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Água

15 de Março de 2012

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Acesso à água potável e ao saneamento segue como desafio global

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A estimativa é que até 2015, 92% da população global tenha acesso à água potável melhorada/Foto: Hallenser

Águas escuras dos rios/
Que levam a fertilidade ao Sertão/
Águas que banham aldeias/ 
E matam a sede da população... 

Enaltecer a importância da água é o principal sentido da famosa canção Planeta Água, de autoria de Guilherme Arantes. Não é para menos, afinal, é impossível para as espécies sobreviver sem esse recurso natural. O EcoD inicia nesta quinta-feira, 15 de março, uma série de matérias especiais sobre o Dia Mundial da Água, que será lembrado na próxima semana (22). O primeiro tema abordado é o acesso à água potável e ao saneamento, um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) estabelecidos pela ONU.

Fazer com que a água limpa, indispensável para a higiene pessoal e irrigação dos alimentos, só para citar alguns exemplos, atenda aos mais de 7 bilhões de habitantes do mundo é um sonho quase que utópico. Mas também é verdade que há avanços. Mais de 2 bilhões de pessoas passaram a ter acesso a fontes de água de melhor qualidade, com abastecimento canalizado e poços protegidos. No fim de 2010, 89% da população mundial, o equivalente a 6,1 bilhões de pessoas, usaram fontes melhoradas de água potável - acima da meta dos 88% traçados pelos ODM.

Os dados são do relatório intitulado Programa de Monitoramento Conjunto para o Abastecimento de Água e o Saneamento, elaborado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e foram divulgados no dia 5 de março.

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Tropas norte-americanas distribuem água no Haiti, após terremoto que atingiu o país em 2010/Foto: Logan Abassi/UN

No entanto, o documento alerta que o mundo ainda está longe de atingir a meta de saneamento. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu que é necessário manter os esforços para avançar: “[É preciso] assegurar que todas as pessoas tenham acesso aos mesmos".

O relatório aponta também as fragilidades das áreas rurais, ao evidenciar que, nos países menos desenvolvidos, 97 em cada 100 pessoas carecem de água canalizada e 14% da população bebem água de superfície – dos rios, das lagoas e dos lagos. Lançado simultaneamente em Genebra (Suíça) e Nova York (Estados Unidos), o documento analisa o período de 1990 a 2010.

Desafios que seguem

A estimativa é que até 2015, 92% da população global tenha acesso à água potável melhorada. Mas, pelo menos 11% da população mundial, o equivalente a 783 milhões de pessoas, continuam carentes de tal recurso. De acordo com os dados, 1,1 bilhão de pessoas continua sem redes de esgoto, e cerca de 4 mil crianças morrem diariamente por doenças diarréicas associadas à falta de qualidade da água.

"Os números são ainda chocantes”, ponderou o diretor executivo do Unicef, Anthony Lake. "Mas os progressos anunciados demonstram que as metas dos ODM podem ser alcançadas, com vontade, esforço e fundos", acrescentou.

A Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, em 28 de julho de 2010, a resolução que reconhece o acesso à água potável e ao saneamento básico como um direito de todo ser humano. O documento foi votado à época pelos países-membros na Assembleia Geral. Anualmente, a relatora independente do órgão, Catarina de Albuquerque, apresenta um balanço sobre o tema em nível mundial.

Com base no relatório, apenas 63% da população mundial têm acesso a saneamento de qualidade. A previsão é que até 2015 esse percentual atinja 67%. "Melhorar a qualidade da água, do saneamento e das condições de higiene é fundamental para promover a saúde humana e o desenvolvimento", observou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.

Em entrevista recente ao portal UOL, Benedito Braga, presidente do Comitê Internacional do Fórum Mundial da Água (realizado na França até o próximo sábado - 17), acredita que o saneamento básico é, ao mesmo tempo, um dos maiores problemas da água hoje no mundo e também uma grande solução.

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ASA: iniciativa brasileira é referência latino-americana em combate à escassez de água/Foto: Reprodução

"Existem problemas de escassez, causada pelo clima, e falta de acesso, que é complicado em função da necessidade de investimento. Mas há ainda um terceiro que é o problema da qualidade da água. Não é só a quantidade e o acesso, mas o não tratamento dos esgotos, principalmente domésticos, traz consequências desagradáveis para a população. Temos a maioria de nossos rios comprometidos", observou Braga ao UOL.

O especialista lembrou que o problema do saneamento traz complicações de saúde pública, pois a mortalidade infantil é principalmente causada por doenças de veiculação hídrica, como a diarreia, que mata algo como 30 milhões de crianças ao ano. "Posso dizer ainda que R$ 1,00 aplicado em saneamento significa a economia de investimento em saúde pública de R$ 7,00 até R$ 15,00", acrescentou Braga.

Projeto brasileiro combate a escassez

Três iniciativas latino-americanas de gestão sustentável e democrática da água integram a publicação Modelos de Governabilidade Democrática da Água na América Latina, divulgada pela Fundação Avina, em setembro de 2011. Entre elas está reportada a experiência da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), que reúne uma série de organizações em parceria com o poder público a fim de viabilizar o programa Um Milhão de Cisternas. A iniciativa desenvolvida no Nordeste está concentrada em uma das áreas mais áridas do continente, onde habitam 36 milhões de pessoas.

O programa consiste na instalação de cisternas capazes de captar a água da chuva sobre o teto das casas. A água captada é armazenada em tanques de 16.000 litros para ser utilizada, posteriormente, no consumo. Atualmente, a ASA já beneficiou mais de 1,8 milhão de pessoas no semiárido brasileiro, por meio da construção de 350.000 cisternas.

Os outros dois exemplos citados no livro da Avina são o das Organizações Comunitárias de Serviços de Água e Saneamento (OCSAS), que tem âmbito continental, e o da Matanza Riachuelo, na Argentina.

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