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Água

21 de Março de 2013

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Empresas integradas: o trabalho que faz a diferença

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Por Lise Lobo

O Brasil possui quase 20% de toda a água doce disponível na Terra. Mas, devido à falta de investimentos e planejamento, assistimos ainda problemas como seca, poluição, má utilização e desperdício. Alcançar soluções pode parecer uma tarefa não muito fácil, ainda mais para pessoas jurídicas, que são grandes consumidores de recursos e precisam conciliar o uso racional de matéria-prima, lucro e demanda, em prol da preservação dos recursos naturais.

De acordo com especialistas, pensar na água e na sua conservação deixou de ser uma questão puramente econômica para muitas empresas e se tornou em um diferencial competitivo. Dessa forma, já é possível encontrar no cenário brasileiro empresas que buscam soluções para os problemas da água.

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A empresa Foz do Brasil e a Sabesp, criaram o Aquapolo Ambiental, o maior projeto de água de reuso para fins industriais do Brasil
Foto: Aquapolo/Divulgação

A aposta do setor está na criação de projetos e programas para alcançar o uso ordenado, integrado e consciente do recurso. Tendência aliada à cooperação, onde o setor público, privado e ONGs trabalham juntos em papéis distintos, como financiar, implantar, manter e fiscalizar.  São programas cooperativos que visam desde tratamento das águas, até reutilização, redução e ampliação de fornecimento.

Pensar na água e na sua conservação deixou de ser uma questão puramente econômica para muitas empresas e se tornou em um diferencial competitivo. 

Um exemplo dessa estrutura está em uma iniciativa no qual empresas e organizações não governamentais juntas tornaram possível a concretização de um projeto de reflorestamento das margens de rios e efluentes da Grande São Paulo. É o programa cooperativo Água das Florestas, que ao recompor a mata ciliar, melhorou a qualidade da água, segundo conta Malu Ribeiro, coordenadora do projeto. Conheça esse e outros exemplos destacados pelo EcoD:

  • Programa Água das Florestas – Coca-cola x Fundação SOS Mata Atlântica

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O objetivo do projeto foi recuperar e proteger mananciais de água através da recomposição florestal de margens de rios e lagos
Foto: Marcelo Trad

O programa Água das Florestas é um exemplo de que o trabalho com cooperação rende bons frutos. Graças à união entre a Coca-Cola Brasil, a Fundação SOS Mata Atlântica, a comunidade e os produtores rurais, foi possível melhorar a qualidade da água da região da Grande São Paulo em apenas três anos. A região é considerada pelas Nações Unidas como uma área de conflito no Brasil por falta de água, sendo comparada ao sertão nordestino.

O objetivo do projeto foi recuperar e proteger mananciais de água através da recomposição florestal de margens de rios e lagos. Segundo Malu Ribeiro, gestora ambiental da Fundação SOS Mata Atlântica, foram obtidos resultados únicos. O projeto transformou 14 pontos de água com qualidade ruim, devido à poluição decorrente do lançamento de esgoto e do desmatamento, em apenas um - sendo dois considerados de boa qualidade e o restante aceitável.  Uma estatística destacada pela gestora como única no Brasil.

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Malu Ribeiro mostra área de floresta devastada que está sendo feito o trabalho de replantio
Foto: EcoD

Lançado em 2007, o programa foi financiado pela Coca-Cola no intuito de minimizar a pegada hídrica da sua cadeia produtiva. "É sem dúvida uma boa solução que pode ser replicada, mas a expansão em regiões urbanas precisa de outros instrumentos, de mais tecnologias e desafios associados aos planos diretores municipais", ressaltou a Malu Ribeiro.

  • Banco CYAN – Ambev x Concessionária de água

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Ricardo Rolim,  diretor de relações socioambientais da Ambev, no lançamento do Banco CYAN no Dia Mundial da Água de 2011
Fotos: Divulgação

Enquanto empresas buscam soluções para a água direto da fonte, como despoluir os rios, outras tentam atingir os causadores do problema: a própria sociedade. É o que faz o Movimento CYAN, criado pela empresa de bebidas Ambev.

