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02 de Fevereiro de 2012

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Especialistas querem centro de prevenção de vazamento de óleo no mar

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Imagem da Nasa, obtida através de satélite, do vazamento de petróleo no Golfo do México, em 2010/Foto: Globovisión

O Brasil precisa de um centro de monitoramento e prevenção de acidentes no mar, segundo opinião de Segen Estefen, diretor de tecnologia e inovação da coordenação de programas de pós-graduação de engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). A sugestão do especialista foi reforçada com o primeiro vazamento na área do pré-sal, registrado em 31 de janeiro, em um poço operado pela Petrobras na Bacia de Santos.

A reivindicação da academia já foi encaminhada ao Ministério de Minas e Energia. A Petrobras dispõe de nove Centros de Defesa Ambiental (CDA) que atuam no combate a vazamentos de óleo e outras emergências no mar. São os CDAs do Rio de Janeiro, de Macaé, São Paulo, da Bahia, do Sul, Centro-Oeste, Rio Grande do Norte, Maranhão e da Amazônia. Segundo informou a assessoria de imprensa da estatal, “os centros estão à disposição também para atender a outros acidentes com outras empresas, não só de petróleo”.

A Petrobras informou ainda que, embora não disponha de uma unidade específica de prevenção de acidentes no mar, essa preocupação está presente em todos os órgãos operacionais. “Não tem um centro específico para isso, mas o próprio Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) tem áreas que estudam isso”, esclareceu a estatal.

Segen Estefen avaliou, porém, que é preciso ter procedimentos bem definidos de prevenção que possam ser usados ao longo dos próximos anos. “A produção de petróleo vai se intensificar, a probabilidade de vazamentos vai aumentar e nós temos que ter um grupo de especialistas focados nesse assunto”, defendeu o pesquisador à Agência Brasil.

Embora o volume de óleo vazado na Bacia de Campos tenha sido pequeno, estimado em 25,5 mil litros, e tenha ocorrido longe da costa (a 250 quilômetros de Ilhabela, em São Paulo), “isso não deve servir de consolo para que nós não façamos nada”, observou Estefen.

O pesquisador reforçou que o Brasil tem de desenvolver procedimentos adequados para minimizar os impactos dos vazamentos e, também, para estancá-los. Para isso, precisa ter profissionais trabalhando de forma contínua, que priorizem a proteção ambiental.

O centro deverá ser coordenado pela Coppe, mas estará aberto à participação de pesquisadores e especialistas de outras instituições, e vai se articular com programas de pesquisa e desenvolvimento dedicados às questões ligadas ao meio ambiente marítimo. “Além da vigilância que devemos ter do mar, através de imagens de satélite, que hoje já estão disponíveis na Coppe, nós temos que dar ênfase à maior confiabilidade dos equipamentos e das operações ligadas à exploração e produção de petróleo no mar”.

Casos recentes

Além do caso registrado na Bacia de Santos, outros vazamentos têm ocorrido com frequência no país. Na última semana de janeiro deste ano, cerca de 1,2 mil litros de óleo vazou em Tramandaí, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. O conteúdo vazou da monoboia 602, a mais distante do Litoral, da empresa Transpetro, durante uma operação de descarregamento de um navio.

Os órgãos ambientais do Rio Grande do Sul, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a Capitania dos Portos foram comunicados. A mancha de óleo se alastrou pelo mar e chegou a ocupar uma área equivalente a 100 campos de futebol ou 100 hectares.

O biólogo e analista ambiental do Ibama no Rio Grande do Sul Kuriakin Toscan sobrevoou a área e verificou a extensão do derramamento. O vazamento, que ocorreu a seis quilômetros da orla, já está contido. Em nota divulgada, a Transpetro informou que a limpeza da praia de Tramandaí foi concluída.

Já em novembro de 2011, um acidente de maior proporção: cerca de três mil barris de petróleo (cada barril tem 159 litros) vazaram no Campo de Frade, na Bacia de Campos (RJ). A responsabilidade foi das empresas petrolíferas Chevron e Transocean. A Chevron admitiu que existiu falha de cálculo na exploração do óleo e alegou que a pressão no reservatório era maior que a prevista.

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