Editorias / Arquitetura e Construção
HOME | Posts | 2011 | Fevereiro | Contra ilhas de calor, Stuttgart tem 60% de cobertura verde

Arquitetura e Construção

23 de Fevereiro de 2011

Leia Também
 

Contra ilhas de calor, Stuttgart tem 60% de cobertura verde

 verde se destaca mesmo entre os carros
Mesmo em meio aos carros, o verde tem presença de destaque na cidade alemã/Foto: k.a.i.

Em Stuttgart, na Alemanha, nasceram grandes fábricas automobilísticas, como Mercedes-Benz, Porsche e Bosch. Mas se por um lado os automóveis são considerados um dos principais vilões do aquecimento global, em razão das emissões de gases-estufa, também é verdade que a cidade alemã é referência mundial no quesito sustentabilidade, pois alcança atualmente 60% de cobertura vegetal.

Stuttgart é uma cidade modelo quando o assunto é o combate às ilhas de calor. A prefeitura investe desde os anos 1980 em uma rede de cinturões verdes, nos quais o plano diretor proíbe edificações, que funcionam como "corredores" de vento. Mesmo fora dos cinturões, a malha verde abrange ruas, trilhos de trem, parques públicos, telhados de casas e edifícios. O principal objetivo é evitar a concentração de ar quente e de gases do efeito estufa.

Capital do Estado de Baden-Württemberg, no Sudoeste da Alemanha, a cidade tem cerca de 600 mil habitantes – na região metropolitana são 2,7 milhões. "Stuttgart fica em um vale; é rodeada por montanhas. Isso já dificulta naturalmente a circulação de ar, já que as serras formam barreiras que diminuem a velocidade dos ventos", explicou ao Estadão.com o climatologista Ulrich Reuter, responsável pelo Departamento de Climatologia Urbana da prefeitura de Stuttgart.

Os investimentos em corredores e áreas verdes começaram na década de 1930, quando a prefeitura começou a contratar meteorologistas para resolver o problema do aquecimento causado pela topografia. "O desenvolvimento urbano-industrial intensificou esse processo a partir da década de 1970. Desde então, uma série de mapeamentos e estudos desenvolvidos pelo nosso departamento culminou em um atlas climático, que teve sua nova edição publicada em 2008", afirmou Reuter.

Por meio do atlas, a prefeitura conseguiu identificar as áreas edificadas que mais atrapalham a circulação de ar, no intuito de estabelecer parâmetros legais para a conservação. "A lei ambiental protege 39% da área de Stuttgart, onde são proibidas novas construções. Temos 5 mil hectares de florestas, 65 mil árvores em parques e 35 mil nas ruas, 300 mil metros quadrados de telhados verdes e 32 quilômetros de trilhos de bonde onde, a partir de 2007, foi plantada grama", destacou Reuter. Mesmo assim, segundo o Departamento de Climatologia, 6% da superfície da cidade estão sujeitos a stress térmico, que leva à formação de ilhas de calor, por períodos de mais de 30 dias.

O case de Stuttgart é exemplo de ação preventiva para o superaquecimento e os efeitos das mudanças climáticas nas cidades. Kobe, no Japão, utiliza a metodologia do atlas climático da cidade alemã como referência para pensar corredores e áreas verdes.

Para a professora Maria Fernanda Lemos, do mestrado em Engenharia Urbana da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, o investimento em infraestrutura verde não pode ser pensado apenas sob o ponto de vista da cobertura vegetal, mas deve incluir aspectos de construção sustentável. "Você precisa usar uma série de estratégias, da vegetação ao revestimento de edifícios, por exemplo."

Faça sua doação!

Estamos precisando muito da sua ajuda e qualquer valor doado é de grande importância.

Você pode impedir que este trabalho importante de conscientização acabe, fazendo sua doação. Todos os recursos obtidos serão utilizados para a manutenção de nossas atividades. Vale lembrar que todo conteúdo é 100% gratuito e acessível a qualquer cidadão.

Clique aqui e saiba como fazer a sua doação!

Comentários

Deixe sua opinião sobre este assunto.

Dicas
Veja Mais Dicas
Guias
Veja Mais Guias
 
Shopping EcoD
Abrasivo Digital