Editorias / Ciência e Tecnologia
HOME | Posts | 2011 | Fevereiro | Pesquisador sugere criação do Índice de Desenvolvimento Humano Sustentável

Ciência e Tecnologia

09 de Fevereiro de 2011

 

Pesquisador sugere criação do Índice de Desenvolvimento Humano Sustentável

 termel�rica no atacama
Sem quantificar a sustentabilidade ambiental, fica difícil saber qual tipo de empreendimento causa mais impactos, defende pesquisador/Foto: nànreH, hrfj

O pesquisador brasileiro Joaquim Francisco de Carvalho, da USP, desenvolveu um estudo no qual propõe uma metodologia para medir a sustentabilidade ambiental de maneira quantitativa. Em artigo recente publicado na Renewable and Sustainable Energy Reviews, ele sugere ainda a criação de um Índice de Desenvolvimento Humano Sustentável (IDHS). As informações são da Agência USP no site Inovação Tecnológica.

Esse novo indicador seria obtido a partir do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), formado por dados ligados à expectativa de vida ao nascer, educação e Produto Interno Bruto (PIB) de um país, e de um Índice de Sustentabilidade Ambiental (ISA), que seria estabelecido em função dos graus entrópicos dos produtos de maior peso na economia.

"Os materiais de maior impacto entrópico teriam peso maior. Por exemplo, o impacto de um quilo de alumínio, que implica extração do minério e elevado consumo de eletricidade, é bem maior do que o de um quilo de madeira, que é produzida por fotossíntese, um processo natural que consome apenas energia solar, dióxido de carbono (CO2) e água, existentes na atmosfera", explicou o pesquisador.

No artigo, Carvalho também sugere que a Organização Mundial do Comércio (OMC) utilize o IDHS para estabelecer escalas de acréscimos e decréscimos nas tarifas de exportação de países, de acordo com índices maiores ou menores de IDHS.

Qualidade e quantidade

Para o pesquisador, a definição original de sustentabilidade, baseada no Relatório Brundtland (1987), estabelece que um projeto é sustentável quando não contribui para degradar o meio ambiente e o mantém capaz de fornecer recursos para as gerações futuras. Embora este conceito tradicional seja adequado para o debate político, por levar em conta apenas o lado qualitativo, não haveria até hoje uma definição quantitativa sobre sustentabilidade.

"Com base nesta definição, fica impossível afirmar, com segurança, que a construção de uma usina hidrelétrica causará mais ou menos danos ao meio ambiente do que centrais termelétricas a carvão ou a biomassa", exemplifica Carvalho.

"Entretanto, o artigo recentemente publicado deve ser considerado apenas como uma pesquisa básica sobre o assunto, que poderá ser útil na medida que oferece para outros estudiosos sugestões para linhas de pesquisas a serem exploradas sobre o tema", acrescentou o pesquisador.

O que é entropia?

A metodologia proposta por Carvalho foi baseada em conceitos de um ramo da Física denominado "Termodinâmica do Não-equilíbrio" e está estruturada a partir dos princípios de mínima e máxima produção de entropia. A entropia é uma grandeza que permite avaliar a degradação da energia de um sistema - a entropia de um sistema caracteriza o seu grau de desordem.

"Podemos dizer que a sustentabilidade de um sistema, como a Terra, por exemplo, depende basicamente do equilíbrio dos fluxos de energia que entram e saem, compara Carvalho. Este equilíbrio é influenciado pelo número de elementos do sistema e por seu regime termodinâmico, ou pelo nível de organização de seus elementos. Isso caracteriza a entropia do sistema. Sistemas sustentáveis produzem pouca entropia e são bem organizados, enquanto sistemas insustentáveis produzem muita entropia e são caóticos".

O pesquisador usa como exemplo a energia que chega na Terra através do Sol. "Neste caso, a energia solar, recebida direcionalmente em um fluxo de alta qualidade e baixa entropia, é responsável por uma série de fenômenos atmosféricos e geológicos, pela fotossíntese, pelo metabolismo das plantas e de animais e é reemitida com baixa qualidade (degradada) e alta entropia. Porém, há um balanço energético entre a energia que entra e a que sai", esclarece, lembrando que entropia está associada à temperatura.

Já no caso de uma plantação de cana-de-açúcar em áreas especialmente desmatadas para isso, Carvalho explica que o fluxo entrópico é alto, entre outros fatores, por força do desmatamento, que causa a destruição de um ecossistema e, consequentemente, de uma série de informações genéticas e biológicas, gerando caos (desequilíbrio) naquele meio.

"Qualquer processo que desorganize, destrua informação ou diminua a eficiência de um sistema aumenta a sua entropia. As causas podem ser o atrito, em sistemas mecânicos; resistência elétrica, em sistemas elétricos; super-exploração e mau uso do solo, em sistemas agrícolas; transportes caóticos e desperdício de energia, nas cidades, etc", destaca o pesquisador.

Com informações da Agência USP no site Inovação Tecnológica

Faça sua doação!

Estamos precisando muito da sua ajuda e qualquer valor doado é de grande importância.

Você pode impedir que este trabalho importante de conscientização acabe, fazendo sua doação. Todos os recursos obtidos serão utilizados para a manutenção de nossas atividades. Vale lembrar que todo conteúdo é 100% gratuito e acessível a qualquer cidadão.

Clique aqui e saiba como fazer a sua doação!

Comentários

Deixe sua opinião sobre este assunto.

Dicas
Veja Mais Dicas
Guias
Veja Mais Guias
 
Shopping EcoD
Abrasivo Digital