Editorias / Energia
HOME | Posts | 2011 | Julho | Fábio Rosa fundador da ONG Ideaas conta sobre a realização dos projetos

Energia

26 de Julho de 2011

Leia Também

Energia

EcoD Básico: Energia Solar 23 de Outubro de 2008

EcoD Básico: Energia Solar

 

Fábio Rosa fundador da ONG Ideaas conta sobre a realização dos projetos

capa-fabio-rosa.jpg
Fábio Rosa e famílias beneficiadas pelos projetos/ Foto: Divulgação

A ONG Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas e da Auto Sustentabilidade (Ideaas) tem como proposta levar energia solar para pessoas de baixa renda, a fim de beneficiar aqueles locais onde ainda não existe luz. A ONG é de Porto Alegre (RS) e o fundador dela é Fábio Rosa, um engenheiro agrônomo que foi secretário da agricultura da cidade de Palmares do Sul (RS), e que resolveu se dedicar a eletricidade, devido às dificuldades encontradas para o desenvolvimento agrário, por causa da falta de energia.

Portal Ecodesenvolvimento.org: Como se desenvolveu esse projeto de levar a energia solar para as pessoas de baixa renda?

Fábio Rosa: O projeto teve início desde 1983, vindo de uma atividade contínua de acesso a energia para as populações isoladas. Ele passou por duas fases, a do desenvolvimento de redes de baixo custo que influenciaram a política pública brasileira e traçaram as diretrizes do programa Luz para Todos que é uma exigência hoje no país, e outra linha nessa parte de acesso a energia em áreas isoladas aonde as redes não chegam. Que é com o uso de energias renováveis e geração descentralizada. Isso ao longo do tempo foi sendo organizado, com investimento em manuais e em publicações. Em 2 de junho foi inaugurado o Centro de Aprendizagem para as energias renováveis e geração descentralizada.

Como e quando surgiu a ONG?

A ONG surgiu em maio de 1997, já como uma consequência madura das atividades anteriores que a gente desenvolveu nesses trabalhos de energia. Então nós vínhamos trabalhando uma série de formas como parcerias, através de uma pequena empresa comercial e também fazemos consultoria às empresas de eletricidades concessionais. À medida que o tempo passou e nós entramos no ambiente de privatização do setor elétrico brasileiro, esse ambiente que se instala na década de 90, ele acontece inicialmente sobre a regis da privatização da distribuição da eletricidade, mas sem a definição de quem deveria levar a energia para aqueles locais onde a distribuição ainda não estava estabelecida. Ou seja, tinha um vazio elétrico, não havia nenhuma política pública, então a medida que isso foi se pronunciando e nós fomos trabalhando por conta disso, então passamos a propor e instalar o Ideaas em 1997.

Quantas pessoas trabalham da ONG nos projetos?

Nós temos uma equipe fixa, somos quatro participantes no Ideaas. E a nossa política é de desenvolvimentos de parcerias locais. Então, nós desenvolvemos capacitadores. Hoje nós temos colaboradores que estão vinculados com outras instituições, em um total de 40. Mas não estão ligados diretamente ao Ideaas.

Como é feita a seleção dos lugares que têm pessoas de baixa renda?

Como a gente já trabalha na área, a gente conhece bem as regiões do Brasil, onde temos condições extremas de isolamento. Hoje nós temos olhado justamente para esses extremos isolados. Sabemos que uma grande parte desse isolamento se encontra na Amazônia Brasileira. Temos outras condições que nós atuamos, como por exemplo, dentro do continente americano e dentro do continente africano, ai não como uma atividade logística, mas pela chamada de parceiros internacionais que nos convidam a estabelecer uma parceria e fazer uma intervenção dentro de uma determinada região, da mesma forma como fizemos no campo de refugiados de Cacuma, situado a noroeste do Quenia e na fronteira com o Sudão, onde existem 70 mil refugiados estabelecidos lá. Eles tem escolas, hospitais, aeroporto, e fomos desenvolver serviços de energias para populações pobres por meio do uso de energias renováveis.

foto-fabio-rosa.jpgO que as pessoas usam no lugar da energia elétrica?

A caracterização desse tipo de sociedade é do mesmo modelo tecnológico do século 19. As principais fontes de energia principalmente para a iluminação, além do fogo a lenha, passa a ser o uso de velas e o uso de candeeiro (seja com óleo diesel ou com querosene ou até um óleo vegetal). Esse é o quadro que encontramos nesses locais remotos.

Quantas pessoas já foram beneficiadas com os projetos da ONG?

Dos projetos que nós fizemos, aqui no Rio grande do sul, nós chegamos em torno de 40 mil famílias. Depois nós trabalhamos em São Paulo com o programa Luz da Terra, onde foram atendidas 240 mil famílias. Diretamente nós somos protagonistas de 300 mil famílias beneficiadas, que seria por volta de 1,2 milhão pessoas, que nós fizemos intervenção direta no processo. Após a solidificação das políticas públicas, no sentido de combater a exclusão elétrica, podemos contabilizar com os programas implantados pelo governo federal, utilizando as tecnologias que nós produzimos, mais de 10 milhões de pessoas beneficiadas.

