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11 de Outubro de 2012

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Alto custo dificulta o descarte de lâmpadas, afirma Eduardo Sebben

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Segundo Eduardo Sebben, o descarte da lâmpada custa quase metade do valor do produto
Fotos: Divulgação

O Brasil é o quarto país que mais consume lâmpada fluorescente no mundo. Atrelado ao grande consumo está um grande número de descartes. E aí é que tá o problema. Onde descartar tantas lâmpadas?

O país descarta corretamente 15 milhões de lâmpadas por ano em um cenário de 250 milhões comercializadas no país. Esses são os números que Eduardo Sebben, diretor superintendente da Apliquim Brasil Recicle, empresa especializada em coleta, descontaminação e reciclagem de lâmpadas fluorescentes, apresentou em entrevista ao EcoD. O empresário e biólogo, falou também sobre o processo atual de descarte de lâmpadas fluorescentes no Brasil e os desafios a superar, tais como a falta de consenso entre fabricantes e importadores sobre o modelo de logística reversa a adotar.

Portal Ecodesenvolvimento.org: Como funciona o descarte de lâmpadas no Brasil?

Eduardo Sebben: Hoje isso é feito em sua maioria por empresas como indústrias, hospitais, universidades, lojas, prefeituras, que recebem lâmpadas e descartam para empresas de reciclagem. Funciona numa relação, consumidor - empresas geradoras dos resíduos - indústria de reciclagem. Hoje não funciona como se prevê na Política Nacional de Resíduos Sólidos, onde obriga todos os fabricantes a darem a destinação correta. Quem nos contrata é porque tem alguma responsabilidade, é porque tem alguma certificação e deseja dá uma destinação adequada pra seus resíduos.

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A forma de armazenamento das lâmpadas no momento do descarte é essencial para evitar contaminação

Você acha que o processo atual de descarte de lâmpada funciona bem?

No nosso ponto de vista não. Hoje a gente tem ainda muita lâmpada sendo descartada inadequadamente. O cliente ainda não organiza seu estoque, muitas lâmpadas são quebradas no meio do caminho, tudo isso prejudica muito o contexto do descarte de lâmpada no Brasil.

No entanto o país está tramitando para avançar no descarte correto de lâmpada fluorescente, comparado a outros países da América Latina, agente vai bem, porque pelo menos existe. Mas analisando o cenário interno a gente percebe que ainda precisamos avançar muito para então dizer que o descarte correto de lâmpada no Brasil funciona bem.

Em sua opinião o que é preciso ser feito para melhorar esse processo?

É preciso fazer bastante coisa. Tem a esfera política, a questão da Política Nacional de Resíduos Sólidos, de implementar, responsabilidade dos fabricantes do importador da lâmpada de toda cadeia de distribuição da lâmpada, tem a esfera econômica, ou seja, alguém tem que custear esse descarte. Porque você acha que a maioria do cidadão hoje não descarta corretamente essa lâmpada? Porque custa! Diferentemente de resíduos e recicláveis em geral a lâmpada flourescente você não compra ela do gerador do resíduo, você tem que cobrar dele, porque o processo de descontaminação além do custo logístico é oneroso. Não é a venda do alumínio e vidro que cobre todo o custo operacional de controle e monitoramento relacionado ao mercúrio.

Diferentemente de resíduos e recicláveis em geral a lâmpada flourescente você não compra ela do gerador do resíduo, você tem que cobrar dele, porque o processo de descontaminação além do custo logístico é oneroso."
Eduardo Sebben, empresário

Tem a esfera econômica que precisa ser avançada no sentido de melhorar as tecnologias de descontaminação de lâmpadas para que os custos se minimizem. Mas também ampliar a coleta para que se aumente o volume, e a escala consiga favorecer a minimização de custos da reciclagem. E também alguém tem que custear esse descarte que é o que está previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos. Dentro da esfera ambiental o que precisa ser melhorado é toda conceituação de que lâmpada é um resíduo perigoso e que assim como o óleo de cozinha não pode ser jogado na pia a lâmpada também não pode ser jogada no lixo. A gente não vê muito esse papel de conscientização no nosso mercado hoje. Isso também precisa ser melhorado dentro do aspecto ambiental. A conscientização as normatizações do nosso mercado, aonde vemos um cenário muito desagregado, onde tem muita informação técnica despeça sem uma regulamentação nacional pra o licenciamento. Par se licenciar em São Paulo é uma coisa, no Paraná é outra.


