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05 de Junho de 2013

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Logística integrada reduz perdas do campo ao consumidor


ESPECIAL MEIO AMBIENTE 2013
Do campo à cidade: Soluções para o desperdício de alimentos


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Em torno de 10% de todo desperdício é registrado na colheita
Foto: SXC

Por Karina Costa/EcoD

A cada dez toneladas de alimentos produzidos no Brasil, quatro chegam aos pratos dos brasileiros, segundo dados da Embrapa, o que representa uma montanha de 39 mil toneladas de comida que acabam no lixo, diariamente. Tudo isso poderia alimentar 19 milhões de pessoas todos os dias, com as três refeições básicas: café da manhã, almoço e jantar. Em termos financeiros, o dado representa R$ 12 bilhões anuais jogados fora.

E mesmo produzindo tanta comida, ainda segundo o Akatu, o país é o sexto colocado no ranking mundial de desnutrição e abriga milhares de pessoas em situação de insegurança alimentar, aquelas que não têm as fontes de nutrientes suficientes para garantir a saúde plena. Para a organização internacional Oxfam, idealizadora da campanha Cresça, um dos fatores de contribuição para a perda de alimentos é a quantidade de etapas entre o campo e o prato do consumidor. "Menos etapas, menos desperdício", define Muriel Saragoussi, coordenadora de campanhas da entidade que visa promover a justiça social.

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Em termos financeiros, o desperdício de alimentos no Brasil representa R$ 12 bilhões anuais jogados fora
Foto: SXC

Do planejamento à geladeira

"A maçã que chega à sua geladeira hoje pode ter sido colhida há um ano", conta o professor André Lacombe, do departamento de administração da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Este exemplo ilustra o longo caminho da produção ao consumo. Por isso, cabe aos setores de logística, do produtor e distribuidor, planejar, minuciosamente, toda trajetória para levar os alimentos com a melhor qualidade e evitar que se tornem lixo.

Se o trabalhador corta a banana no lugar errado, aquela fruta vai ficar na prateleira. Por causa de uma marca, uma mancha, não vai ser vendida"
André Lacombe, professor de Administração da PUC-Rio

Aproximar a agricultura familiar das grandes redes de supermercados é uma das saídas sugeridas pela Oxfam para a redução das perdas. Mas, ainda assim, haverá uma logística. E engana-se quem pensa que a colheita é o primeiro passo deste processo. "Tudo começa ainda na plantação. É quando se planeja para quem e quando o material será vendido", detalha Lacombe.

O especialista garante que sem o planejamento dos polos de venda, as chances de desperdício são ampliadas nas estradas. Mais cuidadoso ainda deve ser o momento da colheita, quando ocorre o manuseio. "Se o trabalhador corta a banana no lugar errado, aquela fruta vai ficar na prateleira. Por causa de uma marca, uma mancha, não vai ser vendida", exemplifica Lacombe.

Passado o ponto delicado do manuseio, o produto colhido é armazenado e conduzido para a seleção. "É preciso segmentar a maçã que vai para a prateleira (geralmente maior e sem danos) daquela que vai ser vendida a uma fábrica de geleia (menor e com pequenas 'avarias')", observa o especialista.

Uma vez selecionados, acondicionados nos caminhões ou cargueiros, vem a fase do transporte. Só que antes do motorista seguir o seu rumo, cada etapa já foi planejada, considerando os pontos de descanso, tempo de viagem e local ideal para que o veículo tenha suporte de energia elétrica (e possa manter as câmaras frias nas temperaturas ideais).

O objetivo é que os alimentos cheguem às Ceasas, mercados e indústrias com o menor número possível de materiais perdidos. Todo esse processo gera 8% de perdas de alimentos, segundo o Instituto Akatu. O valor é equivalente a cerca de 3,1 mil toneladas/dia. 

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Os tipos de embalagens reduzem espaços e ajudam a garantir a qualidade do produto.
Foto: SXC 

Ao chegar a uma indústria, que transformará as maçãs menores em geleia ou suco, são registrados mais 15% do desperdício. A montanha diária de comida, desejada por quase um bilhão de pessoas que passam fome em todo o mundo, de acordo com a ONU, aumenta com mais 5,8 mil toneladas.

Já no varejo, supermercados e restaurantes a perda é de 390 toneladas diárias. Entretanto, diversas parcerias e iniciativas, como o Banco de Alimentos, o Mesa Brasil e o projeto Satisfeitos, têm sido criadas para ligar quem precisa ao que poderia ser perdido.

Diversas parcerias entre supermercados, Ceasas, restaurantes e bancos de alimentos têm sido criadas para ligar quem precisa aos alimentos que seriam perdidos.

Tudo isso, no entanto, não evita o mais caro e danoso dos desperdícios: aquele observado nas residências. "Quando chega à geladeira, a sua maçã já utilizou a energia elétrica da refrigeração durante a armazenagem, gasolina do transporte, poluiu as estradas, utilizou mão de obra, muitas vezes barata, para virar lixo. No topo do processo, quando não poderia ser mais cara, ela é perdida", lamenta André Lacombe.

No entanto, os movimentos Slow Food e o Favela Orgânica mostram que é possível mudar a realidade. Essas iniciativas contemplam a ponta do processo da logística integrada, indicada como o caminho para o melhor aproveitamento dos alimentos.

"Mas este processo tem que ser de educação e conscientização, incluindo o produtor, a pessoa que trabalha na colheita, os motoristas, o varejista e, mais importante, o consumidor, que é quem paga pelas perdas", propõe o educador André Lacombe.

 

 

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