Acreditamos que um mundo melhor se constrói assim, em equipe, com o envolvimento e comprometimento de toda a sociedade. O trabalho integrado faz a diferença"
Ricardo Rolim, diretor de relações socioambientais da Ambev

Tudo começou com o Banco CYAN, no qual o uso consciente da água virou moeda de troca. Na iniciativa, as pessoas têm acesso à média de consumo de água de seu imóvel e, à medida que elas diminuem (ou até mesmo mantêm) o consumo, ganham pontos que podem ser usados como descontos em compras na internet e na assinatura de revistas. O resultado é a economia de mais de 6,5 milhões de litros de água todos os meses por milhares de paulistas.

Para a empresa, preservar a água faz sentido para a sustentabilidade do seu próprio negócio, afinal de contas, a água é a principal matéria-prima dos produtos.

A realização do projeto foi feita em parceria entre a Ambev, as concessionárias de água dos estados do Rio de Janeiro (a Cedae), São Paulo (Sabesp) e o município de Uberaba em Minas Gerais (a Codau), assim como, entre as lojas de compras on-line e a própria população.

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Segundo Ricardo Rolim, diretor de relações socioambientais da Ambev, essas parcerias são essenciais. "Temos realizado um trabalho bastante estruturado para engajar o maior número de pessoas para a conservação e consumo consciente da água. Acreditamos que 'um mundo melhor' se constrói assim, em equipe, com o envolvimento e comprometimento de toda a sociedade. O trabalho integrado faz a diferença", concluiu.

  • Aquapolo Ambiental – Foz do Brasil e Sabesp

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Segundo o diretor-presidente do Aquapolo, Marcos Asseburg, reaproveitar o esgoto das estações de tratamento atende à crescente demanda da indústria por água deixando de utilizar água potável para fins industriais
Fotos: Divulgação/Aquapolo

Os pólos industriais são grandes consumidores de água. Uma notícia nada boa quando eles estão instalados em localidade que sofre com a escassez do recurso. Pensando nisso, a empresa Foz do Brasil (empresa de soluções ambientais da Organização Odebrecht) e a concessionária de São Paulo, a Sabesp, criaram o Aquapolo Ambiental, o maior projeto de água de reuso para fins industriais do Brasil.

A iniciativa foi tomada no intuito de suprir a demanda do Pólo Petroquímico de Capuava da Braskem. Uma das maiores empresas petroquímicas do mundo, a Braskem sentiu a necessidade de buscar soluções sustentáveis nas suas operações industriais, já que utiliza cerca de 450 milhões de litros de água mensalmente - um número elevado para uma região da Grande São Paulo que fornece em média 140 mil litros de água por habitante/ano, menos de 10% do que a ONU considera ideal.

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Tanque de Membranas de Ultrafiltração do Aquapolo Ambiental

Segundo Marcos Asseburg, diretor-presidente do Aquapolo, produzir água de reuso, a partir de esgoto tratado, foi a solução encontrada tanto para a permanência do Pólo, quanto para resolver o problema de falta de água da região. "A água de reuso é um produto fundamental para a preservação de recursos hídricos, sem limitar o crescimento econômico de determinada região. Ao reciclar e reaproveitar o esgoto das estações de tratamento, atende-se à crescente demanda da indústria por água e deixa-se de utilizar água potável para fins industriais", pontuou Asseburg.

Para se ter uma ideia, a empresa afirma que a utilização de água tratada em Capuava economiza um volume de água potável suficiente para fornecer água em uma cidade de até 500 mil habitantes.

Asseburg explicou ainda que toda essa estrutura só foi possível graças a parceria com a Sabesp. "A sinergia entre os setores públicos e privado é um caminho viável para se equacionar grande parte das questões, entre elas a dos recursos hídricos. Ao se unirem, as duas companhias contribuíram com suas expertises de forma complementar", declarou.

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