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Micro e Pequenos EcoNegócios

20 de Junho de 2012

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Entrevista: presidente do Sebrae comenta inserção de empresas na sustentabilidade

*Por Amanda Pinheiro e Lilian Neves

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Presidente do Sebrae participa da Rio+20/Foto: Thelma Vidales

“A sustentabilidade é hoje um nicho de mercado, mas futuramente será um padrão”. As palavras são do presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Luiz Barretto. Em entrevista, ele analisou as transformações culturais como um meio para o debate sobre a sustentabilidade sair do plano teórico e chegar à prática.

Além disso, Barretto comentou sobre políticas públicas e o acesso à inovação necessário para viabilizar a inserção das micro e pequenas empresas nas práticas sustentáveis. "Os pequenos negócios precisam estar sintonizados com as demandas da economia", opinou o presidente. Assuntos como o papel do Sebrae na Rio+20 e a agenda do desenvolvimento sustentável também fizeram parte da conversa.

Como a Rio+20 deve trazer a agenda da sustentabilidade para o cotidiano das micro e pequenas empresas (MPEs)?

A sustentabilidade é o assunto do século 21 e os pequenos negócios não poderiam ficar de fora dessa agenda. Na conferência mundial, vamos incentivar não apenas a criação de "empresas verdes", mas também a adoção de medidas simples que impactam no bolso dos empresários, com a redução de custos, e na preservação do meio ambiente. Nosso foco é demonstrar aos empreendedores individuais, micro e pequenos empresários que o lucro não é contraditório à sustentabilidade.

Os pequenos negócios representam hoje mais de 90% dos empreendimentos no Brasil, 53% dos empregos com carteira assinada e têm 25% de participação no PIB. Os números revelam a importância das MPEs na economia."
Luiz Barretto, presidente do Sebrae

Quanto deste universo de pequenos e médios empreendedores já consegue entender a sustentabilidade como fator estratégico para a existência de seus negócios?

Em recente sondagem feita pelo Sebrae sobre sustentabilidade nos pequenos negócios, verificamos que 46% dos micro e pequenos empreendedores já entendem que a questão ambiental representa uma oportunidade de ganhos. Outros 48% conhecem empresas que preservam o meio ambiente, ou seja, sabem que o mercado está praticando, sabem que seu concorrente já tem prática sustentável. Isso é uma enorme motivação para o empresário se movimentar, para tornar sua empresa sustentável. Ao mesmo tempo em que ajuda sua empresa, ajuda também o planeta.

O que ainda é necessário para que o debate sobre sustentabilidade saia do plano teórico e chegue à prática entre pequenos e médios empreendedores?

A mudança de comportamento é exigida tanto dos cidadãos quanto das empresas. O que estamos reforçando é que esse debate não pode de forma alguma ficar restrito às grandes empresas e ao governo. As micro e pequenas empresas são a base da economia, elas representam 99% das empresas brasileiras e não podem ficar de fora dessa agenda do desenvolvimento sustentável.

Qual o papel do Sebrae nesta causa?

O Sebrae oferece consultorias e aproxima universidades, laboratórios e instituições que oferecem tecnologias verdes das micro e pequenas empresas, por meio de programas como o Sebraetec. E ainda dá subsídio de até 90% dos custos que a empresa precisa para adotar tecnologias sustentáveis. Em convênio com a ABNT, também vamos lançar na Rio+20 a norma 14005 com diretrizes específicas para micro e pequenas empresas implantarem um Sistema de Gestão Ambiental. E graças ao convênio entre o Sebrae e a ABNT, o empresário paga apenas um terço do valor da norma. Essas são formas de viabilizar a inserção das micro e pequenas empresas nas práticas sustentáveis.

Quais os principais obstáculos que o empreendedor encontra quando deseja incorporar a sustentabilidade ao seu negócio? 

