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Economia e Política

18 de Junho de 2012

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Índice de Riqueza Inclusiva aponta Brasil como o quinto país mais sustentável

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Apesar do bom desempenho brasileiro, a Amazônia perdeu 331.290 km² de cobertura vegetal devido ao desmatamento ilegal, no período analisado pelo índice/Foto: lubasi

Um novo indicador que vai além dos parâmetros econômicos e de desenvolvimento tradicionais do Produto Interno Bruto (PIB) e do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para incluir uma ampla gama de ativos como o capital manufaturado, humano e natural, mostra aos governos a verdadeira situação da riqueza das suas nações e a sustentabilidade de seu crescimento. Assim é o Índice de Riqueza Inclusiva (IRI), lançado no domingo, 17 de junho, pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), durante a Rio+20.

O Brasil é o país com o quinto maior crescimento sustentável anual per capita do mundo, segundo o IRI, atrás apenas de China, Alemanha, França e Chile, e à frente de potências econômicas como Estados Unidos, Canadá e Noruega.

A principal meta do novo indicador é incentivar a sustentabilidade dos governos e complementar o cálculo do PIB (que só tem viés econômico) ou mesmo substituir os atuais medidores da economia. O índice aplica informações referentes ao capital humano, natural e manufaturado de 20 países, que juntos representam quase três quartos do PIB mundial e 56% da população do planeta, de 1990 a 2008.

Desenvolvido por especialistas da Universidade das Nações Unidas, a ferramenta reúne informações referentes à educação e expectativa de vida, os recursos florestais, além da produção industrial. Na prática, um país com IRI alto representa que ele é mais sustentável.

Perda de capital natural

O Brasil teve o IRI de 0,9 no período, o quinto no ranking da ONU, se igualando a Japão e Reino Unido. Nos 19 anos medidos, o PIB brasileiro cresceu 34%, o capital humano aumentou 48% e o capital manufaturado, 8%. Já o capital natural seguiu na contramão, caindo 25%. A justificativa do relatório é que a queda foi causada pelo avanço no desmatamento das florestas e ao aumento das atividades agropecuárias.

No período analisado, por exemplo, a Amazônia perdeu 331.290 km² de cobertura vegetal devido ao desmatamento ilegal – uma área equivalente a mais de sete vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro.

Apesar de registrar crescimento do PIB, China, Estados Unidos, África do Sul e Brasil aparecem com tendo esgotado significativamente seu capital base natural, a soma de um conjunto de recursos renováveis e não renováveis, como combustíveis fósseis, florestas e pesca.

Durante o período avaliado, os recursos naturais per capita diminuíram em 33% na África do Sul, 25% no Brasil, 20% nos Estados Unidos e 17% na China. Das 20 nações pesquisadas, somente o Japão não sofreu diminuição do capital natural, devido a um aumento da cobertura florestal.

Se medido pelo PIB, que é o indicador mais comum para a produção econômica, as economias da China, Estados Unidos, Brasil e África do Sul cresceram respectivamente 422%, 37%, 31% e 24% entre 1990 e 2008. No entanto, quando seu desempenho é avaliado pelo IRI, as economias chinesas e brasileiras aumentaram apenas 45% e 18%. Os Estados Unidos cresceram apenas 13%, enquanto a África do Sul teve um decréscimo real de 1%.

"O IRI faz parte de uma gama de substitutos potenciais que líderes mundiais podem levar em conta como forma de dar mais precisão à avaliação da geração de riqueza para concretizar o desenvolvimento sustentável e erradicar a pobreza”, destacou Achim Steiner, diretor executivo do Pnuma. Ele vê a Rio+20 como uma oportunidade para abandonar o Produto Interno Bruto como medida de prosperidade no século 21 e como barômetro de uma transição para uma Economia Verde inclusiva. "O PIB não serve para medir o bem-estar humano, ou seja, as muitas questões sociais e a situação dos recursos naturais de uma nação”, justificou.

As principais conclusões do IRI são:

  • Enquanto 19 dos 20 países sofreram declínio no capital natural, seis também observaram declínio na sua riqueza inclusiva, colocando-os em uma faixa insustentável: Rússia, Venezuela, Arábia Saudita, Colômbia, África do Sul e Nigéria foram os países que não conseguiram crescer. Os outros 70% dos países mostram crescimento do IRI per capita, indicando sustentabilidade.
  • O alto crescimento populacional em relação ao crescimento do IRI criou condições insustentáveis em cinco dos seis países mencionados acima. A falta de crescimento da Rússia é devida em grande parte a uma queda no capital manufaturado.
  • Descobriu-se que 25% dos países que mostraram uma tendência positiva quando medido pelo PIB per capita e pelo IDH, computaram IRI per capita negativo. O principal impulsionador da diferença de desempenho foi o declínio no capital natural
    Com exceção da França, Alemanha, Japão, Noruega, Reino Unido e Estados Unidos, todos os países pesquisados têm uma maior participação do capital natural em relação ao capital manufaturado, o que destaca sua importância.
  • O capital humano tem aumentado em todos os países e é a forma de capital eleita para compensar a diminuição do capital natural na maioria das economias.
  • Há sinais claros de permuta entre as diferentes formas de capital.
  • Inovação tecnológica e/ou ganhos de capital com petróleo (devido ao aumento dos preços) superam o declínio do capital natural e os danos das mudanças climáticas, fazendo com que uma série de países - Rússia, Nigéria, Arábia Saudita e Venezuela - passem de uma trajetória insustentável para uma sustentável.
  • As estimativas de riqueza inclusiva podem melhorar significativamente com melhores dados sobre as reservas de capital natural, humano e social e seus valores para o bem-estar humano.

O relatório, que será produzido a cada dois anos, faz as seguintes recomendações específicas:

  • Países que observam retornos decrescentes no capital natural devem investir em capital natural renovável para melhorar o seu IRI e o bem-estar dos seus cidadãos. Exemplos de investimentos incluem reflorestamento e biodiversidade agrícola.
  • As nações devem incorporar o IRI nos ministérios de planejamento e desenvolvimento para incentivar a criação de políticas sustentáveis.
  • Os países devem acelerar o processo de transição de uma estrutura contábil baseada em renda para uma estrutura contábil de riqueza.
  • As políticas macroeconômicas devem ser avaliadas com base no IRI, em vez do PIB per capita.
  • Governos e organizações internacionais devem estabelecer programas de pesquisa para calcular os principais componentes do capital natural, particularmente ecossistemas.

A classificação do relatório (que leva em conta a evolução anual do IRI per capita) ficou da seguinte forma:

1º China - 2,1

2º Alemanha - 1,8

3º França - 1,4

4º Chile - 1,2

5º Brasil - 0,9

" Índia - 0,9

" Japão - 0,9

" Reino Unido - 0,9

9º Noruega - 0,7

" Estados unidos - 0,7

11º Canadá - 0,4

" Equador - 0,4

13º Austrália - 0,1

" Quênia - 0,1

15º Colômbia - -0,1

" África do Sul - -0,1

17º Rússia - -0,3

" Venezuela - -0,3

19º Arábia Saudita - -1,1

20º Nigéria - -1,8

A Rio+20 segue até o dia 22 de junho, na capital fluminense.

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