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Biodiversidade

16 de Dezembro de 2011

 

Relatório diz que maioria das pesquisas com chimpanzés é desnecessária

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Foto: AfrikaForce

Um relatório apresentado nesta quinta-feira, 15 de dezembro, pelo do Instituto de Medicina (IOM, na sigla em inglês) e pelo Conselho de Pesquisa Nacional dos Estados Unidos, aponta que, salvo raras exceções, não existe mais necessidade de utilizar chimpanzés em laboratórios de pesquisas médicas e comportamentais. De acordo com o documento, feito por um painel independente de especialistas médicos, o uso desses animais como cobaias deve ser estritamente limitada no futuro.

De acordo com a Universidade Johns Hopkins, apenas os Estados Unidos e Gabão, que fica na África central, utilizam os chimpanzés em pesquisas científicas, especialmente para aquelas relacionadas a vacinas para cura da HIV/Aids, hepatite C, malária, vírus respiratórios, cérebro e comportamento. Desde 1999, os países da União Europeia baniram os chimpanzés dos cativeiros com esse objetivo - com exceção para os casos de pandemias.

"O comitê conclui que, embora tenha sido um valioso modelo animal no passado, o uso de chimpanzés nas pesquisas biomédicas atuais não é necessário.” – IOM

Elaborado em virtude de uma solicitação do Congresso dos EUA, o relatório contou com a colaboração de cientistas, médicos, veterinários, especialistas em bioética, antropólogos e acadêmicos. No texto, eles definem três critérios que devem ser satisfeitos para que o uso de chimpanzés em laboratório seja justificado:

• O conhecimento ganho deve ser essencial, e não apenas útil, para que sejam feitos avanços na saúde pública;

• Não haver nenhum outro modelo de pesquisa que possa ser usado para obter o conhecimento necessário;

• Não haver como realizar a pesquisa de modo ético com seres humanos.

Além disso, os animais usados em pesquisas devem ser mantidos em ambientes físicos e sociais adequados ou nos habitats naturais, e todas as experiências devem ser executadas "de forma a minimizar dor e angústia, e ser minimamente invasivas".

Alternativas

Caso todas as recomendações sejam seguidas, poucos estudos com chimpanzés continuarão a ser financiados pelo governo americano. De acordo com os especialistas, já existem alternativas para a condução destes estudos, como o uso de engenharia genética a partir da proteína-alvo de roedores ou mesmo de modelos humanos ou não-humanos in vitro.

Para John VandeBerg, diretor do Centro Nacional de Pesquisa sobre os primatas, porém, suspender as pesquisas com chimpanzés representaria uma ameaça a vidas humanas. "A redução do índice de desenvolvimento de medicamentos para essas doenças significará a morte de centenas de milhares de pessoas, milhões de fato, devido a anos de atraso", afirmou ao Terra.

Outra preocupação vem dos defensores dos animais, que questionam o destino dos primatas usados em laboratórios caso os fundos estatais forem cortados para os experimentos existentes. Atualmente, 612 chimpanzés são utilizados para pesquisas médicas financiadas pelo Instituto Nacional da Saúde (NIH, na sigla em inglês) nos Estados Unidos.

"Este número me preocupa muito, pois é praticamente igual ao número de chimpanzés que temos em reservas nos Estados Unidos. Quem vai cuidar desses animais que têm vida longa e assumir o custo pela sobrevivência deles?", disse ao Terra April Truitt, diretora e fundadora do Primate Rescue Center, uma instituição que protege e cuida de chimpanzés que foram vítimas de abuso ou abandono.

De acordo com a ativista, os chimpanzés vivem, em média, até os 60 anos e custam cerca de US$ 22 por dia. Para ela, ainda que seja uma boa notícia, o anúncio pode ter consequências desastrosas em curto prazo, já que os laboratórios simplesmente devem mandar os animais, alguns com problemas de saúde e sem estarem socializados, a ONGs e instituições de cuidado, sem qualquer ajuda financeira.

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