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Energia

04 de Março de 2013

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Biogás que vem dos aterros pode gerar eletricidade para 1,5 mi de pessoas

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Gás que se forma no aterro sanitário do Lixão da Cidade Estrutural , em Brasília
Foto: Elza Fiúza/ABr

A equação seu lixo + destinação em aterro sanitário + conversão do metano em biogás pode ser = a eletricidade para 1,5 milhão de pessoas. A conta está presente no Atlas Brasileiro de Emissões de GEE e Potencial Energético na Destinação de Resíduos Sólidos, estudo realizado pela Abrelpe (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), lançado na quinta-feira, 28 de fevereiro.

São 280 megawatts (MW) que podem ser produzidos a partir do aproveitamento do biogás, o metano obtido através da decomposição do lixo. Este gás de efeito estufa, aliás, é um dos mais nocivos ao meio ambiente, segundo os especialistas, por ter poder de destruição 21 vezes maior ao do dióxido de carbono (CO2), que é mais abundante.

Mas para que esse potencial se transforme efetivamente em energia, ainda é necessário um investimento de quase R$ 1 bilhão, segundo o diretor executivo da Abrelpe, Carlos Silva Filho. A estimativa foi feita com base no custo de US$ 5 milhões (R$ 9,87 milhões) para instalação de uma planta média, com capacidade de geração de 3MW.

São 62 milhões de toneladas ao ano, das quais 11% não chegam sequer a ser coletadas, e outros 41% (75 mil toneladas diárias) ainda têm destinação inadequada.

"Um dos objetivos desse atlas é estimular que os negócios do setor sejam desenvolvidos. A ideia é incentivar tanto o investidor a implantar e operar a geração de energia, como também incentivar os órgãos de governo a estimular essa energia a partir do lixo, como foram estimuladas outras fontes de energia, como a eólica", exemplificou Dias Filho ao Estadão.

Destinação inadequada

O estudo, realizado com apoio da EPA (Environmental Protection Agency, a agência ambiental dos Estados Unidos) e da Global Methane Initiative, mostra o potencial de aproveitamento do lixo no Brasil, que em 2011 gerou 198 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos por dia.

São 62 milhões de toneladas ao ano, das quais 11% não chegam sequer a ser coletadas, e outros 41% (75 mil toneladas diárias) ainda têm destinação inadequada, indo parar em lixões ou aterros sem condições seguras de proteção ao meio ambiente.

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Aterro Bandeirantes, em São Paulo, tem 40 milhões de toneladas de lixo enterradas - o suficiente para fornecer energia elétrica para 300 mil pessoas
Foto: Fernando Stankuns

Biogás como alternativa

A Abrelpe mapeou todos os 46 projetos brasileiros de redução de emissões de GEE com registro na ONU, por meio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (estabelecido pelo Protocolo de Kyoto) e constatou que 22 deles preveem o aproveitamento energético do biogás.

Desse total, apenas dois aterros de São Paulo já produzem eletricidade: o São João, na zona leste da capital paulista, e o Bandeirantes, fechado em 2007, que chegou a receber metade de todo o lixo produzido na capital e possui 40 milhões de toneladas de lixo enterradas - o suficiente para fornecer energia elétrica para 300 mil pessoas.

Lei dos resíduos sólidos

O cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 2010 e prevista para entrar em vigor em agosto de 2014, trará uma revolução para o setor no país, na opinião do diretor executivo da Abrelpe e, se cumprida integralmente, poderia elevar para 500 MW a capacidade instalada em 2039.

No entanto, o cumprimento da PNRS esbarrará em um problema: 91% dos municípios brasileiros não tinham planos para a destinação correta de resíduos sólidos em 2012, 1.607 ainda depositavam todo o lixo recolhido em lixões e 2.358 não tinham nenhuma inciativa de coleta seletiva.

"Até agosto, 100% das cidades brasileiras vão ter que dar uma destinação aos resíduos sólidos, o que gera uma gasto. Os municípios não terão como resolver isso sozinhos e terão que se unir para buscar uma solução. O que não pode é, quando chegar esta data, pôr um cadeado no lixão, prender o prefeito e achar que o problema está resolvido", ressaltou Silva Filho à Agência Brasil. Para ele, o objetivo da publicação é incentivar o engajamento da sociedade no tratamento dos resíduos e no seu uso para gerar energia.

O país tem mais 23 projetos que queimam o biogás sem gerar energia, o que reduz em 21 vezes seu potencial poluente, e o Aterro de Gramacho, que é o único do Brasil que vende o biogás, para a Refinaria de Duque de Caxias (Reduc). De um total de 46 projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo, que incluem os que geram energia e os que não geram, 33 ficam na Região Sudeste, sete no Nordeste, quatro no Sul e dois no Norte. A Região Centro-Oeste é a única que não tem nenhum.

 

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