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Moda e Beleza

10 de Outubro de 2011

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Nina Braga, diretora do Instituto-E, fala sobre ações do e-fabrics

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A diretora do Instituto E, Nina Braga, apresenta um dos produtos e-fabrics/Foto: Divulgação

Tecidos de algodão, fibras naturais e couros alternativos são algumas das possibilidades de matéria-prima para uma confecção de produtos de moda sustentáveis. No projeto e-fabrics, do Instituto E, esses materiais são usados por tecelãs e artesãos de cooperativas por todo o Brasil que os tingem e fiam para serem tranformados em tênis, blusas e bolsas pela empresa Osklen.

Para saber um pouco mais sobre o projeto e as expectativas para a moda sustentável no Brasil, o Portal EcoDesenvolvimento.org.br conversou com a diretora do instituto, Nina Braga.

Portal EcoDesenvolvimento.org.br: Como é o trabalho desenvolvido pela e-fabrics?

Nina Braga: O Instituto-E tem como missão promover e posicionar o Brasil como o país do desenvolvimento humano sustentável. Para tanto, criamos e gerenciamos uma rede de parceiros, seja no terceiro setor, seja no setor privado e no público, que é acionada quando identificamos projetos que estejam em sinergia com nossa missão. Um dos projetos permanentes do Instituto é o e-fabrics que consiste no mapeamento de matérias-primas e produtos sustentáveis para que a moda brasileira apresente o diferencial de ter um conteúdo socioambiental consistente.

Quem faz parte desse trabalho?

Temos como parceiros empresas, comunidades, ONGs e órgãos governamentais nacionais e internacionais. O projeto E-fabrics, por exemplo, está sendo desenvolvido, nesta fase, através de uma parceria com o Italian Ministry for the Environment Land and Sea (IMELS). Em conjunto, estamos rastreando a pegada de carbono e o impacto social de seis produtos Osklen confeccionados com e-fabrics que são: uma bolsa de pirarucu; um par de tênis de seda orgânica; um dock side com tecido reciclado; uma mochila feita com PET e algodão reciclado; um t-shirt de algodão orgânico e uma e-bag feita com Lona eco Juta.

No que consiste o projeto realizado pelo e-fabrics?

O Ministério do Meio Ambiente da Itália (IMELS) e o Instituto-E estão à frente de uma ação pioneira no setor da moda: as pegadas de carbono de seis produtos e-fabrics® usados pela Osklen estão sendo levantadas, assim como seu impacto socioambiental.

As equipes do Brasil e da Itália, compostas por engenheiros e técnicos de diversas especialidades, têm visitado comunidades produtoras e confecções que finalizam os produtos de origem sustentável, tais como bolsa feita com pele de pirarucu, a e-bag confeccionada com lona de juta, o dock side com tecido 100% reciclado, a mochila com malha de algodão e pet reciclado, o tênis com seda orgânica e a t-shirt com algodão reciclado.

O objetivo é mensurar a quantidade de gases de efeito estufa destas peças até sua chegada às lojas Osklen. E, além disto, examinar a dimensão socioambiental destes processos produtivos, de modo a promover melhorias e mitigar seus aspectos poluentes.

O que o e-fabrics traz de novo para a indústria da moda?

Jamais uma ação deste porte foi desenvolvida neste importante setor de atividade econômica, responsável por mais de 30 milhões de empregos mundo afora e também por muita poluição. Este projeto sinaliza para a moda o caminho para torná-la mais sustentável demonstrando, na prática, como é possível aliar desenvolvimento econômico a práticas eco-eficientes, fomentando cadeias de comércio justo que geram renda e inclusão social.

Além disto, uma vez identificados os impactos ambientais, estes serão minimizados e neutralizados através da aquisição de créditos de carbono. Todo este processo será auditado e, ao término, teremos a consolidação do selo E, bem como o modelo de uma atividade econômica criativa e sustentável.

Portanto, este é um projeto estratégico de cooperação internacional, que promove a economia verde e destaca a importância da criação de uma moda diferenciada porque plena de atributos socioambientais.

materiais
Entre os materiais presentes nos produtos e-fabrics: tecidos de algodão; fibras naturais e couro alternativo/Foto: Divulgação

Qual a importância de inserir o conceito do comércio justo para a indústria da moda?

Criar uma moda com o valor agregado de inclusão social e preservação da nossa biodiversidade, ao mesmo tempo em que desenvolve uma moda diferenciada.

O público brasileiro está pouco acostumado a comprar peças com características sustentáveis. Você acha que esse valor "verde" é mais admirado por pessoas de classes altas?

Os preços altos são por conta de escala reduzida e ausência de políticas publicas que façam com que os preços de produtos eco- eficientes não sejam mais caros do que os tradicionais. Por enquanto, apenas as classes com maior poder aquisitivo podem pagar por isto, mas esperamos que, num futuro breve, este panorama se modifique.

Como desmistificar esse raciocínio?

É preciso questionar as variáveis que compõe a equação custo-benefício. Temos de passar a encarar como muito caro um processo produtivo que leva, em médio prazo, ao esgotamento de recursos naturais e humanos.

Há algum selo brasileiro ou internacional que garanta que o produto de moda foi feito de acordo com padrões de sustentabilidade? A e-fabrics é a favor da criação desse selo?

Estamos a caminho disto. O e-fabrics é um selo que identifica para o consumidor final de que tem à sua frente um produto com conteúdo socioambiental. E pretendemos em breve nos valermos de parceiros certificadores.

Quais os princípios do selo emitido pela e-fabrics?

O selo da e-fabrics atende aos seguintes critérios:

  • Origem da matéria-prima;
  • Impacto do processo produtivo;
  • Respeito à legislação trabalhista e aos saberes das comunidades produtoras;
  • Atributos comerciais e design.

Como são feitas as parcerias da e-fabrics na escolha de organizações e cooperativas para as ações?

Fazemos uma analise do conteúdo socioambiental do parceiro. Há uma verificação in loco do processo produtivo e do manejo sustentável.

O Brasil já presenciou algumas iniciativas de estilistas e empresas que fazem parcerias com cooperativas de costura e tecelaria. Esse ramo social da moda está em expansão?

O consumo consciente é uma realidade em expansão. A cada dia cresce o número de interessados em fazer do seu ato de consumo uma ação de cidadania.

Além das ações do e-fabrics, o Instituto-E também realiza outros projetos ligados à sustentabilidade, que não estão relacionadas à moda. Durante a entrevista, Nina Braga explicou um pouco sobre cada um deles:

  • O Premio E, que será realizado durante a conferência da ONU Rio+ 20, em reconhecimento às iniciativas socioambientais levadas a cabo tanto no âmbito do Rio de Janeiro, quanto fora do Rio. Os projetos premiados serão aqueles que, a partir dos princípios gerados pela Rio 92, se desenvolveram nas seis áreas que compõe o ideário dos seis e's do Instituto: earth, enviromnent, energy, education, empowerment e economica;
  • Projeto Praia + em parceria com Fundação Banco do Brasil e Sebrae. Ele trata de educação ambiental, capacitação e emponderamento de 50 barraqueiros das orlas de Copacabana, Ipanema e Leblon;
  • Projeto de recuperação da costa brasileira, com a recuperação da vegetação de restinga em dez praias, iniciando com a de Ipanema, no Rio de Janeiro;
  • E o projeto Parque Garota de Ipanema, que é a recuperação e ativação do parque através de parceria público privada.

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