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Carros e Transportes

06 de Fevereiro de 2014

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"Henry Ford" brasileiro espera incentivos para produzir carro elétrico no país

Transformar seu carro elétrico de um metro de largura e menos de dois metros de comprimento no primeiro da categoria fabricado em escala comercial no país. Este é o sonho de João Alfredo Dresch, 68 anos, empresário aposentado e inventor do veículo, que espera por incentivos para realizar o objetivo.

A ideia nasceu durante uma viagem à Itália, em 2009, quando Dresch viu os carros elétricos em circulação. Ele aproveitou para visitar fábricas e, mesmo sem conseguir arrancar detalhes sigilosos nem ter formação superior específica, decidiu criar o seu. "Não tive parâmetro, mas decidi que queria um carro elétrico compacto para uso próprio. Pedi ajuda a um amigo engenheiro e outro mecânico e, em 11 meses e meio, finalizamos", relata o inventor ao jornal Zero Hora. O gaúcho de Lajeado foi apelidado de "Henry Ford do Vale do Taquari".

Um molde em tamanho real foi feito de papelão, depois todo em madeira. Por último, foi revestido de fibra, para por fim ganhar estrutura de aço.

O JAD tem as vantagens de qualquer carro elétrico: não polui, é isento de IPVA e tem baixo custo de rodagem, cerca de R$ 0,10 por quilômetro

"Quando ficou pronto, fui entrar no carro e não consegui. A porta tinha ficado pequena. Tivemos de cortar a parte da frente e aumentar o comprimento em uns 15 centímetros", relembra o bem-humorado inventor.

Duas horas de autonomia

No final de 2010, com investimento total de R$ 40 mil, o modelo estava pronto, pintado em "vermelho tangerina", segundo descrição e escolha do próprio Dresch. Tinha ganho farolete de moto de baixa cilindrada, espelho de caminhão cortado ao meio e 14 baterias de jet ski, carregáveis em qualquer tomada 110 V ou 220 V. Duas horas conectado na eletricidade rendem duas horas de autonomia nas ruas.

Os bancos foram retirados de uma Meriva capotada, revestidos em couro vermelho e branco com o nome JAD, iniciais do criador. Sem maçanetas – o que, segundo Dresch, dificulta furtos –, abre, tranca e fecha os vidros por controle remoto. O JAD tem as vantagens de qualquer carro elétrico: não polui, é isento de IPVA e tem baixo custo de rodagem, cerca de R$ 0,10 por quilômetro. Um popular gasta, em média, três vezes mais com combustível.

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No final de 2010, com investimento total de R$ 40 mil, o modelo estava pronto, pintado em "vermelho tangerina"
Foto: Cesar Lopes /Especial/Zero Hora

"Esse aqui tu estacionas em qualquer lugar, porque ocupa o espaço de uma moto no estacionamento oblíquo e cabem três no lugar de uma vaga de carro tradicional", compara o inventor.

Viabilidade comercial

Só dois anos e meio depois de finalizado e com dois guinchamentos por circular sem documentos, o carro elétrico de Lajeado foi aprovado pelo Detran. As placas JAD-0713 chegaram há poucas semanas. Desde então, já rodou até pelo Litoral Norte, despertando curiosidade. "Se ganhasse R$ 1 por foto, já dava para pagar o projeto da geração 2", brinca Dresch.

Estimado em R$ 450 mil, o projeto foi pedido a especialistas em São Paulo, mas parou por falta de recursos. Com o novo sócio, o engenheiro automotivo Marcos Büneker, que trabalhou na Volkswagen e na Mercedes-Benz, Dresch cogita ajuda de investidores privados, mas mira nos governos federal e estadual.

"O governador (Tarso Genro) foi à China e anunciou que traria uma montadora de carros elétricos, mas nós temos dificuldade até para agendar reunião", reclama Büneker.

A Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI) assegura que os inventores foram recebidos e apresentados a "instrumentos de apoio", como financiamento de bancos públicos e incentivos fiscais.

Jayme Buarque de Hollanda, presidente do conselho diretor da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), confirma que ainda não existe fabricante de carros elétricos neste nicho, apenas de transporte coletivo e de golf. "Ainda é artesanal, mas daqui a 10 anos será o novo paradigma no transporte", prevê Hollanda.

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