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Arquitetura e Construção

03 de Janeiro de 2011

 

Pessoas que moram em bairros “caminháveis” são mais felizes, diz pesquisa

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Segundo o estudo, poder caminhar até locais como farmácia, escola e supermercado traz benefícios sociais à comunidade / Foto: Louise Ireland

Viver em uma região onde as necessidades básicas do dia a dia, como supermercados, correios, livraria, hospitais e bancos, estão a distâncias “caminháveis” melhora a saúde e a qualidade de vida dos moradores, além de ter implicações no ambiente local. Foi o que informou uma pesquisa divulgada no último mês pela Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos.

O novo estudo associou vizinhanças caminháveis com o aumento de benefícios sociais, como melhora da saúde e das oportunidades econômicas. “Nós descobrimos que bairros que são mais caminháveis possuem maior capital social como confiança entre os vizinhos e participação nos eventos locais”, afirmou a autora do estudo, Shannon Rogers.

A pesquisa foi feita em bairros da cidade de Durham, localizada no Estado da Carolina do Norte, e em Portsmouth e Manchester, cidades americanas do Estado de Nova Hampshire.

Foram os próprios participantes que identificaram o índice de “caminhabilidade” de seus bairros ao indicar o número de locações onde eles poderiam ir andando. As comunidades com mais de sete pontos (em um índice de 0 a 13) eram consideradas “caminháveis”. Para medir o capital social os pesquisadores utilizaram uma escala desenvolvida pelo cientista político e professor da Universidade Harvard, Robert Putnam.

Os resultados mostraram que aqueles que viviam em bairros onde os locais essenciais estavam a uma distância mais curta confiavam mais em seus vizinhos, participavam de mais projetos comunitários e grupos de voluntariado, frequentavam mais clubes locais e descreviam menos a televisão como principal forma de entretenimento.

"Se você pode sair facilmente pelo seu bairro e viver perto de outras pessoas, você vê vizinhos que não iria normalmente. Essa interação gera confiança e troca de informações", explica a autora.

Fatores sociais e a sustentabilidade

De acordo com Shannon, um dos principais objetivos do estudo era medir a interação entre aspectos físicos, ambientais e sociais e as implicações desses fatores na sustentabilidade de determinada região.

"Muitas vezes ouvimos sobre o tripé da sustentabilidade, mas enquanto os aspectos ambientais e econômicos são bem compreendidos, a questão social é menos articulada. Esta pesquisa foca no que significa sustentabilidade para uma comunidade e, em particular, se concentra em como isso poderia ser medido e melhorado", diz.

Ela defende a importância da pesquisa ao lembrar que no futuro as comunidades deverão ser planejadas não apenas para economizar energia e outros bens materiais, mas também para gerar mais capital social.

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