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Arquitetura e Construção

04 de Agosto de 2014

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Construções sustentáveis são solução e tendência sem volta, afirmam especialistas

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Prédio do CSS, em Cuiabá, é referência em arquitetura sustentável
Foto: Divulgação

O Brasil já é o quarto no ranking mundial de construções sustentáveis, ficando atrás dos Estados Unidos (EUA), China e Emirados Árabes. São 700 prédios verdes no país, enquanto nos EUA 45 mil. A primeira edificação certificada brasileira ocorreu em 2004. O setor da construção civil é um dos que mais geram resíduos e impactam o meio ambiente.

O processo de construção dos prédios sustentáveis produz menos resíduos e, quando prontos, são mais econômicos em termos de eficiência energética e hídrica. Esta é uma tendência sem volta no mundo. A construção civil tem que se tornar mais sustentável.

Este foi o tema do painel debatido, na tarde de terça-feira (30), na quarta edição do Seminário Sebrae de Sustentabilidade, que ocorre no Centro de Eventos do Pantanal em Cuiabá. Participaram da atividade: Ênio Pinto, gerente da Unidade de Acesso a Tecnologia e Inovação do Sebrae Nacional (mediador); Estefânia Mello, do Procel Edifica; Raquel Blumenchaii, professora da Universidade de Brasília (UnB); e Suênia Sousa, coordenadora do Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS).

Selo nacional

O Procel-Programa Nacional de Conservação de Energia foi criado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em 1995 para indicar eletrodomésticos mais eficientes. A Lei de Eficiência Energética de 2001, incluía edificações a serem etiquetadas Em 2003, o Procel Edifica foi criado para identificar edificações com alto grau de eficiência energética.

Por sua vez, o selo Procel Edifica integra o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), sob responsabilidade do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia).

A certificação é instrumento importante como diferencial ambiental.

O Procel Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) obriga empresas energéticas a investir em programas de eficiência energética (EE). O Plano Nacional de Eficiência Energética (Pinef), publicado em 2011, define que até 2020 as edificações públicas terão de ter certificações em EE; as comerciais, até 2025; e as residenciais, até 2030.

A Instrução Normativa(IN) do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (Mpog), publicado em 05.06.2014, define que prédios novos e grandes reformas de todos os órgãos públicos federais autarquias, a serem construídos a partir de 05.08.2014, deverão ser certificados e etiquetados com o selo Procel Edifica, obtendo nível A (mais eficiente).

Estas informações foram passadas pela representante do Procel/ Eletrobras, que participou do painel. “Este exemplo será muito bom, pois o mercado seguirá”, disse Estefânia, se referindo à IN do ministério. A locação de carros pela administração pública federal também deverá ocorrer em veículos certificados em EE.

Em relação aos prédios que recebem o selo do Procel Edifica, ela esclareceu um ponto importante: “o programa avalia o potencial de economia que a edificação possui, mas quem faz a eficiência energética é o usuário”. Os próximos passos do programa é tornar o selo um pré-requisito para certificações internacionais e se tornar parceiro do BNDES para financiar meios de hospedagem certificados.

Sem volta

As certificações e selos de projetos e construções sustentáveis são uma tendência que veio para ficar. Já fazem parte da realidade em muitos países e está começando a entrar no Brasil. Esta é a opinião da professora da UnB, que participou do painel. Raquel fez um rápido relato sobre a criação das principais certificações internacionais para construções sustentáveis: BREAAM; Leed, Acqua.

“As edificações sustentáveis surgiram no final dos anos 80, início da década de 90, para dar oportunidade para assegurar o desempenho ambiental da indústria da construção civil”, afirmou. O processo abrangia desde o projeto, construção, manutenção e demolição. A cadeia produtiva deste segmento tinha de encontrar soluções para deixar de ser grande causadora de impacto ambiental, complementou.

Para ela, quem constrói, vende ou compra imóveis está contribuindo para a sustentabilidade. A certificação é instrumento importante como diferencial ambiental. As pequenas empresas subcontratadas pelas grandes empreiteiras também devem acompanhar a tendência de busca incessante pela sustentabilidade. Para que o processo produtivo seja mais racional e gere menos desperdício e resíduos, é preciso planejar e mudar paradigmas, ressaltou.

