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Arquitetura e Construção

08 de Fevereiro de 2011

 

Projeto de jovem arquiteto quer transformar prédios em ruínas em fazendas verticais

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Rafael Grinberg exibe seu projeto / Fotos: Divulgação

Dois prédios em ruínas no centro de São Paulo transformados em fazendas verticais, capazes de produzir alimentos orgânicos para a população das cidades, gerar novos empregos, reduzir os custos com alimentação e os desperdícios do processo de produção e transporte, além de garantir colheita o ano todo e reaproveitar um espaço inutilizado.

Essa é a proposta do jovem arquiteto Rafael Grinberg, que criou um projeto para revitalizar os edifícios São Vito e o Mercúrio e transformá-los em um centro de produção sustentável de alimentos e educação ambiental.

Cercados pelo Mercado Municipal, o Rio Tamanduateí, as Avenidas do Estado e Mercúrio, o Museu Catavento e o Parque Dom Pedro II, os prédios representam um local que, segundo Rafael, “é ao mesmo tempo muito degradado e em recuperação, mas com importante valor arquitetônico, histórico e cultural”.

De acordo com o projeto, os edifícios seriam reprojetados para abrigar um sistema de agricultura vertical, que funciona como estufas hidropônicas, uma em cima da outra, verticalizando as plantações e otimizando o espaço.

Um Centro de Educação Ambiental e um Estacionamento Funcional vinculados a um lago artificial também estão inseridos no estudo. Segundo Rafael, o objetivo de criar estes espaços é formar um eixo cultural entre o Museu Catavento e o Mercado Municipal, oferecendo vagas de estacionamento gratuitas para bicicletas, carros híbridos e elétricos.

Fazendas Verticais

A proposta das Fazendas Verticais, criada inicialmente pelo professor Dickson D. Despommier, da Universidade de Columbia, busca não apenas resolver a futura escassez de alimentos, mas também frear o aquecimento global, elevar os padrões de vida no mundo em desenvolvimento e mudar a forma como a sociedade obtém seus alimentos e descarta o lixo.

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Segundo um cálculo de Despommier, uma fazenda vertical com um quarteirão de base e 30 andares poderia fornecer alimentos para 10 mil pessoas. Em um planeta que, de acordo com as Nações Unidades, terá 80% da sua população vivendo em cidades até 2050, e que precisará de 1 bilhão de hectares de terra adicionais para acomodar o cultivo de alimentos para atender uma população de 9,15 bilhões de pessoas, essa alternativa parece uma saída viável.

“Eu acredito que a disseminação [das fazendas verticais] virá por meio da necessidade, principalmente em países e regiões em que a terra de plantio está se tornando escassa ou desertificada e em regiões inóspitas em que se torne custoso a chegada de alimentos, aumentando muito seu preço”, defende Grinberg.

Para o arquiteto são muitas as vantagens das fazendas verticais em relação às tradicionais. A redução das más condições de trabalho, exploração e outros problemas associados ao trabalho no campo, diminuição da exposição a agrotóxicos, dos danos ao meio ambiente, como desmatamentos, perda da biodiversidade, poluição e desperdício de colheita e transporte até o consumidor final são alguns dos fatores citados pelo arquiteto.

O vislumbre de uma nova modalidade de trabalho agrícola, que utiliza menos áreas de plantações e permite aproveitar espaços urbanos abandonados, além de fornecer alimento suficiente, de forma sustentável, para toda a comunidade e deixar que as áreas que foram usadas antes para a agricultura horizontal possam se transformar em florestas novamente estimulam ainda mais os planos do jovem arquiteto.

“Haverá uma nova e necessária estratégia para a conservação do meio ambiente e da água potável. As áreas desmatadas voltarão a seu estado natural, repletas de espécies de plantas e animais, reduzindo assim o CO2 da atmosfera e controlando o aquecimento global”, diz.

Para abastecer a fazenda, Grinberg projetou um sistema que retira o gás metano da água poluída do Rio Tamanduateí e o transforma em energia para o prédio. “O que dá vida a uma Fazenda Vertical é a água, daí a possibilidade de utilizar o Rio Tamanduateí como fonte, não só da água, mas também de energia para o edifício”.

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Desafios

Mas apesar de tantas vantagens e incontáveis projetos espalhados por todo o mundo, até hoje nenhuma fazenda vertical foi implantada. Alguns países, como Japão, Escandinávia, Estados Unidos e Canadá já cultivam pequenas culturas, como morangos, tomates, pimentas e ervas em estufas. Mas até hoje nenhum edifício foi efetivamente construído para esse fim.

No Brasil, a grande quantidade de terras agricultáveis e o clima favorável podem ser fatores que dificultem a implantação das fazendas. Mas isso não desanima o arquiteto. “No começo achava que por causa do excesso de terra no Brasil esta idéia não seria viável. Então pensei: ‘Será que excesso de terra significa utilizá-la até a escassez? Será que não podemos utilizar de novas ideias e tecnologias em favor de um mundo equilibrado entre o homem e o meio ambiente?’”, questiona.

Independente do uso do projeto no Brasil, ele defende que a proposta pode ser reaplicada em qualquer cidade do planeta, especialmente nas mais populosas, além de ser utilizada como escola modelo para estudos ligado a universidades e empresas interessadas em desenvolver novos modelos de produção.

“É fundamental e necessário investir em estudos e tecnologias inovadoras para estar sempre à frente e preparado para soluções e alternativas”, conclui Grinberg.

Veja algumas imagens do projeto:

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