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O custo de descontaminação é alto, o que impede a gratuidade do descarte 

Os pequenos comerciantes alegam ter dificuldades ao contratar empresas de reciclagem, pois afirmam esbarrar em altos custos. Segundo um comerciante uma lâmpada recuperada chega a custar R$ 1,20. Como funciona essa relação comerciante e empresas de reciclagem?

O comerciante faz parte da cadeia de distribuição de lâmpada. A responsabilidade de recolher a lâmpada é do fabricante dos importadores ou de quem coloca essa lâmpada no mercado. Agora essas empresas sem a sua cadeia de distribuição ela não consegue recolher lâmpada. Então, ou seja, o mecanismo de coleta de lâmpada é através do comerciante, é através da loja, é através de um eco-ponto como muitas prefeituras têm chamado. Eles são fundamentais na facilitação do processo de coleta de lâmpadas e eles são o elo entre o cidadão e a empresa de reciclagem. Só que hoje, os custos são cobertos por eles, são eles que pagam pelo aspecto ecológico, pelo marketing, eles que acabam costeando o descarte, e é aí que eles deixam de se interessar. Imagine que supostamente uma lâmpada custe R$4,00, o custo de descarte dessa lâmpada chega a custar R$1,50.

O que você acha sobre os consumidores costearem o preço da reciclagem?

Fizemos uma campanha justamente nesse sentido, a "Recicla Lâmpada", onde a ideia era: Leve sua lâmpada até a loja e acerte com o lojista os custos do descarte. O feedback dos lojistas é que ninguém quer pagar. A maioria propusera sugestões como: Se eu gastar R$ 300,00 de mercadoria você recebe minha lâmpada?
Essa é uma moeda de troca que não pode existir para a logística reversa funcionar. Precisamos de um volume muito grande pra viabilizar o processo, e tem muita lâmpada, mas, não tem quem pague pra enviar essa lâmpada para a reciclagem.

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Quais as principais dificuldades para a destinação correta das lâmpadas?

A dificuldade é que não existem pontos de coleta. Por exemplo, onde é que você leva a lâmpada? Pneus, pilhas e baterias entre outros já existem seus programas e estrutura custeadas pelos fabricantes e importadores, já as lâmpadas não. Além de tudo tem a dificuldade da conscientização das pessoas sobre o problema também. Será que se eu disser para dona Maria que ela pode levar sua lâmpada a uma loja, ela vai levar? Porque aí entra a consciência e a responsabilidade do cidadão de levar, porque se ele não levar no ponto de entrega a Logística Reversa de lâmpadas nunca vai funcionar.

O valor da reciclagem é quase 30 a 40% o valor de uma lâmpada nova"
Eduardo Sebben, empresário

O custo é o que acaba também impactando muito o cenário, uma das maiores dificuldades para se estabelecer a logística reversa. Custa muito caro, o valor da reciclagem é quase 30 a 40% o valor de uma lâmpada nova. A logística também é cara.

Por exemplo, no início a campanha "Recicla Lâmpada" foi bombástica, mas depois ela foi perdendo seu entusiasmo e sua força porque começou a discussão, os comerciantes falavam “ah eu to vendo que isso ñ é muito meu papel, precisamos de um parceiro para ajudar a custear porque se eu pagar sozinho fica muito caro, eu não ganho tanto na lâmpada para custear o descarte”,etc. Então essa relação de comércio e indústria de reciclagem ela ainda tem muitos entraves. Essencialmente econômicos. Porque as lojas nos procuram querendo fazer uma super campanha de marketing ecológico só que o que acontece é que quando apresentamos os custos, aí eles desistem, dizem que os custos não podem ser só delas. E aí elas recorrem ao seu fabricante, mas eles ainda não estão costeando enquanto não tiver a política da Logística Reversa implementada.

Para onde são destinados os componentes das lâmpadas na hora da reciclagem?

Os vidros são encaminhados para indústrias de pisos e cerâmicos, já o alumínio e sucatas vão parar nas indústrias de reciclagem de metais, o pó é direcionado as indústrias de cerâmicos de vasos e pias como agregado na matéria prima deles. O mercúrio vai para as indústrias de termômetros, equipamento de pressão e eletroeletrônica.

Pretendemos reciclar o máximo possível. Atualmente estamos com um projeto de recuperação de alguns elementos raríssimos que está dentro do pó de fósforo das lâmpadas. Não queremos perder nada.

 

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