoas gostam de criar e querem compartilhar.”
Seja um valor comunal, como no caso dos LOLcats, ou cívico, como do Ushahidi, ambos demonstram a força da participação social e da cultura da generosidade na criação de novos conteúdos que terão um efeito colateral em todo o mundo.

“O que fará a diferença neste caso é aquilo dito por Dean Kamen, inventor e empreendedor. Kamen disse: ‘As culturas livres conseguem aquilo que celebram’. Temos uma escolha à nossa frente. Temos esse trilhão de horas anuais. Podemos usar essas horas para nossa diversão, e faremos isso. Isso sem pagar nada. Mas podemos também celebrar e apoiar e recompensar as pessoas tentando usar o superávit cognitivo para criar valor cívico. E, na medida em que fizermos isso, na medida em que conseguirmos fazer isso, conseguiremos mudar a sociedade.”

Assista à palestra na íntegra (para ver com legenda em português, selecione a opção ao lado do play):

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