
A floresta Amazônica fornece recursos naturais para todo o mundo/Foto: Lu Monte
Estimular a utilização consciente dos consumidores europeus em relação aos serviços prestados pela Amazônia. Mas, de que forma? Bem, a proposta da ONG WWF-Holanda propõe que um estímulo financeiro deve ser dado pelo consumidor europeu em vista dos benefícios ecológicos concedidos pela floresta. A idéia promete causar estranheza e muita polêmica, mas em sua finalidade está a preservação da área de maior biodiversidade em todo o mundo.
O estudo, intitulado "Mantendo a Floresta Amazônica em Pé: Uma Questão de Valores", foi encomendado pela entidade civil ao Instituto Copérnico da Universidade de Utrecht e pretende conscientizar as formas de consumo da população do Velho Continente. A principal meta do relatório é quantificar o valor econômico dos serviços oferecidos pelo meio ambiente natural da região Amazônica. A prevenção da erosão, por exemplo, valeria aproximadamente R$ 537 por hectare, ao ano.
Diariamente, a Amazônia disponibiliza grandes quantidades de água (depósito de carbono), que, ao serem liberadas são convertidas em dióxido de carbono (CO2) – um dos causadores dos gases de efeito estufa. Só para ter idéia, o Brasil precisa utilizar 25,3 milhões de hectares para exportar sua soja para a Holanda, maior importadora deste produto brasileiro. Esta área é superior a metade de todo o território holandês. Detalhe: o destino desta soja é a alimentação dos bois holandeses.
“Nós queremos mudar o paradigma de que quem desmatou a Amazônia foram apenas os brasileiros. Diversos outros países também deram sua contribuição para o desmatamento chegar ao ponto em que se encontra. O intuito desse estudo em especial é estimular o holandês a um consumo mais responsável, e mostrar que ele também tem uma parcela de culpa no processo de devastação da Amazônia”, explicou Mauro Armelin, coordenador do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável da WWF Brasil.

A soja extraída da Amazônia alimenta o gado holandês/Foto: MarcosHB
Segundo o relatório, somente a retenção de gás carbônico feita pelas árvores pode render, anualmente, entre Us$ 70 e Us$ 100 por hectare. Já os hectares podem render entre Us$ 50 e Us$ 100 ao ano. A prevenção das erosões poderia gerar uma renda anual de Us$ 238 por hectare, enquanto a prevenção de incêndios, Us$ 6 por hectare/ano. A WWF também defende a criação de uma certificação para os produtos derivados da agricultura e pecuária, a exemplo da que já existe com a madeira brasileira.
Floresta cifrada
O estudo encomendado pela WWF não se limita a defesa da cobrança aos consumidores europeus pelos serviços prestados pela Amazônia. Despertar a consciência das comunidades que vivem no entorno da floresta também é um dos objetivos do relatório. “A população não vê cifrão na floresta. Vê no gado, nas madeiras e na agricultura. Ao tentarmos quantificar produtos não palpáveis da região, como carbono, água, chuva e a erosão evitada, mostramos que a floresta tem um valor maior do que esses três elementos”, destacou Armelin.
Na concepção do coordenador do WWF-Brasil, o consumidor europeu precisa se informar melhor sobre o produto que consome ao obedecer a lei trabalhista brasileira e as legislações ambientais. “É uma oportunidade para que aqueles que fazem parte do problema também façam parte da solução”, completou Armelin. O estudo também apontou outros valores aproximados para a compensação econômica dos bens oferecidos pela Amazônia:
• Dispersão do pólen nas plantações de café do Equador: Us$ 49 por hectare/ano;
• Produtos como cogumelos, frutos e mel: Us$ 50 a RS 100 por hectare/ano;
• Ecoturismo e atividades recreativas: Us$ 3 a Us$ 7 por hectare/ano.
Responsabilidade
De acordo com o estudo, a retenção de dióxido de carbono tem valor estimado entre R$ 113 e R$ 226 por hectare/ano, mas é apenas um dos diversos serviços ecológicos prestados pela Amazônia. O relatório da ONG também busca dar apoio ao mecanismo chamado de Redução das Emissões oriundas do Desmatamento e da Degradação Florestal (REDD), que declarou que os países tropicais em desenvolvimento, como o Brasil, deveriam receber das nações industrializadas pela conservação da floresta e o combate às emissões de CO2.
Vale destacar que parte do desmatamento da Amazônia é uma realidade por conta da extração ilegal de madeira, além da existência de propriedades rurais localizadas nas áreas de preservação.
"As empresas, nacionais e estrangeiras, também devem desempenhar um papel de liderança, selecionando seus fornecedores, limpando e descarbonizando suas cadeias produtivas e, assim, participando ativamente do desenvolvimento sustentável da Amazônia e do país", ressaltou Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.
*Com informações da Agência Brasil e da WWF-Brasil.
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