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Biodiversidade

16 de Fevereiro de 2009

 

WWF defende que o consumidor europeu deve pagar pelos serviços da Amazônia

 Amazônia fornece recursos naturais para países de todo o mundo
A floresta Amazônica fornece recursos naturais para todo o mundo/Foto: Lu Monte

Estimular a utilização consciente dos consumidores europeus em relação aos serviços prestados pela Amazônia. Mas, de que forma? Bem, a proposta da ONG WWF-Holanda propõe que um estímulo financeiro deve ser dado pelo consumidor europeu em vista dos benefícios ecológicos concedidos pela floresta. A idéia promete causar estranheza e muita polêmica, mas em sua finalidade está a preservação da área de maior biodiversidade em todo o mundo.

O estudo, intitulado "Mantendo a Floresta Amazônica em Pé: Uma Questão de Valores", foi encomendado pela entidade civil ao Instituto Copérnico da Universidade de Utrecht e pretende conscientizar as formas de consumo da população do Velho Continente. A principal meta do relatório é quantificar o valor econômico dos serviços oferecidos pelo meio ambiente natural da região Amazônica. A prevenção da erosão, por exemplo, valeria aproximadamente R$ 537 por hectare, ao ano.

Diariamente, a Amazônia disponibiliza grandes quantidades de água (depósito de carbono), que, ao serem liberadas são convertidas em dióxido de carbono (CO2) – um dos causadores dos gases de efeito estufa. Só para ter idéia, o Brasil precisa utilizar 25,3 milhões de hectares para exportar sua soja para a Holanda, maior importadora deste produto brasileiro. Esta área é superior a metade de todo o território holandês. Detalhe: o destino desta soja é a alimentação dos bois holandeses.

“Nós queremos mudar o paradigma de que quem desmatou a Amazônia foram apenas os brasileiros. Diversos outros países também deram sua contribuição para o desmatamento chegar ao ponto em que se encontra. O intuito desse estudo em especial é estimular o holandês a um consumo mais responsável, e mostrar que ele também tem uma parcela de culpa no processo de devastação da Amazônia”, explicou Mauro Armelin, coordenador do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável da WWF Brasil.

 Soja oriunda da Amazônia alimenta o gado holandês
A soja extraída da Amazônia alimenta o gado holandês/Foto: MarcosHB

Segundo o relatório, somente a retenção de gás carbônico feita pelas árvores pode render, anualmente, entre Us$ 70 e Us$ 100 por hectare. Já os hectares podem render entre Us$ 50 e Us$ 100 ao ano. A prevenção das erosões poderia gerar uma renda anual de Us$ 238 por hectare, enquanto a prevenção de incêndios, Us$ 6 por hectare/ano. A WWF também defende a criação de uma certificação para os produtos derivados da agricultura e pecuária, a exemplo da que já existe com a madeira brasileira.

Floresta cifrada

O estudo encomendado pela WWF não se limita a defesa da cobrança aos consumidores europeus pelos serviços prestados pela Amazônia. Despertar a consciência das comunidades que vivem no entorno da floresta também é um dos objetivos do relatório. “A população não vê cifrão na floresta. Vê no gado, nas madeiras e na agricultura. Ao tentarmos quantificar produtos não palpáveis da região, como carbono, água, chuva e a erosão evitada, mostramos que a floresta tem um valor maior do que esses três elementos”, destacou Armelin.

Na concepção do coordenador do WWF-Brasil, o consumidor europeu precisa se informar melhor sobre o produto que consome ao obedecer a lei trabalhista brasileira e as legislações ambientais. “É uma oportunidade para que aqueles que fazem parte do problema também façam parte da solução”, completou Armelin. O estudo também apontou outros valores aproximados para a compensação econômica dos bens oferecidos pela Amazônia:

• Dispersão do pólen nas plantações de café do Equador: Us$ 49 por hectare/ano;
• Produtos como cogumelos, frutos e mel: Us$ 50 a RS 100 por hectare/ano;
• Ecoturismo e atividades recreativas: Us$ 3 a Us$ 7 por hectare/ano.

Responsabilidade

De acordo com o estudo, a retenção de dióxido de carbono tem valor estimado entre R$ 113 e R$ 226 por hectare/ano, mas é apenas um dos diversos serviços ecológicos prestados pela Amazônia. O relatório da ONG também busca dar apoio ao mecanismo chamado de Redução das Emissões oriundas do Desmatamento e da Degradação Florestal (REDD), que declarou que os países tropicais em desenvolvimento, como o Brasil, deveriam receber das nações industrializadas pela conservação da floresta e o combate às emissões de CO2.

Vale destacar que parte do desmatamento da Amazônia é uma realidade por conta da extração ilegal de madeira, além da existência de propriedades rurais localizadas nas áreas de preservação.

"As empresas, nacionais e estrangeiras, também devem desempenhar um papel de liderança, selecionando seus fornecedores, limpando e descarbonizando suas cadeias produtivas e, assim, participando ativamente do desenvolvimento sustentável da Amazônia e do país", ressaltou Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.

*Com informações da Agência Brasil e da WWF-Brasil.

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