Você tem apoio de alguém ou empresas para custear esses projetos?

Sim. Nós sempre estabelecemos participações parcerias, tanto com órgãos multilocais, e temos também às vezes parceria com empresas da iniciativa privada. Nós estabelecemos diversas parcerias.

Como são feitos os painéis solares?

Os painéis são feitos com uma espécie de um disco que é articulado. Ele é feito de silício purificado, com uma série de características. Esse silício é recoberto com outro elemento químico chamado boro. Justamente esse contato com esses dois elementos químicos, quando incitados pela presença da luz do sol que gera uma corrente elétrica. Lembrando que esse efeito fotoelétrico acontece pela condição de iluminação, mas não necessita imperativamente uma incidência do sol brilhante, ou seja, você consegue produzir energia elétrica mesmo em dias nublados, claro que se você tiver uma luz do sol forte, a sua produção de energia será maior.

Além dos painéis existe outra solução para a falta de energia?

Sim, a gente tem trabalhado com outras fontes também. A energia eólica e com a energia hidráulica, pequenas rodas d’água, principalmente. A definição de qual fonte energética será utilizada, ou se vai haver uma integração entre as fontes, depende do que será encontrado dentro da região. Você pode encontrar região que tem mais sol e vento, outra vai ter vento e água, outra sol e água, então é preciso entender essa dinâmica da energia natural dentro do ambiente para poder definir qual é a matriz da fonte que nós vamos utilizar. A gente sempre se utiliza da luz solar, mas nós não desconsideramos o uso das outras fontes.

Quais são os projetos da ONG?

O Luz Agora – com geração descentralizada, sistema solar e foto voltagem. O nome é justamente pela possibilidade de chegar a um lugar muito remoto sem precisar das redes elétricas. É chegar e colocar energia imediatamente com esses painéis solares com essa condição autônoma. Projeto de acesso a energia elétrica.

fabio-rosa-2.jpgO projeto do centro de aprendizagem para as energias alternativas de geração renováveis descentralizada - que dentro desse centro tem outro projeto que se chama Alegrias Renováveis – que é um programa para educação de crianças e adolescentes em suficiência energética, conservação de energia e energias renováveis.

Projeto Farol do Sol – projeto para levar lampiões com energia solar para pescadores de camarão, no sul do Brasil, que usam lamparinas a gás, esse seria um processo de substituição.

Quais regiões já foram beneficiadas com esses projetos?

Existem redes de baixo custo instaladas em todo o Brasil. Nesse sistema que a gente chama de geração distribuída que são esses isolados, sem conexão a rede, nós temos instalações no Rio Grande do Sul, no Paraná, na Ilha do Algodão perto de Paraty, e na Amazônia Brasileira, no rio Tapajós.

E sobre o projeto Luz para Todos?

O programa Luz para Todos é um programa de governo federal, que atende a um dispositivo de uma política de estado votada pelo Congresso Nacional, em maio de 2002, onde nós temos a lei que estabelece a universalização dos serviços de energia.
O programa não parou e vem atendendo progressivamente os brasileiros excluídos eletricamente e estima-se que hoje devemos ter algo como um milhão ou dois milhões de brasileiros sem acesso a energia, isso representa alguma coisa como 1% da população brasileira. E quer dizer um índice de desenvolvimento, muito próximo aos países desenvolvidos. Isso significa que o programa foi efetivo.

Quais regiões ainda estão sem energia?

A Amazônia Brasileira. Lá existem muitas regiões sem energia por lá, pois quando a gente fala na Amazônia legal brasileira, representa 60% do território nacional, então ainda que seja um número relativamente pequeno de brasileiros a serem incluídos eletricamente, a dimensão desse trabalho é desafiante, pois estamos falando de 60% do território brasileiro.

E para o futuro, novos projetos em vista?

Nós estamos preparando para o ano de 2012, trabalhando com alguns modelos com o uso de energias renováveis, principalmente para um acesso imediato a essa condições básicas do benefício, principalmente da iluminação elétrica. Então estamos preparando o projeto Luz do Saber, para ser anunciado no ano de 2012, que vai ser o Ano Internacional das Nações Unidas para o Acesso Universal às Energias Sustentáveis. Finalmente as Nações Unidas reconhece que o acesso as energias elétricas é importante. Então esse projeto pretende chegar imediatamente nesses locais longínquos do Brasil, pretende chegar com o lampião, a lâmpada LED e energia solar, para que as crianças não estudem mais no escuro, seria o mínimo para fazer uma ação imediata. Nesses locais longínquos, para a possibilidade de chegarmos a todos demorará na minha estimava uns 10 anos.

Faça sua doação!

Estamos precisando muito da sua ajuda e qualquer valor doado é de grande importância.

Você pode impedir que este trabalho importante de conscientização acabe, fazendo sua doação. Todos os recursos obtidos serão utilizados para a manutenção de nossas atividades. Vale lembrar que todo conteúdo é 100% gratuito e acessível a qualquer cidadão.

Clique aqui e saiba como fazer a sua doação!

Comentários

Deixe sua opinião sobre este assunto.

Dicas
Veja Mais Dicas
Guias
Veja Mais Guias
 
Shopping EcoD
Abrasivo Digital