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Economia e Política

25 de Setembro de 2014

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[Artigo] Falando um pouco mais sobre Economia Verde

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Por Marcus Eduardo de Oliveira*

Na definição dada pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), Economia Verde é aquela que resulta em “melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz significativamente riscos ambientais e escassez ecológica”.

Pensar em economia verde é pensar em uma baixa emissão de carbono, na eficiência no uso e trato de recursos da natureza, é pensar na geração de empregos que promovam, prioritariamente, a conservação do meio natural. Esse conjunto de situações, em essência, dá o “esverdeamento” necessário a uma economia que seja capaz de preservar a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos.

O que mais realça, contudo, a prática de uma economia verde, é a capacidade que esse tipo de economia tem de se afastar das políticas de crescimento econômico alcançado através da drenagem de recursos naturais, da degradação do capital natural e da perda substancial do ecossistema em geral.

Estamos, pois, num momento crítico em que a poluição do ar e dos oceanos, a extinção de espécies, cardumes ameaçados, chuva ácida, buraco na camada de ozônio, esgotamento dos solos e, principalmente, a constante mudança climática, fatores esses desencadeados pela expansão da atividade econômica, tem mostrado, sobremaneira, que os limites ecológicos não mais suportam um crescimento econômico exagerado, condição que se torna, na verdade, antieconômica.

O modelo econômico que aí está largamente difundido nas economias mais avançadas, confunde consumo com consumismo, e por conta disso, degrada o meio ambiente em várias frentes, à medida que expande a máquina de produção econômica.

Nesse caso, as perdas de capital natural superam os ganhos econômico-produtivos. É a economia tradicional – via sistema produtivo e consumo exagerados - provocando sérios impactos sobre o equilíbrio ecológico; é a crescente pressão da humanidade atuando sobre os recursos naturais.

Por isso o crescimento contínuo da atividade econômica é incompatível com uma biosfera finita. Ora, insistir num acentuado crescimento físico da economia (mais mercadorias), como fazem as economias modernas, tendo em conta a finitude dos recursos naturais e energéticos é incorrer gravemente em mais custos (ambientais) que em benefícios (econômicos), conforme asseveramos acima.

Decorre disso a urgente necessidade em adotar-se a economia verde como paradigma, contrapondo-se, assim, ao modelo de economia neoclássica do momento, organizada na acumulação indefinida de riqueza e baseada no superconsumo como sinônimo de prosperidade.

O que temos de fazer diante disso? Temos que nos libertar dessa sociedade de consumo, chamada por muitos de “civilização do ter”. O modelo econômico que aí está largamente difundido nas economias mais avançadas, confunde consumo com consumismo, e por conta disso, degrada o meio ambiente em várias frentes, à medida que expande a máquina de produção econômica.

Vejamos que de 1980 para cá o consumo mundial dos recursos aumentou em 50% - a cada ano são extraídas 60 bilhões de toneladas de recursos naturais. Desde que o planeta começou a crescer industrial e populacionalmente, a crise ecológica então se fez mais evidente e se agrava com o passar dos anos.

Os resultados aí estão para serem comprovados: 60% dos principais serviços ecossistêmicos estão degradados; vale dizer, foram expostos à espoliação por parte da atividade econômica produtiva. Das 17 reservas pesqueiras conhecidas, 11 delas (65%) possuem taxas de retirada maior do que a capacidade de reposição.

Das terras firmes conhecidas do mundo, 4 bilhões de hectares encontram-se esgotados. Por ano, perde-se mais de 7 milhões de hectares. São 20 mil hectares por dia, o que equivale a uma superfície diária que corresponde a duas vezes o tamanho de Paris.
Vinte por centro (20%) dos recifes de corais do planeta foram destruídos. Nas últimas décadas, foram perdidas 35% das áreas de manguezais.

Propõe como essencial que, além das tecnologias produtivas e sociais, sejam criados meios pelos quais fatores essenciais ligados à sustentabilidade socioambiental, hoje ignorada nas análises e decisões econômicas, passem a ser considerados.

O que isso tudo representa? Toda vez que se desrespeita os limites da natureza, perde-se vidas, diminui-se a natureza. O que está por trás disso tudo? Lamentavelmente, é a lógica do sistema produtivo que se configura num único ato: consumir cada vez mais.

A questão é que essa produção cada vez maior e mais alucinante explora acintosamente os recursos da natureza, uma vez que tudo o que se produz emana da natureza. Quanto mais intensa a exploração, maior a escassez de recursos, e mais intenso o nível de poluição. Dito em outras palavras, Isso representa a degeneração dos ecossistemas; é isso que faz superaquecer o planeta, provocando mudanças climáticas. Quanto mais se produz, mais se emite carbono, aquecendo mais ainda o planeta.

Para atender a esse consumo exagerado, a produção hoje já está usando um planeta e mais 40%. Ou seja, o planeta está sendo estressado em 40%. O nome correto disso é overshoot (transbordamento).

 Apenas os Estados Unidos, com 315 milhões de habitantes, vale dizer, 4,5% da população mundial, consomem 40% de todos os recursos disponíveis. Olhando para o resto do mundo, os 16% mais ricos do mundo são responsáveis por 78% do total do consumo mundial, sobrando 22% para serem consumidos por 84% da população do planeta.

Como mudar isso? A economia verde é a porta de saída para um mundo menos agressivo em termos de produção industrial. Ainda tomando por base dados do Pnuma, a ideia central da economia verde é que o conjunto de processos produtivos da sociedade e as transações deles decorrentes contribua cada vez mais para o Desenvolvimento Sustentável (DS), tanto em seus aspectos sociais quanto ambientais.

Para isso, propõe como essencial que, além das tecnologias produtivas e sociais, sejam criados meios pelos quais fatores essenciais ligados à sustentabilidade socioambiental, hoje ignorada nas análises e decisões econômicas, passem a ser considerados.

(*) Economista e professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO (São Paulo). Especialista em Política Internacional pela (FESP) e mestre pela (USP).

 

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