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Responsabilidade Social

08 de Março de 2013

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Débora Didonê: da correria de São Paulo aos canteiros urbanos de Salvador

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O Projeto Canteiros Coletivos foi criado em fevereiro de 2012
Fotos: arquivo pessoal

Criada em uma geração em que as crianças ainda tinham uma infância livre, no que diz respeito a pular muros, subir em árvores, andar de bicicleta, brincar de pega-pega e se esconder, a jornalista Débora Didonê acredita que a fase infantil, vivida na cidade de Joinville, em Santa Catarina, tem uma relação muito direta com o seu momento atual.

É que ela, após concluir o curso de jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi morar em São Paulo em busca da carreira perfeita. "Queria construir minha vida lá. Era um local que eu tinha como referência profissional. Achei que ia ficar pra sempre em São Paulo e falava isso com muita certeza", conta.

Mas, o caso de amor entre a cidade e a jornalista, que trabalhou em festivais musicais e na Editora Abril, durou apenas oito anos. "Entrei em crise! O estilo de vida de São Paulo começou a me incomodar, era tudo automático, sentia falta dos encontros com os amigos, não tinha mais pra onde expandir profissionalmente. Passei a repensar a vida", relembra.

Precisamos nos enxergar como gestores da cidade também.”
Débora Didonê, jornalista

Até que, em 2010, Débora resolveu voltar às suas origens em Joinville, onde morou cerca de um ano com sua família, para estudar sobre as cidades que poderia viver. Nesse meio tempo viajou para Florianópolis, Curitiba, Rio de Janeiro e... Salvador! 

"A viagem deveria durar 15 dias, mas acabei ficando dois meses. Voltei pra Joinville só pra finalizar o ano", afirma a jornalista que mudou para Salvador "na loucura", como costuma brincar. Em meio a escolher apartamento para morar, pegar ônibus e procurar emprego, eis que surgiu o Projeto Canteiros Coletivos.

"Quando cheguei na cidade para morar foi um baque, percebi muita deficiência em estruturas básicas. Mas, uma coisa que me chamou atenção foi a questão do lixo na rua. Quando comecei a manifestar minha insatisfação, as poucas pessoas que eu conhecia diziam 'Ah! É assim mesmo'. Não, não é. Eu precisava fazer algo para melhorar a situação", relata Débora.didone-menor.jpg

Então, por meio das redes sociais, a jornalista participou de discussões e encontrou um grupo de pessoas que também se importavam com os problemas da cidade. Foi quando propôs uma intervenção urbana no canteiro da Avenida Reitor Miguel Calmon, mais conhecida como Vale do Canela. "O local era perto da minha casa, eu já estava incomodada, não conseguia olhar e pensar que aquilo fazia parte. Uma equipe começou a se empolgar e a mobilização virou o canteiro coletivo".

O auge dos Canteiros

Criado em fevereiro de 2012, o projeto atua em diversos bairros da cidade, sempre aos finais de semana. Atualmente, a iniciativa tem parceira com outras ações, a exemplo do Escritório Modelo de Arquitetura, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em que os estudantes realizam atividades de pintura, recolhimento de entulhos e plantio de mudas na comunidade do Gantois, localizada na Avenida Garibaldi.

"Nunca é um projeto só. Há um conglomerado de ações e atores sociais que se somam", explica Débora, que tem buscado investir no plantio de árvores nativas frutíferas pensando em agregar informações para os jovens do projeto Bairro Escola Rio Vermelho. A ação, que também é parceira dos Canteiros Coletivos, pretende transformar o bairro do Rio Vermelho em um local reconhecido pela educação e pelo desenvolvimento de novas práticas de vivência entre os locais e seus moradores.

Assista a apresentação da jornalista, no TEDx Pelourinho:

Segundo a ativista, o maior desafio do projeto é ter a participação efetiva dos moradores das comunidades para que o trabalho dos canteiros seja preservado. Débora afirma que as pessoas já têm consciência da importância de recuperar os espaços e cuidar da cidade, o que falta é a percepção de que cada um pode ser o mobilizador dessas ações e propor iniciativas sem acreditar que a responsabilidade de melhoria do município seja toda do poder público.

"Precisamos nos enxergar como gestores da cidade também. Quando tivermos um grupo efetivo em cada comunidade, cuidando das ações realizadas pelos Canteiros e também tomando iniciativas próprias, podemos considerar que o projeto está implantado definitivamente", defende.

Como ser que habita...

didone-perfil.jpgA rotina de Débora se divide em afazeres obrigatórios e as ações dos Canteiros Coletivos. Ela confessa que, diariamente, gasta mais tempo com o projeto do que com as atividades ditas como 'obrigatórias' e geradoras de renda. Ela defende que as pessoas precisam deixar os rótulos de lado, buscar a felicidade em sua essência e encarar a vida de uma forma mais leve.

"As pessoas precisam entender o que as dão prazer e desenvolver sem esperar um resultado. O processo do crescimento de um projeto não implica, necessariamente, em um planejamento. O segredo é ir fazendo enquanto houver verdade nos fatos. Foi o caso dos Canteiros", declara.

A jornalista, que tem os sonhos inusitados de cantar e adestrar cães, afirma que ainda não chegou a uma rotina de vida ideal. "(Mas) o resgate inconsciente da minha infância livre me traz a leveza de ser eu, não importando o que pensem. O que interessa é você se sentir você!", conclui.


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