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05 de Junho de 2013

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Do campo para as prateleiras


ESPECIAL MEIO AMBIENTE 2013
Do campo à cidade: Soluções para o desperdício de alimentos


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Itamar, Ítalo e Adriane Barbosa de Campos, família de produtores de Guaíba (RS)
Foto: Fabrício Barreto 

Os agricultores gaúchos Itamar e Adriane Barbosa de Campos passavam mais tempo na rua para vender seus produtos do que na própria lavoura, em Guaíba, região metropolitana de Porto Alegre. A notícia boa é que eles sabiam que seus espinafres, alfaces, rúculas, rabanetes, cebolinhas e couves eram mais vistosos do que os oferecidos nos supermercados.

A água límpida com que o casal lava a produção que colhe de seu 1,5 hectare de horta vem de poço artesiano. Dali é recolhida e enviada para os açudes. Dos açudes, vai para a irrigação da horta. "Nada é desperdiçado", destaca com entusiasmo Adriane. O esterco serve de adubo, não há uso de agrotóxicos e a correção do solo se faz com calcário.

A perda começa no campo, na seleção de sementes e mudas, no preparo do solo e na adubação”
Antonio Soares, pesquisador da Embrapa

O apoio à agricultura familiar por meio de mecanismos como o associativismo e cooperativas é defendido por Antônio Gomes Soares, pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos. Segundo ele, embora o campo responda por apenas 10% do total das perdas de alimentos no Brasil, esse desperdício não pode ser desprezado.

"A perda começa no campo, na seleção de sementes e mudas, no preparo do solo e na adubação", destaca o químico, doutor em Ciência de Alimentos. Na opinião de Antônio, a agricultura familiar é importante porque fixa o homem no campo e agrega valor. "Ele produz e você incentiva essa produção", salienta. 

Agricultura familiar vs perdas

Para minimizar o desperdício nessa área, ele propõe medidas como a reeducação e treinamento de todo o pessoal envolvido (desde o campo até a pós-colheita), manejo adequado e melhoria no tratamento antes, durante e depois da produção, sobretudo com frutas e hortaliças, que têm perdas aqui no Brasil de 30% e 35%, respectivamente.

Um estudo da organização não governamental Oxfam propõe novas maneiras de se consumir alimentos com base em princípios que incluem, também, o apoio a agricultores familiares. O desperdício é um problema global. Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) informam que 1,3 bilhão de toneladas de comida são jogadas fora por ano.

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Brasil produz 185 milhões de toneladas de grãos por ano. Desse total, cerca de 20% são perdidos
Foto: Forte/UN

O Brasil aparece no levantamento, publicado em julho de 2012, como um país onde 70% dos alimentos consumidos são provenientes da agricultura familiar. "É dela que vem o alimento que está na sua mesa e na minha, mas eu preciso saber como isso é feito e me importar em apoiar os agricultores familiares", observa Muriel Saragoussi , coordenadora da campanha Cresça, da Oxfam no Brasil.

Produtores-fornecedores

Em 2009, o casal de agricultores aderiu ao programa Clube dos Produtores, da rede varejista Walmart. A iniciativa, que teve origem no Rio Grande do Sul, em 2002, busca ser um canal de comercialização pelo qual os trabalhadores do campo vendem diretamente ao grupo, que, por sua vez, fornece ao consumidor final, sem atravessadores.

À época, Adriane procurou o Nacional (bandeira do Walmart na cidade) e disse que queria ser fornecedora. Em seguida, a propriedade do casal foi avaliada por Ari Biondo, gerente comercial da rede. "Foi um salto", lembra Adriane. "Começamos a entregar a produção em fevereiro de 2009 e dobramos de tamanho. Dobrou a irrigação, a potência dos motores, o número de itens. Dobrou até o salário", conta a produtora.

Clube dos Produtores completa 11 anos em 2013 e atende a cerca de 10.000 famílias de 380 municípios distribuídos pelo Brasil

Por meio do programa, os produtores assumem uma lista de compromissos, que tratam de responsabilidade socioambiental, rastreabilidade, atendimento à legislação, aos aspectos sanitários e sustentabilidade comercial. Em troca, seus produtos ganham visibilidade nas prateleiras dos supermercados, além de um selo que atesta a adesão à iniciativa.

Para Alain Benvenuti, vice-presidente comercial de perecíveis do Walmart, o programa propicia aos produtores o conhecimento e a aplicação de princípios de sustentabilidade. "No Clube, os produtos dos agricultores ficam mais vistosos, as exigências legais passam a ser observadas à risca, investem em tecnologia, contratam empregados, aumentam a produção, as vendas e a qualidade do que é ofertado às famílias."

Clube dos Produtores em números:
  • Mais de 1.000 itens recebidos da agricultura familiar;
  • Hortifruti (frutas, legumes, verduras, flores, chás, cogumelos, frutas secas e amêndoas): 480 itens;
  • Fiambreria (embutidos, salgados, defumados, doces artesanais, passas, conservas, queijos variados e massas artesanais): 195 itens;
  • Padaria (biscoitos, doces, cucas e ingredientes): 99 itens;
  • Açougue (carnes especiais e embutidos): 74 itens;
  • Peixaria (peixes, crustáceos e moluscos de cativeiro): 57 itens;
  • Mercearia (sucos, conservas, geleias, palmito, açúcar mascavo, mel, cereais e derivados): 144 itens;
  • Número de famílias atendidas até junho de 2012: 10.106;
  • Valor arrecadado: R$ 164,692,550.

 

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