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Cultura

23 de Outubro de 2011

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Ana Person canta os princípios da Carta da Terra

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A cantora trabalha em músicas relacionadas à Carta desde 2008/Foto: Acervo pessoal

"É cantando que a gente aprende, aprendizado este em outro nível, imensurável talvez. A música é imaterial, mas entra pelos poros, levanta os pelos, passeia pelos labirintos da alma, abre portas da auto estima, janelas do auto conhecimento e também sai em expressividade única, não deixando igual, porém, cada lugar por onde passou."

A cantora, compositora e violonista Ana Person acredita que a arte é um instrumento de conexão entre os diversos setores da comunidades, que pode despertar as qualidades necessárias para um mundo melhor. Por isso desde 2008 vem trabalhando com músicas relacionadas aos quatro princípios da Carta da Terra.

Em seu último CD "Além do tempo", músicas como O Planeta e Eu mereço falam sobre a riqueza natural do mundo e as belezas da vida humana. Saiba mais sobre o trabalho da artista paulistana na entrevista abaixo e inspire-se com suas músicas.

Portal EcoDesenvolvimento.org: Quando e como você descobriu a Carta da Terra?

Ana Person: Meu encontro com a Carta da Terra aconteceu no final de 2008 por indicação do amigo Mario Ramirez, da Tilibra (Bauru/SP) e parceiro da Amana Key. Eu estava finalizando meu segundo CD intitulado "Além do tempo" e percebí que os conceitos e princípios da Carta da Terra já faziam parte do meu trabalho, o universo era o mesmo.

Você sempre teve alguma ligação com questões relacionadas à preservação da Terra?

Desde de a primeira música que compus ao violão, com nove anos de idade, intitulada "Uma borboleta" até hoje e sempre.

Qual a importância da Carta da Terra?

É importante por vários motivos. Pelos sentimentos contidos nas linhas e entrelinhas, pela busca da ternura, compaixão, contemplação e do valor a toda forma de vida, seja qual vida for. Pela autonomia e incentivo a iniciativas múltiplas, em qualquer área de atuação, em qualquer espaço geográfico, com quaisquer disponibilidades de recursos materiais, com diversidade de faixa etária, ao alcance de todos. A importância está também na ideia de interdependência, de um olhar mais amplo, da possibilidade de transformação pelo coração, pela empatia.

Como a música pode ser atrelada aos ensinamentos do documento?

O texto da Carta teve um processo de organização lindo, aberto e participativo a todos os povos, porém o resultado é um texto cerebral, que talvez nem pudesse ser diferente, pela própria diversidade de culturas envolvidas.

Então, a minha viagem pelo documento foi em busca das sutilezas, dos sentimentos, partindo das minhas experiências e anseios por um mundo melhor.

Vejo a Carta da Terra como uma Carta de Amor, endereçada a todos: à mulher, ao negro, à criança, ao lixeiro, ao artista, ao matemático, ao empresário, cada um com sua interpretação e infinitas possibilidades para vivê-la em sua comunidade. Por isso o veículo é a música, a poesia, as pequenas frases, o gesto, o sorriso, a doação através da arte.

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Atualmente Ana está se apresentando no SESC de São Paulo/Foto: Acervo pessoal

Como são as suas apresentações? Você explica as diretrizes da Carta da Terra?

A pesquisa de repertório, poemas e falas foi e é desenvolvida constantemente com base nos quatro capítulos da Carta: o respeito à diversidade de vida, a integridade ecológica, a justiça econômica e social, a democracia, não-violência e paz. As letras das canções trazem implícita e explicitamente esses conceitos, e vou costurando as músicas com falas poéticas para enternecer, fazer refletir. Em um momento específico do show, brevemente explico qual é a proposta, falo do documento em si, dos capítulos.

Este show é vivo, está sempre em evolução, em transformação. Pelo excesso de explicações, já foi um tanto engessado, cerebral. Atualmente estou me aproximando do meu ideal de espetáculo. A formação instrumental também vem evoluindo, tenho buscado sonoridades que tocam os sentimentos, tais como as cordas da viola caipira, o violão, flautas, vocais e efeitos de percussão.Também surgem novas composições de minha autoria e outras canções resultantes de pesquisa que não cessa.

Para quem você se apresenta? Essas pessoas já estão envolvidas com os ensinamentos da Carta?

O público é bem diversificado e abrangente em faixa etária, econômica e intelectual. Já apresentei para públicos específicos que estudam sobre a sustentabilidade, mas raramente, em outras apresentações, encontro pessoas que já ouviram falar da Carta da Terra. Porém, ao toque dos primeiros acordes musicais tudo se torna tão cotidiano, pois a Carta da Terra é isso, está onde estamos, mais precisamente dentro de cada um, a diferença é passar a enxergar, a sentir o pulsar. Percebo que conseguimos uma ótima vivência, uma sensibilização, um algo mais que o simples estar no planeta, é uma viagem pela emoção mesmo, na busca do que se tem de melhor a oferecer para o mundo.

Como você percebe o envolvimento do público durante os shows?

Procuro manter um diálogo com o público, incentivo a interatividade, puxo palmas, ensino refrões, peço que imitem pássaros, vento, chuva, índios e tudo o mais. Apesar do conteúdo ser reflexivo, selecionei ritmos envolventes que contribuem para a descontração, para o efetivo envolvimento, e assim os conceitos possam ser levados para casa num refrão.

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Ana também realiza apresentações para o público infantil/Foto: Acervo pessoal

Você pretende se aprofundar mais nesse projeto? Quais as próximas metas?

Além deste show para o público adulto, temos o projeto infantil Oficina e Pocket Show Carta da Terra que realizamos em escolas, prefeituras, SESCs e espaços diversos. Fazemos a oficina com duração de 45 minutos. Um intervalo e em seguida o pocket show com total interatividade, pois os conceitos já foram trabalhados na oficina, o que favorece bastante a conexão. Usamos a percussão corporal, o canto, alguns instrumentos tradicionais e reciclados também.

Esse aliás, é o público mais inteirado com novos conceitos, com as novas atitudes, é bem produtivo, alegre, divertido, educativo. As metas se resumem na busca pela excelência. E com a aprovação do nosso projeto no PROAC já nos próximos dias, começaremos a buscar apoio de empresas parceiras para patrocinar muitas outras apresentações através da Lei de incentivo pelo ICMS.

Por que você gosta de cantar sobre os ensinamentos da Carta?

Me sinto útil, levando a minha gotinha de água no bico, feito o beija-flor diante do incêndio na floresta.

É uma forma de me educar primeiro e também.

De me conscientizar, de aprender o que ensino.

É retribuir à Natureza por tanta dádiva e beleza: dos meus filhos, das flores, da voz, da música, da vida.

Veja abaixo a música O Planeta

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