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10 de Dezembro de 2013

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Recém-eleito presidente do C-40, Eduardo Paes acredita na "diplomacia das cidades"

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Paes é o primeiro prefeito de um país emergente a presidir o C-40
Foto: Tomaz Silva/ABr

Como não bastasse gerir uma das maiores cidades da América Latina, sede de megaeventos como a final da Copa do Mundo de futebol, em 2014, e das Olimpíadas e Paraolimpíadas em 2016, o prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes acaba de acrescentar mais um desafio ao seu currículo: conduzir um grupo de 63 grandes cidades ao redor do mundo rumo à adaptação e mitigação às mudanças climáticas.

Quando foi criado, em 2005, pelo ex-prefeito de Londres, Ken Livingstone, o C-40 tinha 18 cidades. Atualmente, já possui 63 e diversas pretendentes.

Paes foi anunciado como próximo presidente do grupo C-40 no dia 26 de novembro. Quarto prefeito a presidir a organização (o primeiro de uma metrópole emergente), ele conduzirá a próxima reunião que será realizada em Joannesburgo, na África do Sul, em fevereiro de 2014.

O prefeito do Rio sucederá o ex-prefeito de Nova York Michael R. Bloomberg, que à frente do C-40, nos últimos três anos, implantou diversas medidas ousadas em relação à sustentabilidade na "Big Apple". Bloomberg continuará como presidente do conselho do grupo.

A nomeação do prefeito do Rio, contudo, não foi bem recebida por todos. Ativistas questionaram a legitimidade de Paes no cargo, visto que o prefeito do Rio teria autorizado a construção de um campo olímpico de golfe em uma área de proteção ambiental (APA Marapendi). Os ambientalistas criaram o movimento "Golfe para Quem?".

O EcoD entrevistou (por e-mail) o novo presidente do C-40. A pergunta sobre as críticas do movimento "Golfe para Quem?" foi a única que, uma semana depois de enviada, deixou de ser respondida. Fique por dentro da conversa com Eduardo Paes:

O senhor foi eleito presidente do C-40, rede que reúne as grandes cidades do mundo em busca de soluções para a urbanização e às mudanças climáticas. A última reunião na Rio+20 contribuiu para isso? Qual é a expectativa do senhor para esse mandato?

O Rio é a primeira cidade de um país em desenvolvimento do Hemisfério Sul a assumir a presidência do C-40 - e essa escolha comprova a importância que o Rio está ganhando no cenário mundial. A cidade vive grandes transformações e passou a receber um olhar mais atento do mundo. A realização de grandes eventos, como a Rio+20, contribuiu para isso. Assumir a presidência do C-40 revela um pouco dessa capacidade de transformação do Rio. Durante os meus três anos de mandato, a expectativa é de aprofundar o trabalho de trocar experiências e aprendizados para que possamos lidar principalmente com as mudanças climáticas.

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Reunião entre Paes e Bloomberg
Foto: Ricardo Cassiano/Divulgação

Quais são as contribuições que a sua nomeação deve trazer para o Brasil? O senhor acredita que essa representatividade vai ajudá-lo a difundir as ideias da organização nas cidades brasileiras?

É uma oportunidade fantástica para o Rio e para o Brasil. O principal desafio é a implantar a cultura da resiliência, que é a capacidade de entendermos que as mudanças climáticas vão acontecer e como elas impactam nas cidades. É preciso entender que nem todos os problemas serão resolvidos, mas que é necessário conviver e se adaptar às mudanças climáticas. Como carioca e brasileiro, acredito que ajudarei a difundir essas ideias no país, aproximando também as cidades de países em desenvolvimento.

Uma das medidas mais promissoras acordadas na Rio+20, em junho de 2012,  foi o compromisso da rede de cidades que compõem o C-40 quanto à redução de emissão carbono até 2030, com metas e tarefas para cada uma. Nos últimos cinco anos, foram mais de cinco mil ações climáticas realizadas pela rede. Iniciativas que, até 2020, quando estiverem completamente implementadas, reduzirão 248 milhões de toneladas de emissões de gases de efeito estufa em todo o mundo – percentual equivalente ao emitido pela Argentina e por Portugal juntos. O principal objetivo da entidade é implementar estratégias para redução das emissões de carbono nas megacidades e ampliação da resiliência das comunidades locais. 

 O que significa para o senhor suceder Bloomberg, que ousou bastante nas medidas que implantou em Nova York e alçou a "Big Apple" ao posto de uma das cidades mais sustentáveis do mundo?

Sem dúvida, o prefeito Bloomberg assumiu posições de vanguarda na defesa da sustentabilidade. E esse é um legado importante. Afinal, todas as grandes cidades passam por experiências muito similares. Cada vez mais existem conflitos de uma grande cidade na questão da mudança do clima, no manejo da cidade, na mobilidade, na briga das cidades com o uso de automóvel, uma necessidade da cidade por transporte de mais qualidade, como lidar com resíduos sólidos. Com essas mudanças e com os efeitos das mudanças climáticas, essas experiências são muito iguais, independentemente se é uma cidade rica, de um país de primeiro mundo ou em um país em desenvolvimento como o Brasil. Por isso, o processo de intercâmbio entre essas cidades é fundamental. E o C-40 faz isso: estimula e ajuda a troca de experiências.

As ações  promovidas pelo C-40 têm o potencial de diminuir os gases poluentes em mais de 1 bilhão de toneladas até 2030, quantidade similar as emissões de México e Canadá.

O senhor também pretende fazer do Rio um modelo? Se sim, quais as medidas o senhor destacaria para isso?

Ao mesmo tempo em que possui características semelhantes a outras metrópoles, o Rio também tem suas especificidades. Nova York, por exemplo, foi atingida pelo furacão Sandy. Já no Rio, temos as enchentes permanentes. Nesse sentido, nossa experiência positiva de resiliência é o Centro de Operações da Prefeitura do Rio. Identificamos as áreas onde há risco de deslizamentos e alertamos as pessoas por meio de um sistema de sirenes. Essa experiência pode ser replicada para outras cidades do C-40. Outra medida importante são os BRTs, que vão aumentar enormemente a capacidade de passageiros em transporte de alta capacidade, diminuindo o número de ônibus nas ruas, reduzindo os engarrafamentos e emitindo menos dióxido de carbono (CO2).

Ao saber da nomeação, o senhor declarou que era uma oportunidade fantástica, pois o prefeito vive o dia a dia das pessoas. Em um mundo onde as grandes negociações multilaterais não avançam muito, a exemplo da COP-19 e da própria Rio+20, cabe as grandes cidades alavancar um novo modelo de desenvolvimento mais sustentável?

No mundo de hoje, cada vez mais as cidades assumem um protagonismo maior. A Rio+20, que envolveu chefes de Estado, não chegou a nenhum avanço concreto. A reunião do C-40, realizada no mesmo período (também no Rio), foi diferente, uma vez que estabeleceu metas. Um exemplo é o compromisso firme de reduzir a emissão de carbono ate 2030, com tarefas para cada cidade. Isso é possível porque as cidades têm uma capacidade muito grande de decisões, pois os prefeitos vivem o dia a dia das pessoas. É o que chamo de diplomacia das cidades. Tanto que a própria ONU nos convidou para fazer parte oficialmente da COP em Paris [Conferência sobre Mudanças Climáticas que será realizada em 2015].

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