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Educação

11 de Novembro de 2014

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[Artigo] Mudanças climáticas e educação

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Escola Internacional de Curitiba: reciclagem de lixo, uso de garrafas individuais e reaproveitamento da água são algumas das atividades desenvolvidas para trabalhar o conceito de sustentabilidade com as crianças
Foto: Marcelo Elias/Gazeta do Povo

Por Neca Setubal*

Sinais de como as mudanças climáticas têm afetado diretamente o clima e a vida no Brasil já são evidentes. Vivemos atualmente uma crise de água sem precedentes na história de São Paulo. As causas podem ser várias, desde a falta de planejamento até a escassez de chuva. Indicadores oficiais acusam um aumento do desmatamento da Amazônia já previsível desde a aprovação do novo código Florestal. Cientistas demonstram de forma contundente a relação entre o desmatamento da Amazônia e maior seca na região sudeste.

A crise vivenciada pela sociedade contemporânea é para muitos uma crise civilizatória, que exige um cuidado urgente diante das agressões à natureza provocadas pelo desenvolvimento moderno. Ao mesmo tempo é visível a necessidade de se impor limites a esse crescimento que até agora tem afetado tanto a preservação do planeta Terra.

Nesse contexto, coloca-se a interdependência visceral entre as pessoas e entre elas e o meio ambiente, pois somente por meio de um olhar sistêmico podemos entender como essas relações afetam as comunidades, o lugar de trabalho, o sistema educacional, as famílias e os indivíduos. Essa é uma visão que implica uma responsabilidade pessoal e social em relação ao meio ambiente e a um futuro sustentável, para que as próximas gerações tenham uma vida digna e de bem-estar no planeta.

O zelo com o planeta pressupõe o cuidado inicial consigo mesmo e com a comunidade para que possamos chegar a um entendimento da interdependência entre todas essas partes e conexões

A educação hoje joga um papel fundamental nessa concepção em que as fronteiras entre a educação formal, não formal e informal são muito tênues. A escola pode ser um centro irradiador que possibilite conexões e articulações de espaços e tempos educativos nos territórios e nas cidades como um todo.

Trata-se da exigência de um pensamento transversal na construção colaborativa do conhecimento, que implica uma educação aberta ao cotidiano do mundo ao mesmo tempo em que se conecta de forma global às questões contemporâneas.

Diversos exemplos de práticas educativas ligadas à construção de hortas, a resíduos sólidos e a projetos de intervenção nas comunidades multiplicam-se pelo país. Mas, para além das práticas que balizam um fazer na escola e na comunidade, é importante ter como eixo norteador os princípios e parâmetros da Carta da Terra: cuidar de si, do outro, do entorno e, consequentemente, do planeta para alcançarmos uma vida digna e de bem-estar.

Nesse sentido, a saúde deixa de ter como foco a doença para ser pensada pelo cuidado da alimentação, das atividades físicas, das condições de saneamento e das questões afetivas e espirituais. O zelo com o planeta pressupõe o cuidado inicial consigo mesmo e com a comunidade para que possamos chegar a um entendimento da interdependência entre todas essas partes e conexões.

*Neca Setubal é educadora, fundadora do Cenpec e da Fundação Tide Setubal.

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