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Responsabilidade Social

08 de Março de 2013

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O ambientalismo deve ser praticado diariamente, defende Elissama Menezes

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Apesar de ter apenas 21 anos, a estudante de Oceanografia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Elissama Menezes, tem muita história para contar. Desde a infância, a ativista demonstra possuir consciência da necessidade de proteger a natureza e realizar práticas sustentáveis.

Segundo ela, o ambientalismo deve ser praticado diariamente, sem precisar de uma causa específica de grande repercussão. Elissama, que mora em Marechal Rondon, subúrbio de Salvador, tem a bicicleta como seu principal meio de transporte. Ela afirma que, além de ir de bike para a faculdade, distância de aproximadamente 17 km, também é vegetariana, reaproveita a água da máquina de lavar, do banho e economiza energia com pequenas atitudes diárias.

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Elissama ficou embarcada no navio do Greenpeace durante quatro meses
Foto: Arquivo pessoal

A soteropolitana ingressou como ativista na organização não-governamental Greenpeace aos 16 anos. De lá para cá, participou de grandes manifestações, como a paralisação do navio que transportava ferro-gusa, no porto de Itaqui, no Maranhão; A ação contra a construção da plataforma para exploração de petróleo em Abrolhos, no litoral da Bahia e outra manifestação contra a aprovação do Código Florestal.

Elissama, que também pretende ser professora, concedeu uma entrevista exclusiva para o portal EcoD. 

hfg.jpgEcoDesenvolvimento: Quando você se percebeu envolvida com as questões ambientais?

Elissama: Desde pequena eu tinha uma preocupação com coisas mínimas, como desperdício de água, alimentos, gasto de energia... E eu li um livro que me marcou muito, chamado "O menino do dedo verde". A história contava que onde ele tocava nascia uma flor, e eu me apaixonei. Comecei a me identificar muito com a questão, a ter uma dependência com a natureza e desenvolver pequenas ações de conscientização em minha escola, no meu bairro...

Mas, quando se sentiu uma ambientalista, de fato?

Quando entrei no Greenpeace! Eu tinha 16 anos, trabalhava no Forte São Marcelo, na Cidade Baixa [em Salvador], quando presenciei uma ação da organização, achei muito interessante e me cadastrei como voluntária.

De lá pra cá, o que mudou?

Bom, eu já fazia pequenas ações de conscientização, que pra mim valem muito também. Mas na organização, eu tive a oportunidade de participar de treinamentos para aprender, por exemplo, a ser uma pessoa pacífica, lutar pelo que quero sem violência e usando como ferramenta a criatividade. Além disso, participei de algumas manifestações do Greenpeace.

Quando e como foi a sua primeira ação fazendo parte do Greenpeace?elissama-dois.jpg

A primeira foi quando eu tinha 18 anos, porque só podem participar das ações as pessoas maiores de idade. Foi em Brasília, pelo Código Florestal – a primeira contra o código, inclusive. As autoridades estavam votando a favor do documento e tentamos impedir. Foi tenso, violento, pois houve agressão promovida por policiais e pelos próprios seguranças do Congresso.

Você não ficou traumatizada?

Não. Depois dessa ainda participei de outra também violenta, no Rio de Janeiro, contra a empresa do Eike Batista, que estava construindo uma plataforma de petróleo lá em Abrolhos, no litoral da Bahia, onde as baleias Jubarte se reproduzem.

Então, nos vestimos de baleias, foi muito lindo! Sofremos muita agressão, porque nos acorrentamos na frente da empresa e eles continuaram fazendo o trabalho, ignorando o que estava acontecendo e colocaram uma lona na tentativa de isolar a gente. Foi quando de fato invadimos o local. Teve presença de polícia, enfim... foi longo e bem cansativo! (Saiba mais)

eeeee.jpgTem alguma ação que te marcou?

Então, eu recebi alguns treinamentos da organização para aprender a reivindicar de forma pacífica e utilizando a criatividade, como já comentei. E, em um desses eventos, fui convocada para embarcar no navio da organização, durante quatro meses. Foi incrível!

Embarcamos no Amapá, fomos para Guiana Inglesa, voltamos para a região Amazônica e conhecemos muitas comunidades.

Uma delas me chamou atenção, o Bailique. A comunidade era sustentável, não tinha gente passando fome, a cultura era resgatada... Os moradores só precisavam de orientação de como proceder, já que o número de habitantes no local estava crescendo. E essa ação fugiu completamente do que algumas pessoas acham: que os ativistas do Greenpeace só procuram problemas.

Depois dessa ação a viagem continuou?

Sim. Percorremos toda a Costa do Brasil e fomos parar em São Luís, em uma mobilização que utilizamos o que a gente chama de "última ferramenta" para conseguir alguma coisa, nesse caso foi pelo desmatamento e escravidão de pessoas na fabricação do ferro-gusa.

Subimos na âncora do navio que transportaria toneladas do ferro e ficamos por dez dias. Foi quando nossos alimentos acabaram e tivemos que descer do local, a pedidos das autoridades. Porém, descobrimos que os mesmos não realizaram as solicitações havíamos pedido. Então, paramos as atividades do porto de Itaqui por um dia, e de fato bloqueamos a passagem do mesmo navio. Como gerou muito prejuízo, o assunto foi resolvido. De lá, fomos para Rio+20, Uruguai, Argentina... (Saiba mais)

Assista ao vídeo sobre a ação sobre o Ferro-Gusa:

Você falou em última ferramenta. Tem uma espécie de passo a passo?

É que na organização, primeiro é realizado um trabalho de pesquisa, depois há tentativas de negociações pacíficas, por meio de conversas com as empresas, se não adiantar há uma mobilização pública, com a divulgação dos problemas. E por último, os ativistas entram em ação, se colocam em alguma situação, que force as pessoas a voltarem o foco para aquele problema.

O que de mais importante você trouxe na bagagem?

Eu costumo dizer que esses momentos são alguns parênteses, porque o ambientalismo deve ser praticado todos os dias, sem ser visto e sem precisar de grandes acontecimentos. Toda essa experiência me somou no que eu mais gosto de fazer, que é dar palestras em escolas, o Greenpeace nos permite isso. Sempre no segundo semestre dos anos letivos, os colégios solicitam muito e, apesar de ser uma loucura para conciliar com a universidade, eu aprendo muito ao passar minha experiência.

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Como você vê seu futuro?

Essa pergunta é difícil pra mim, porque eu tenho um desapego muito grande quando a questão é futuro – o que é certo é que quero ter uma casa com quintal (risos). Na verdade, eu quero ser o que todo mundo corre hoje em dia: professor do ensino médio, porque professores têm um papel tão importante na vida de um cidadão. Eles conseguem ensinar muito mais do que apenas uma ciência, e a fase do ensino médio, a adolescência em si, é um momento em que as opiniões estão sendo formadas, o caráter... enfim... eu sinto a necessidade de passar pra outras pessoas o que eu aprendi!


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