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Ciência e Tecnologia

02 de Janeiro de 2013

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Antropoceno: uma nova era marcada pela destruição humana

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Impacto da ação humana nos ciclos naturais já seria considerado suficiente para iniciar uma nova era geologica
Foto: Gustavo Vara 

Mudanças climáticas, alteração no uso do solo, exploração excessiva dos recursos naturais, extinção em massa de biodiversidade, acidificação dos oceanos e perturbação dos ciclos naturais. Tudo isso causado por apenas uma espécie, aquela que foi classificada como sapiens sapiens pela sua capacidade singular de raciocinar. Estaríamos mesmo vivendo o Antropoceno, ou “A idade recente do Homem”, uma nova era geológica, marcada pelo impacto da espécie humana no planeta Terra?

A humanidade já ultrapassou quatro das nove barreiras do planeta que mantêm o sistema equilibrado e funcionando como o conhecemos: o da biodiversidade, da mudança climática, do ciclo de nitrogênio e do fósforo. 

Longe ainda de uma conclusão sobre o tema, a comunidade cientifica teme que sim. Depois de 12 mil anos do início da última era na escala de tempo do planeta, o Holoceno, o debate sobre o tamanho do impacto humano sobre os ciclos naturais da Terra continua acalorado na Comissão Internacional sobre Estratigrafia, responsável por analisar as marcas da passagem de tempo no planeta.

O diretor da comissão, o geólogo inglês Jan Zalasiewicz, declarou que, mesmo sendo cedo para dizer se o termo será formalmente aceito, não há dúvida de que vivemos em um planeta moldado pela ação do homem.

Exagero?

O termo, cunhado em 2002 pelo químico Paul Crutzen, Nobel de Química em 1995 por seus estudos sobre a camada de ozônio na atmosfera, pode parecer um pouco exagerado a principio – afinal, se a história da Terra fosse compactada nas 24 horas de um dia, o homem moderno só surgiria três segundos antes da meia-noite.

No entanto, as mudanças causadas no planeta pela nossa espécie apontam que não. Diversos estudos, publicados nos últimos anos, indicam uma profunda mudança nos ciclos de carbono, nitrogênio e fósforo, além do hidrológico. A mais famosa entre a comunidade cientifica é a liderada pelo hidrólogo sueco Johan Rockström.

Junto a uma equipe de 28 cientistas, Rockström publicou em 2009, na revista Nature, um estudo comprovando que a humanidade já ultrapassou três de nove barreiras do planeta que mantêm o sistema equilibrado e funcionando como o conhecemos: o da biodiversidade, da mudança climática e do ciclo de nitrogênio, este por conta do uso excessivo de fertilizantes. O ano de 2012 também teria marcado a superação do limite do fósforo. Com as emissões anuais de CO2 na casa das 40 bilhões de toneladas, o de carbono também está próximo de ser atingido.

A versão completa do estudo, em inglês, pode ser acessada no site Ecology and Science, e um vídeo do pesquisador explicando mais essa história pode ser assistido no TED abaixo.

Classificação

O grande impasse no estabelecimento da existência ou não do Antropoceno está, justamente, na escala geológica. A marcação anterior das eras se deu nos últimos 300 anos baseada nas camadas de sedimentos em rochas e geleiras, acumuladas ao longo de milhões de anos. Assim, a grande pergunta é se é possível anunciar uma época exatamente quando esta encontra-se em andamento.

Outra problemática é quando o Holoceno dá lugar ao Antropoceno. A corrente mais popular data a nova era a partir da Revolução Industrial, na segunda metade do século 18. Outros pesquisadores acreditam que o Antropoceno começou mais tarde, com a criação e intensificação de armas nucleares, entre os anos 1940 e 60. Há ainda quem prefira uma definição técnica, baseada em uma ‘fronteira’ estratigráfca específica, que evidencie mudanças causadas pela tecnologia humana e possa ser reconhecida em nível global.

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Humanidade ja teria "estourado" tres dos nove "limites" do planeta
Foto: reproduçao
 

De acordo com o climatologista Carlos Nobre, único brasileiro e um dos poucos não geólogos integrante do grupo de trabalho da comissão, este é um processo muito lento, que durara anos, talvez décadas. "Não muito diferente de quando os astrônomos começaram a discutir o caso de rebaixar Plutão da categoria de planeta", assinalou ele ao Estadão.

"Com o aumento do nível do mar, haverá um outro padrão de depósito de sedimentos. Onde hoje é continente vai virar fundo do mar, então um dia alguém perfurando essas regiões vai ver areia. Ao datar, vai ver que é do ano 2000 e indo um pouco mais ao fundo encontrará uma rocha que tem milhões de anos. Isso é uma mudança do parâmetro geológico", exemplificou Nobre.

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