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Cidades Sustentáveis

22 de Setembro de 2013

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Compartilhamento de bicicletas é alternativa de transporte público, defende Angelo Leite

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O engenheiro pernambucano Ângelo Leal, dono da Serttel, trouxe o projeto de compartilhamento de bicicletas para o Brasil
Foto: Rômulo Portela

O engenheiro pernambucano Angelo Leite esteve em Paris no final de 2007 e ficou entusiasmado com o sistema de compartilhamento de bicicletas públicas da capital francesa. A experiência foi a mola propulsora para que o dono da Serttel, uma empresa que foi criada há 25 anos para consertar telefones, mas que hoje cria soluções mais amplas para as cidades, trouxesse a iniciativa para o Brasil.

Tudo começou no Rio de Janeiro, entre 2008 e 2009. Em 2011, uma parceria com o banco Itaú possibilitou que o programa se desenvolvesse, chegando a várias cidades brasileiras e outras quatro capitais: São Paulo, Porto Alegre, Recife e Salvador. O trânsito cada vez mais caótico nos centros urbanos e a proximidade da Copa do Mundo de 2014 beneficiam o crescimento do programa. A capital baiana inaugurou o sistema no domingo, 22 de setembro, Dia Mundial sem Carro. 

Em entrevista concedida ao EcoD, Angelo explicou melhor como funciona o sistema.

EcoD: É verdade que o senhor se interessou em trazer o projeto para o Brasil depois de ter conhecido experiências no exterior?

Angelo Leite: Sim. O projeto em Paris, que é o mais famoso do mundo, começou no final de 2007. Conhecemos essa iniciativa e tivemos a ideia de trazê-la ao Brasil, por meio de um projeto-piloto no Rio de Janeiro que ganhou as primeiras bicicletas entre o final de 2008 e o começo de 2009.

Muitas pessoas conhecem o projeto como "as laranjinhas do Itaú", uma referência a cor das bicicletas e a presença da marca do banco. Como se dá essa parceria?

O projeto é desenvolvido em forma de parceria mesmo. A solução foi criada pela Serttel. Três anos depois o Itaú percebeu a importância desse programa para a sustentabilidade das cidades e entrou como parceiro, aportando recursos, o que viabilizou melhorias tecnológicas e de infraestrutura, além de possibilitar a expansão para as demais capitais. É um sistema 100% nacional e sustentável, cujo conceito está no compartilhamento. Hoje, só no Rio de Janeiro, são 200 mil usuários.

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Defronte a praça Castro Alves, inauguração do sistema despertou a curiosidade de quem passava pela avenida Sete de Setembro, no centro de Salvador
Foto: Max Waak

Segundo a revista Exame, a companhia fatura cerca de 20 milhões de reais e cresce 15% ao ano (dados de 2009).

Salvador é a quinta capital brasileira a implantar esse sistema de compartilhamento de bicicletas. Quais são as suas perspectivas?

É um sistema de bicicletas públicas instalado em áreas centrais da cidade para prover uma alternativa de transporte público às pessoas. Salvador é a quinta capital (além de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife). Em todas as cidades têm sido um sucesso, com uso massivo. Pensamos que em Salvador não será diferente e temos a perspectiva de que pelo menos 10 mil pessoas venham aderir ao programa. A partir deste domingo (22), as bikes estarão espalhadas em cinco estações movidas a energia solar e com sistema wireless, situadas na Praça Castro Alves, Praça da Piedade, Campo Grande, Porto da Barra e Jardim Apipema. Serão 40 estações até o fim de 2013.

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Angelo Leite mostra detalhes do sistema de compartilhamento de bicicletas ao prefeito de Salvador, ACM Neto, e ao secretário do Ecopa, Isaac Edington
Foto: Rômulo Portela

Toda ideia nova costuma gerar resistência. Em Salvador parte da população vê o sistema com um certo descrédito ao levar em conta que a população não tem o hábito de conservar os equipamentos públicos, além de lembrar a questão da segurança pública. Como o senhor analisa essas opiniões?

Essa percepção de que as coisas não funcionam aqui é errada. O Rio de Janeiro é prova disso. É possível fazer, usar a bicicleta como meio de transporte, compartilhá-la. O índice de depredação e roubo aqui no Brasil é pequeno, menor até que o europeu.

Mas qual é o nível de segurança do sistema?

Quando uma bicicleta é retirada ela passa a ser monitorada pela central (através de chips), que tem o número do equipamento, a estação e os dados do usuário. Quando ela é devolvida, o mesmo acontece. Em Salvador o tempo para uso é de 45 minutos, de segunda a sábado, e 90 minutos nos domingos e feriados. Será cobrada multa de R$ 5 a cada meia hora além do prazo estipulado.

Como vai funcionar em Salvador:

1° Passo: O usuário precisa se cadastrar no sistema pela internet, no site www.bikesalvador.com. No cadastramento, será necessário efetuar o pagamento da anuidade, com valor R$10, através de cartão de crédito, sem a cobrança de tarifas diárias ou mensais. Depois, será possível utilizar o serviço ao longo de 12 meses.

2° Passo: Para destravar a bicicleta, o usuário poderá ligar para o número 4062 7024, ou utilizar o aplicativo do Bike Salvador para smartphones, informando o número de identificação da estação e da bicicleta que deseja retirar. Em breve, será disponibilizada a destrava através do Salvador Card.

As bicicletas vão estar à disposição dos usuários durante todos os dias da semana, das 6 às 22h. De segunda a sábado, será possível usar a bicicleta por até 45 minutos ininterruptos sem custos. Depois, será necessário devolver a bike em qualquer uma das estações da cidade.

Se quiser pedalar por mais tempo, o usuário deverá esperar um intervalo de 15 minutos para utilizar outra bicicleta, procedimento que pode ser repetido de forma ilimitada. Caso a bicicleta seja utilizada por mais de 45 minutos ininterruptos, será cobrado o valor de R$5 por cada 30 minutos seguintes.

Já nas ciclofaixas, que vão funcionar aos domingos e feriados, os soteropolitanos vão poder usar cada bicicleta por até 90 minutos ininterruptos, sem cobrança extra.

Para saber mais sobre o sistema, clique aqui.

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