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Responsabilidade Social

05 de Junho de 2013

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As prateleiras reaproveitadas


ESPECIAL MEIO AMBIENTE 2013
Do campo à cidade: Soluções para o desperdício de alimentos


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Supermercados estão investindo em parcerias para reaproveitar os alimentos desprezados pelo consumidor
Foto: Città di Modena

Depois que chegam aos supermercados e centros de distribuição, os alimentos ainda precisam vencer novas barreiras para não serem desperdiçados. Desde aquele tomate manchadinho até o quiabo "sem rabo", muitos sofrem com a desvalorização comercial, fator que mais contribui para que as redes varejistas descartem milhares de toneladas de perecíveis diariamente. "Conta muito a aparência, mesmo sabendo que a beleza deriva dos produtos químicos", afirma a dona de casa Amanda Marinho, 30 anos.

Os alimentos perecíveis são responsáveis por 70% das perdas no varejo

Embora representem cerca de 40% do faturamento das redes de supermercado, os alimentos perecíveis são responsáveis por 70% das perdas no setor, conforme dados da 11ª Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro, de 2010. Nos últimos anos, o desperdício fez com que 4,5% do movimento financeiro dessas empresas acabassem no lixo. Para tentar reverter este quadro, aos poucos, as grandes redes varejistas têm criado programas para aproveitar os produtos desprezados pelos consumidores.

Em 2012, a Walmart evitou que mais de 37 mil toneladas, o que corresponde a 52% dos resíduos sólidos de suas operações, fossem destinados aos aterros, direcionando-os para reciclagem, compostagem e produção de ração animal. "A meta global do Walmart é acabar com o envio de resíduos sólidos de suas operações a aterros sanitários até 2025", explica a assessoria de comunicação da rede.

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Perecíveis impróprios para o consumo viram adubo orgânico para a produção de laranjas com a parceria do Walmart e a Ecocitrus
Foto: Reprodução/Ecocitrus

Outras lojas ainda apostam em soluções mais simples, porém eficientes, para resolver a questão. O Grupo Carrefour, por exemplo, afirmou adotar medidas preventivas para evitar o desperdício. "Em primeiro lugar, a empresa atua no correto dimensionamento da demanda. As áreas comerciais acompanham rigorosamente a necessidade de cada unidade para atender de forma apropriada os consumidores, evitando que haja sobras", informa, em nota.

Segundo a empresa, os fornecedores de perecíveis são selecionados "cuidadosamente" e seus processos são supervisionados para evitar que os alimentos já cheguem às prateleiras sem valor comercial. O grupo informa ainda que os funcionários das lojas passam por uma formação técnica para "garantir o mínimo de desperdício e ao mesmo tempo o encaminhamento correto dos alimentos".

No Reino Unido, a cadeia de supermercados Tesco foi além e mudou a política interna do negócio: desde a forma como as datas de vencimento são exibidas, até a restrição das grandes promoções, que estimulavam o consumo desnecessário.

Reaproveitamento

A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), maior centro de abastecimento da América Latina, há dez anos procura reduzir ao máximo os resíduos gerados pela comercialização de perecíveis. Em média, 172 toneladas de frutas, pescados, legumes e verduras são destinadas, mensalmente, a 150 entidades cadastradas no banco de alimentos da instituição. Isso ajuda a reduzir para apenas 1% a quantidade de lixo que sobra das 300 mil toneladas de alimentos comercializados mensalmente no local.

A nutricionista do programa, Alessandra Figueiredo, explica que o banco de alimentos é abastecido com produtos já sem valor comercial, mas próprios para o consumo humano. "Como são alimentos já maduros, o prazo de validade é muito curto. Assim, a logística tem que ser muito rápida para evitar perdas", observa.

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Ceagesp ainda joga no lixo três mil toneladas de alimentos por mês, muitas vezes reaproveitados por catadores independentes
Foto: Blog Milton Jung

Questionada se é possível zerar a quantidade de perecíveis que vão para o lixo, Alessandra define a tarefa como "um trabalho bem complexo". Ela explica que os alimentos são recolhidos quando o banco é acionado por uma das 1.200 empresas que atuam com perecíveis na Ceagesp. "Não diria zerar, mas é possível minimizar ainda mais, se todos tiverem mais consciência”, assinala.

Doações

Outras redes também trabalham com a doação dos alimentos não comercializados. Em 357 lojas do Extra e do Pão de Açúcar, cerca de 530 toneladas de alimentos deixam de ir para o aterro todos os meses e são destinadas a aproximadamente 290 instituições. O Walmart doou, apenas em 2012, mais 1.100 toneladas de alimentos para o programa Mesa Brasil - maior banco de alimentos do país. O Cencosud também doou ao projeto mais de 160 toneladas de comida no ano passado.

Estamos abertos, mas poucas instituições nos procuram"
Adriana Castellani, coordenadora de projetos do Grupo Pão de Açúcar

Já o Carrefour, através do programa "Parceria que Alimenta", distribuiu alimentos próprios para o consumo para mais de 30 bancos de alimentos cadastrados. As 136 lojas da rede participantes do programa já distribuíram mais de mil toneladas de comida e a expectativa é que a iniciativa, criada em 2009, esteja presente em todas as lojas da rede até o final de 2013.

Além de ajudar quem precisa, as organizações também perceberam outras vantagens da doação, como a redução de custo no transporte para o descarte. “É uma oportunidade de contribuir de forma responsável para a melhoria da qualidade de vida da coletividade, mantendo um forte laço regional com nossos stakeholders”, ressalta Fábio Oliveira, coordenador do Instituto Gbarbosa.

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Parceria com bancos de alimentos garante doação de alimentos bons para o consumo, mas sem valor comercial
Foto: Arquivo Sesc

Apesar do crescimento, os bancos de alimentos ainda são vistos com desconfiança, uma vez que a legislação brasileira vigente impõe medidas judiciais à companhia doadora caso o alimento cause algum mal à pessoa que o consumir. Com isso, alguns estabelecimentos preferem descartar produtos em bom estado a doá-los. Mesmo com 18 anos de atuação do programa, a coordenadora de projetos do Grupo Pão de Açúcar, Adriana Castellani, pondera que a adesão ainda não é a ideal. “Estamos abertos, mas poucas instituições nos procuram”, conta.

 

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