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Economia e Política

23 de Janeiro de 2012

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Fim das sacolas plásticas nos supermercados de SP já reflete na indústria

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Sacolas retornáveis são recomendadas para substituir as plásticas/Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Os supermercados do estado de São Paulo deixarão de distribuir as sacolas plásticas a partir da próxima quarta-feira, 25 de janeiro, mas os efeitos financeiros nas empresas do setor já são sentidos pela indústria, segundo revelou reportagem de Érica Fraga, da Folha de S. Paulo, publicada nesta segunda-feira (23), na qual consta a informação de que as encomendas do material despencaram.

 "O varejo já cortou pedidos, e isso começa a gerar demissões e cortes de gastos pelas empresas do setor", afirmou Miguel Bahiense, presidente do Instituto Socioambiental dos Plásticos, entidade que representa a indústria. Segundo um empresário que pediu para não ter o nome revelado, "a maioria dos clientes de São Paulo não renovou os pedidos".

Bahiense observou que ainda não é possível estimar o prejuízo inicial do acordo firmado entre o governo de São Paulo e a entidade que representa os supermercados para o banimento das sacolas. Contudo, a mudança é fruto de um acordo, não tem força de lei, participam os estabelecimentos que quiserem.

No caso de adesão, a partir de quarta-feira, os consumidores terão de levar a própria ecobag ou carrinho de feira para sair do supermercado com as compras. Na melhor das hipóteses, o cliente vai ganhar do estabelecimento uma caixa de papelão usada ou precisará comprar uma sacolinha biodegradável por R$ 0,19. Alguns especialistas afirmam que essa sacola deixa de resolver o problema, porque não há compostagem capaz de degradar lixo orgânico no país.

Mas a sacola compostável é a que melhor se adapta à realidade de lixões e de aterros sanitários, onde elas se degradam em até dois anos. Sem coleta seletiva, o plástico vai para o mesmo lugar e demora mais de cem anos para se decompor.

Apas promove campanha

Fazer com que os supermercados paulistas deixem de distribuir sacolas plásticas para embalar compras dos clientes é o principal objetivo da campanha Vamos Tirar o Planeta do Sufoco. Segundo a Associação Paulista de Supermercados (Apas), responsável pela iniciativa que vai até o dia 29 de janeiro, os estabelecimentos associados vão adotar a mudança em 150 cidades onde residem 80% da população do estado. “Vamos ter ainda alguns pequenos associados, que estão em cidades pequenas também, que não foram mobilizados”, explicou o diretor de sustentabilidade da Apas, João Sanzovo.

A campanha segue um esquema piloto adotado há um ano e meio em Jundiaí que, de acordo com pesquisa encomendada pela associação, foi aprovado por 77% da população. “A campanha só deu certo em Jundiaí porque houve apoio do cidadão, os consumidores que ficaram felizes de ter uma forma de contribuir para o meio ambiente”, observou Sanvozo.

Com o fim da distribuição das sacolas plásticas, os consumidores terão de optar entre as sacolas retornáveis ou biocompostáveis, feitas de amido de milho, vendidas nos estabelecimentos. A primeira opção, que pode ser usada várias vezes, é apontada como preferencial.

A ideia é contribuir para a diminuição de um problema ambiental causado pelo descarte das 2,4 bilhões de sacolas plásticas distribuídas todos os meses no estado. “Nós vamos estar mudando a nossa cultura, a nossa forma de comercializar, de pensar, educando os nossos clientes sobre a importância dessa mudança cultural”, ressaltou Sanzovo, que revelou que a ação foi amadurecida por cinco anos antes de ser lançada.

Nova realidade

A partir desta semana, o Grupo Pão de Açúcar promete retirar as sacolinhas plásticas em 700 supermercados, hipermercados e drogarias do estado de São Paulo, em conformidade com a política adotada por outras instituições da Apas). A redução do preço das sacolas retornáveis é outra novidade. "O preço deverá cair de R$ 2,99 para R$ 1,99 para estimular o consumo das sacolas retornáveis", adiantou à Folha Hugo Bethlem, vice-presidente executivo de relações corporativas.

As sacolinhas plásticas biodegradáveis de amido de milho também serão vendidas pelos supermercados da rede e custarão R$ 0,20 cada. Na avaliação de Bethlem, entretanto, a expectativa é que o consumidor escolha o produto apenas para emergências. "Em Jundiaí, onde testamos o produto há mais de um ano, as sacolinhas de amido de milho representam apenas 5% do total das vendas", afirmou o executivo.

Em fevereiro, a rede iniciará em São Paulo a venda de sacolas feitas com plástico verde, de longa duração, que também devem custar R$ 2,99. "É o conceito de duração para a vida toda, feita com plástico verde e que o consumidor poderá trazer até mesmo desgastada, que faremos a troca", garantiu Bethlem.

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