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Economia e Política

12 de Maio de 2011

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Marina Grossi explica como funcionará o Conselho de Líderes em Sustentabilidade

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Marina Grossi esteve presente na reunião que definiu um novo conselho para a sustentabilidade/Foto: Elza Fiúza/ABr

Um novo conselho para a sustentabilidade foi criado no Brasil. Chamado de Conselho de Líderes em Sustentabilidade, ele foi desenvolvido em parceria do Ministério do Meio Ambiente (MMA) junto ao CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável) e tem como propósito debater ações voltadas ao avanço de práticas que transformem o país em referência na chamada economia verde.

Marina Grossi, presidente executiva do CEBDS, esteve reunida com Izabella Teixeira, ministra do MMA, e com lideranças empresariais no dia 6 de maio, em Brasília, quando foi anunciada a criação do conselho. A partir de agora, este grupo de trabalho será constituído a princípio pelos presidentes das empresas que fazem parte do CEBDS, que terão canal direto com o Ministério do Meio Ambiente e outros órgãos do governo federal.

Em entrevista ao EcoD, Marina Grossi explica como será a atuação do conselho e futuros objetivos. E adianta: "É preciso que haja sinergia entre os setores público e privado; com as empresas participando dos processos decisórios, não sendo chamadas apenas para pagar a conta.".  

Marina já foi coordenadora e ex-presidente da consultoria em Sustentabilidade da FEB (Fábrica Ethica Brasil) e tem um histórico profissional ligado a área governamental.

EcoDesenvolvimento.org - O que motivou a reunião com a ministra Izabella Teixeira?

Marina Grossi - Esta iniciativa partiu do CEBDS, aceitando uma provocação da ministra, por entender que existe uma necessidade de interlocução entre os setores público e privado e porque falta um fórum entre empresários e governo que discuta apenas sustentabilidade. A ideia é pensar em uma nova maneira de programar as ações do setor produtivo, muito mais ligada aos objetivos do governo, o que favorece os dois lados. Esta interface acontecerá por meio de reuniões trimestrais, com calendário a ser definido, entre o Conselho de Líderes e um representante do Ministério.

Quais são os principais temas que serão debatidos?

O Projeto Nacional de Desenvolvimento Sustentável Rio+20, a coordenação de uma política industrial, financiamento habitacional, sustentabilidade nas cidades, aumento da produtividade agrícola, uso racional dos recursos hídricos, regulamentação do acesso à biodiversidade, mecanismos de compensação de carbono, licenciamento ambiental, política energética e de resíduos sólidos, papel do consumidor, competitividade ambiental, entre outros.

Já existem alguns nomes cogitados para fazer parte deste novo conselho?

O Conselho de Líderes para a Sustentabilidade será integrado por presidentes de empresas, não somente associadas do CEBDS, com mandatos pessoais e intransferíveis. Ainda não houve nomes confirmados, além dos CEOs das empresas ligadas ao CEBDS.

Em entrevista a Agência Brasil, você colocou que outros ministérios deveriam estar mais presentes na questão da sustentabilidade. Quais são?

O ponto focal para que a agenda tenha agilidade e continuidade será o MMA, mas o Ministério da Educação, da Comunicação, de Minas e Energia, da Ciência e Tecnologia, dos Transportes, da Agricultura, das Cidades, do Planejamento, só para citar alguns, deveriam estar ligados à discussão sobre a sustentabilidade.

De que forma a Rio+20 pode ajudar na ascensão do Brasil no mercado competitivo verde?

As discussões da Rio+20 podem servir para construir um legado para a agenda do desenvolvimento sustentável no Brasil nos próximos 20 anos, considerando a atuação do setor privado como fundamental para que o Brasil ascenda no mercado competitivo verde. O Brasil tem o papel de gerar conhecimento e massa crítica além de mostrar cases de sucesso na Rio+20 e não pode perder esta oportunidade. A Rio+20 pode contribuir para que a sustentabilidade seja tratada como um eixo condutor da política e como um diferencial competitivo.

Quais os principais desafios do Brasil para o país se tornar uma liderança no setor?

É preciso que haja sinergia entre os setores público e privado; com as empresas participando dos processos decisórios, agregando valor e buscando viabilizar os projetos do país, gerando uma interlocução com a sociedade, não sendo chamadas apenas para pagar a conta.

Como deve ser a relação entre governo e empresariado?

É fundamental estabelecer as bases de um diálogo franco com o setor privado brasileiro. É preciso haver uma maior aproximação por meio de troca de experiências e debates de conteúdo técnico e construtivo para que se promova uma agenda positiva no setor governamental e no setor empresarial.

De maneira geral, como está a atuação das empresas no quesito da sustentabilidade?

As empresas estão cada vez mais assumindo o seu papel como catalisadoras de uma mudança rumo ao desenvolvimento sustentável, promovendo a eco-eficiência, a inovação e a responsabilidade socioambiental. A incorporação dos princípios da sustentabilidade ajudam as empresas a atrair e motivar talentos.

Pesquisa feita pelo CEBDS, em parceria com o Ministério de Desenvolvimento da Indústria e do Comércio (MDIC) e a PricewaterhouseCoopers (PWC), revelou que 94% das empresas consultadas consideram os impactos da mudança climática global estratégicos ou relevantes para o futuro de seus negócios. Além disso, é cada vez maior o número de empresas que realizam inventário de suas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) chegando a 62% das entrevistadas em 2009.

O setor privado é um dos principais responsáveis pelos investimentos em inovação e tecnologia, desenvolvendo produtos e serviços atrelados a economia de baixo carbono e, apesar das incertezas quanto ao futuro das regulamentações e pressões de mercado, o contexto atual já é suficiente para que as empresas obtenham benefícios por gerenciarem seus impactos, por exemplo, sobre o clima.

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