O caminho para a sustentabilidade é amplo e multifacetado. A capacidade operacional das MPEs é pequena face às diversas práticas sustentáveis existentes, mas esses obstáculos não podem fazer com que o empreendedor deixe de aprimorar seu negócio. O custo pode ser um impedimento inicial, mas, em longo prazo, o investimento valerá a pena. Trocar uma geladeira antiga por uma mais nova que gaste menos energia é mais lucrativo para o empreendedor. Novos equipamentos barateiam o custo da produção. É necessário vencer a barreira cultural de que só dá para continuar fazendo as coisas como sempre se fez.

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Espaço Sebraetec na Rio+20/Foto: Guilherme Lima

Que políticas públicas e incentivos à inovação e tecnologia são necessários para pequenos e médios aderirem à sustentabilidade?

Uma das medidas que poderá incentivar o desenvolvimento de negócios sustentáveis é o pacote lançado recentemente pelo governo federal, que dá preferência às compras governamentais às micro e pequenas empresas. A cada ano, o governo federal adquire R$ 15 bilhões em produtos e serviços fornecidos pelas MPEs. A partir de agora, as compras públicas deverão seguir critérios de sustentabilidade, o que abre mercado para as empresas que adotam práticas sustentáveis ou pelo menos será um grande incentivo para aderir a este conceito.

Como as MPEs, que procuram a consultoria do Sebrae, têm conseguido incorporar a sustentabilidade como tema transversal aos seus negócios?

Atualmente, temos mantido o foco especialmente sobre os temas da Eficiência Energética e de Gerenciamento de Resíduos Sólidos. Um deles é o de uma lavanderia no Mato Grosso que, com controle do consumo de água, energia e outros insumos, reduziu os custos diretos em 16,5% e aumentou o lucro médio mensal em 89%. Esse é apenas um exemplo, mas imagine milhares de lavanderias no Brasil adotando a mesma estratégia. O impacto é positivo para os negócios e, ao mesmo tempo, para o planeta. Por isso é que o mote do Sebrae na Rio+20 é de que o desenvolvimento sustentável representa um planeta de oportunidades.

Qual o perfil das MPEs que hoje, no Brasil, têm a preocupação com sustentabilidade em seu radar? 

As novas gerações já estão sendo habituadas a um novo padrão globalizado de consumo, o que significa dizer que, no futuro próximo, a conscientização de consumidores e empresários sobre ações sustentáveis será mais simples. Isso não ocorre com a população adulta de hoje, que, na maioria dos casos, demanda uma mudança cultural significativa para dar a devida dimensão ao tema. Mas o cenário está mudando, felizmente. Basta ver como nossos filhos e netos são mais interessados e dispostos a falar em sustentabilidade e torná-la presente no seu cotidiano. A boa notícia é que muitos empreendedores de pequeno porte já realizam ações nessa direção: 70,2% realizam coleta seletiva de lixo; 72,4% controlam o consumo de papel; 80,6% controlam o consumo de água; 81,7% controlam o consumo de energia e 65,6% dão destinação adequada aos resíduos tóxicos, como solventes, produtos de limpeza e cartuchos de tinta.

Como as MPEs têm sido inseridas no contexto desta chamada Nova Economia?

A sustentabilidade é hoje um nicho de mercado, mas futuramente será um padrão e, considerando que 99% das empresas brasileiras são micro ou pequenas, não há como manter esse segmento fora da agenda do desenvolvimento sustentável. Evidentemente, as grandes empresas estão sintonizadas com esta tendência e os padrões de exigência ambientais, públicos ou privados, cada vez mais rigorosos na maior parte do mundo.

Essa inserção é  promovida por pressão do consumidor ou das grandes empresas, cujas políticas de responsabilidade social exigem práticas sustentáveis de sua cadeia de fornecedores?

O atual mercado consumidor está mais exigente e consciente dos riscos gerados pelas atividades humanas, que ameaçam as condições futuras de vida no nosso planeta. Desta forma, dão preferência a marcas e produtos obtidos a partir de processos com menor impacto ambiental e que geram ganhos sociais e econômicos. Ou seja, há mercado em expansão para empresas que adotem práticas sustentáveis. O foco do Sebrae é mostrar que os pequenos negócios precisam estar sintonizados com as demandas da economia e hoje o mercado demanda práticas sustentáveis.

- Conheça o edital do Sebraetec (Em .pdf) -

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