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Consumo Consciente

28 de Abril de 2011

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Consumo colaborativo ganha espaço nos mercados e mostra que veio para ficar

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Alugar, emprestar, usar somente quando for preciso e depois compartilhar com outra pessoa. Esse é o princípio básico de um modelo que une consumidores de forma colaborativa e mostra que dividir é uma opção vantajosa para todos – inclusive o planeta.

Em um mundo cada vez mais superlotado de pessoas e carente de recursos, o compartilhamento está se tornando palavra de ordem. Muita gente já defende a opção como alternativa mais eficiente para permitir que todos possam continuar desfrutando dos prazeres da vida moderna sem destruir o planeta.

De acordo com a co-autora do livro What’s Mine is Yours: The Rise of Collaborative Consumption, Rachel Botsman, essa transformação está acontecendo por conta de quatro fatores:

• Uma crença renovada na importância da comunidade, a uma redefinição do que amigo e vizinho realmente significam;
• Uma torrente de redes sociais e tecnologias em tempo real, mudando fundamentalmente a maneira que nos comportamos;
• Preocupações ambientais não resolvidas;
• Uma recessão global que chocou radicalmente comportamentos de consumo.

Com isso, esse tipo de consumo transformou-se em uma força cultural e econômica poderosa, que está reinventando não apenas o que consumimos, mas a forma como consumimos.

“Estamos permutando, trocando, barganhando, compartilhando, mas eles estão sendo reinventados em formas dinâmicas e atraentes. O que acho fascinante é que nós conectamos nosso mundo para compartilhar, seja em nossa vizinhança, em nossa escola, em nosso escritório, ou em nossa rede no Facebook. E isso é criar uma economia em que o que é meu é seu”, disse Rachel durante palestra no TED.

Segundo Kerry Given, consultor de mercado e escritor do livro No-Hype options trading, esse modelo de consumo é uma tendência para um futuro próximo e pode oferece diversas oportunidades para empreendedores que estiverem atentos.

Quem também defende essa ideia é Jill Fehrenbacher, a fundadora e CEO do site Inhabitat. Em um artigo publicado no Open Fórum em 2010 ela listou cinco tendências de mercado e incluiu áreas como compartilhamento de carros, brechós, e serviços de alfaiates e sapateiros.

Em comum, todos os serviços apontam para um mercado que aproveita ao máximo os recursos disponíveis e prolonga a vida útil dos produtos, reduzindo assim seus impactos no planeta. “A gente está na fronteira de uma mudança de paradigma radical onde nosso modo de vida, nossa forma de produção e os conceitos de hiperconsumo que a gente acabou adotando como base para o princípio de desenvolvimento da sociedade estão absolutamente em cheque”, opinou o designer brasileiro Fred Gelli.

Rodas quando você precisa delas

Com a evolução desse movimento, cresceu o mercado serviços para facilitar o aluguel e troca de objetos. Alguns setores, como o de transportes e automóveis, saíram na frente. É o exemplo da ZipCar e da locadora Hertz, que já trabalham com serviços de caronas ou car sharing, em que vários usuários dividem o mesmo automóvel.

Detentora de quase metade do mercado mundial, a ZipCar traz o lema “rodas quando você precisa delas” para reforçar o objetivo da empresa. Assim, o consumidor reserva o automóvel de sua preferência sempre que precisar, o retira no local combinado e devolve à empresa quando terminar de usar. Por isso ele paga cerca de US$ 8,00 por hora e esquece outras preocupações como impostos, manutenção, seguro e estacionamento.

Segundo o CEO da ZipCar, Scott Griffith, “o compartilhamento de carro é um negócio de sucesso em grandes proporções porque apresenta uma solução de custo eficaz para habitantes urbanos que não querem ter a trabalheira, despesa ou a consciência pesada por possuir um veículo”.

Um estudo da Universidade de San José, na Califórnia, apontou que um automóvel pode ser usado por até 13 pessoas. Dessa forma, compartilhá-lo com outros motoristas torna-se a opção mais lucrativa tanto para os usuários quanto para o meio ambiente. Com tantas vantagens, a previsão da empresa é crescer a um ritmo de 15 a 25% nos próximos anos e atingir um mercado de US$ 3,3 bilhões até 2016.

Para Fred Gelli, a ideia de desfrutar de um objeto ou serviço e compartilhar isso com outras pessoas é inevitável. “Então é bom a gente ir se acostumando com essa mudança de perspectiva. Eu não preciso ter um carro, eu preciso desfrutar de um meio de transporte. Eu passo a ouvir música simplesmente fazendo o download dela ao invés de comprar o CD.”

Essa tendência abre para uma série de vantagens que o “desfrutador” tem em relação ao “consumidor”. “Isso se alinha muito com a ideia de mudança de uma economia de produto para serviço. Então as montadoras passarão a ser provedoras de meios de transporte, e isso é muito mais interessante. É um sistema vantajoso para todos, e isso já começou.”, conclui Gelli

Escambo do século 21

No site Rentalic.com os usuários cadastrados podem alugar objetos de outros membros da rede. A ideia é estimular que as pessoas aluguem o que estão precisando em vez de comprar um produto novo, que dificilmente irá usar novamente.

Por ser uma rede, a transação torna-se mais segura tanto para quem oferece quanto para quem aluga os objetos. De quebra, o serviço pode ser uma fonte extra de renda para os seus membros e também para os organizadores do site, que lucram US$ 0,99 por cada aluguel.

Além de reduzir os impactos no planeta e baratear os custos de muita gente, o sistema de aluguel já tem sido utilizado para tornar o acesso a determinados bens possível para quem não tem como pagar por eles integralmente. É o caso da empresa EGG Energy, que aluga baterias portáveis para promover o desenvolvimento de comunidades carentes na Tanzânia.

Como 90% da população local não tem acesso à energia elétrica e os custos de um gerador o torna inviável, a empresa lançou um serviço de aluguel de pequenas baterias recarregáveis. Cada membro paga US$ 27,00 por um cadastro anual e pode trocar a bateria vazia por outra carregada por US$ 0,40.

Mas quem não quiser pagar por um aluguel tem as opções de trocar ou simplesmente pegar emprestado. Nos sites Freecycle, Xcambo! e Etrocas é possível se cadastrar gratuitamente e trocar objetos que não quer mais por outros que podem ser úteis para você.

No LivraLivro a troca é ainda mais específica. Os leitores cadastrados montam uma lista de livros que possuem para trocar e outra dos que gostariam de obter. Quando um usuário solicitar um desses livros, ele deve ser enviado pelo correio. Quando o livro é recebido, o doador ganha um ponto para solicitar outro livro. O único custo é com o envio pelos correios, que varia de acordo com o peso do livro.

Já no Thingloop a proposta é pegar emprestado, sem precisar dar nada em troca – apenas devolver depois. Assim, você pode pegar um livro, CD, DVD, caixa de ferramentas ou qualquer outra coisa que você estiver precisando e não quiser ou não puder pagar. Depois é só entregá-lo de volta para seu dono e, sempre que possível, colaborar com outro usuário que estiver precisando de algo que você tem.

Compartilhamento no dia a dia

Todas as iniciativas acima podem ser adaptadas e aplicadas no dia a dia de qualquer um. Juntar as amigas e organizar uma Swap Party para trocar roupas que já não usam, fazer um rodízio de carona com os colegas do trabalho ou criar uma lista de e-mail com um grupo de amigos para trocar livros, CDs e filmes entre si já um bom início – e sem custo nenhum.

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