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08 de Junho de 2011

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EcoD Básico: Manejo Florestal

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Foto:
Agecom Acre

Manejo Florestal é um conjunto de técnicas empregadas para colher cuidadosamente parte das árvores grandes de uma floresta de tal maneira que as menores, a serem colhidas futuramente, sejam protegidas. Com a adoção do manejo, a produção de madeira pode ser contínua ao longo dos anos, ou seja, trata-se da administração da floresta para obtenção de benefícios econômicos e sociais, respeitando-se os mecanismos de sustentação ambiental dos ecossistemas.

O decreto de 1994 que regulamentou a exploração das florestas na Amazônia define o manejo sustentável como "a administração da floresta para a obtenção de benefícios econômicos e sociais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema objeto do manejo". Atualmente, o conceito foi ampliado para manejo florestal de uso múltiplo, passando a incluir "múltiplos produtos e subprodutos não-madeireiros, bem como a utilização de outros bens e serviços naturais da floresta".

O bom manejo implica urna exploração cuidadosa, de impacto ambiental reduzido, a aplicação de tratamentos silviculturais, para potencializar a regeneração da floresta e fazer crescer outra colheita, e o monitoramento, para controlar essa regeneração e ajudar o manejador na tornada de decisões técnicas e comerciais.

Os planos de manejo devem, além de atender os mecanismos legais pré-estabelecidos, definir sua finalidade, que pode ser:

• Exploração florestal madeireira;
• Produtos não-madeireiros;
• Uso múltiplo;
• Serviços ambientais.

A aplicação do manejo justifica-se devido aos danos causado pela exploração convencional da floresta. Esse uso aleatório destrói até 2 m³ de madeira para cada 1 m³ aproveitado, reduz em até 60%, ou mais, a cobertura florestal, perturba severamente os solos minerais e danifica ou mata até 40% da biomassa.

Áreas exploradas dessa maneira são abandonadas com muitos resíduos e essa flora danificada, seca e altamente combustível, expõe a floresta a riscos de incêndio. Todas essas perturbações geram ainda um tremendo impacto econômico: o grande lapso de tempo entre os ciclos de corte necessário à regeneração da floresta (em média 60 anos e, em alguns casos, permanentemente). O resultado, na maioria dos casos, é a invasão ilegal dessas áreas ou a transformação em pastagens.

O manejo sustentável, ou bom manejo, é, portanto, a uma das soluções defendidas para a exploração racional de madeira e outras riquezas não-madeireiras da floresta. Uma floresta bem manejada continuará oferecendo essas riquezas para as gerações futuras, já que a madeira e seus outros produtos são recursos renováveis.

Razões para o manejo sustentável

De acordo com o Projeto Piloto de Manejo Florestal (Imazon/WWF), as principais razões para manejar a floresta são:

Continuidade da produção - A adoção do manejo garante a produção de madeira na área indefinidamente, e requer a metade do tempo necessário na exploração não manejada.

Rentabilidade - Os benefícios econômicos do manejo superam os custos. Tais benefícios decorrem do aumento da produtividade do trabalho e da redução dos desperdícios de madeira.

Segurança de trabalho - As técnicas de manejo diminuem drasticamente os riscos de acidentes de trabalho. No Projeto Piloto de Manejo Florestal (Imazon/WWF), os riscos de acidentes durante o corte na operação manejada foram 17 vezes menor se comparado às situações de perigo na exploração predatória.

Respeito à lei - Manejo florestal é obrigatório por lei. As empresas que não fazem manejo estão sujeitas a diversas penas. Embora, a ação fiscalizatória tenha sido pouca efetiva até o momento, é certo que essa situação vai mudar. Recentemente, tem aumentado as pressões da sociedade para que as leis ambientais e florestais sejam cumpridas.

Oportunidades de mercado - As empresas que adotam um bom manejo são fortes candidatas a obter um "selo verde". Como a certificação é uma exigência cada vez maior dos compradores de madeira, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, as empresas que tiverem um selo verde, provando a autenticidade da origem manejada de sua madeira, poderão ter maiores facilidades de comercialização no mercado internacional.

Conservação florestal - O manejo da floresta garante a cobertura florestal da área, retém a maior parte da diversidade vegetal original e pode ter impactos pequenos sobre a fauna, se comparado à exploração não manejada.

Serviços ambientais - As florestas manejadas prestam serviços para o equilíbrio do clima regional e global, especialmente pela manutenção do ciclo hidrológico e retenção de carbono.

Apesar das vantagem, a aplicação do manejo pode encontrar barreiras. Questões técnicas e científicas, como carência de pessoal especializado, deficiências em infra-estrutura, transporte e logística, além da enorme biodiversidade, insuficiência de registros confiáveis do ciclo de vida das espécies nativas, curto período de observação e inexistência de referências de outros ambientes são alguns deles.

Existem também questões como a titulação e posse da terra, a falta de alternativas de subsistência das populações locais, que, culturalmente, derrubam florestas para extrativismo ou agricultura familiar e a falta de presença do Estado em territórios tão vastos, não substituível plenamente pelo sensoriamento remoto, permitindo a atuação predatória de grupos estruturados nacionais e estrangeiros livres de qualquer fiscalização.
Apesar das dificuldades de implantação e monitoramento dos manejos, o processo de monitoramento está aumentando. Com a adoção dos planos de manejo, as empresas e produtores podem obter um certificado com "selo verde" cada vez mais exigido pelos grandes compradores de madeira, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.

História

As técnicas de manejo florestal foram desenvolvidas na Europa no século XIX e, visando adaptá-las às florestas tropicais, foram introduzidas na Ásia e na África no século XX, e na América Latina na década de 1940.

No Brasil, somente nos anos 90 começaram a ser implantadas rigorosamente, não só restritas à sua vocação original de exploração sustentável da madeira como também à gestão hidrológica, educação ambiental, conservação da fauna e da flora e a exploração organizada de metais e outros elementos nobres.

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