A dificuldade para adquirir produtos de baixo impacto ambiental nas lojas de materiais de construção foi apontada como empecilho.

“Sou responsável pelos resíduos que produzo ao longo do processo produtivo que faço”, disse ela. Cada um pode ter coragem de assumir que é possível optar por um processo produtivo inovador, que significa ter responsabilidade socioambiental e sustentabilidade econômica, acrescentou.

Na Inglaterra, uma lei definiu que até 2025 todas as residências terão emissão zero de carbono. No México, há um Fundo Verde para financiar construções sustentáveis de micro e pequenas empresas. Os bancos brasileiros precisam ampliar as linhas de crédito para as construções sustentáveis dos pequenos negócios, também, sugeriu a professora.

Caso de sucesso

O edifício do Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS) foi certificado no semestre passado pelo Programa Procel Edifica, obtendo o nível A em eficiência energética como projeto e edificação construída. É o primeiro prédio do estado mato-grossense a obter este selo. Na última semana, ganhou o Prêmio Abesco (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia).

A coordenadora do centro, que também é engenheira civil, explicou o processo de construção do prédio e os princípios sustentáveis que orientaram, desde o projeto arquitetônico, baseado no estilo e sabedoria das casas indígenas do Xingu, até a ausência de terraplanagem e o respeito às árvores e vegetação nativas do terreno, durante as obras.

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Especialistas debateram o tema na última semana, no Seminário Sebrae de Sustentabilidade, em Cuiabá
Foto: Rodrigo Lorenzon

“Os índios sabem viver no clima tropical, posicionar suas casas em relação ao sol, e não usam tecnologia”, observou Suênia. O prédio aproveita a iluminação natural e coleta a água de chuva, que é usada na limpeza, banheiros e jardins. Durante a construção, estudo foi realizado para usar o mínimo possível de materiais, informou.

O centro é local de visitação de empresários, estudantes e profissionais de engenharia e arquitetura do Brasil e de outros países. O custo operacional e de manutenção é 50% mais baixo do que uma edificação convencional, em termos de energia e água. “Nosso objetivo é ser um laboratório vivo de práticas sustentáveis no ambiente construído para demonstrar aos empresários que é possível. O exemplo é que proporciona a melhor aprendizagem”, ressaltou Suênia.

Debate

Quando foi aberto o debate, uma das questões levantadas foi em relação as primeiras providências, a serem deflagradas no dia seguinte. A representante do Procel Edifica sugeriu medir a EE do empreendimento e ver como se tornar mais eficiente. A professora da UnB respondeu que seria procurar ver na obra quais estratégias poderiam ser adotadas – sujo a rua? armazeno resíduos? desperdiço água? “Mapear o impacto e partir para a estratégia de controle e monitoramento imediatamente, atuando com sua equipe”, aconselhou.

Suênia sugeriu avaliar a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e como ela rebate em seu negócio. Apesar dos prazos vencidos, em alguns aspectos, esta legislação vai impactar todos os setores e segmentos e há muitos empresários desinformados a respeito, alertou. “É preciso se adequar à legislação o mais urgente possível. É uma ameaça à sobrevivência e permanência no mercado. A pressão regulatória está cada vez maior”, enfatizou a coordenadora do CSS.

A dificuldade para adquirir produtos de baixo impacto ambiental nas lojas de materiais de construção foi apontada como empecilho. No Brasil, este segmento ainda está para ser desenvolvido. É uma oportunidade de negócio, indicou Suênia. Micro e pequenas empresas que participam da cadeia de valor de grandes empresas certificadas têm a oportunidade de acompanhar a tendência de mercado. “Se a pequena está no canteiro de obras da grande empresa, vale a pena se adequar e acompanhar o processo, pois será beneficiada”, garantiu a coordenadora do centro.

(Por Vanessa Brito, do Centro Sebrae de Sustentabilidade)

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