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Biodiversidade

01 de Março de 2014

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Mergulhadores retiram 400 kg de resíduos sólidos na véspera do Carnaval de Salvador

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Integrantes do Projeto Fundo Limpo se reuniram pela primeira vez no ano para realizar uma das tradicionais ações de limpeza no local
Foto: Divulgação

Estojo de maquiagem, fraldas descartáveis, fogão de duas bocas e até pneu de caminhão. À primeira vista, não há nada demais com esses produtos tão comuns no cotidiano das pessoas. O problema é que eles foram encontrados no fundo do mar da Barra, em Salvador, na quarta-feira, 26 de fevereiro, véspera do Carnaval da cidade.

Os integrantes do Projeto Fundo Limpo se reuniram pela primeira vez no ano para realizar uma das tradicionais ações de limpeza no local. A atividade contou com 31 mergulhadores voluntários, além de cinco bombeiros especialistas da Gmar / 13º GBM (Grupamento Marítimo do Corpo de Bombeiros Militares da Bahia) e três salva-vidas da Salvamar.

Os dois primeiros eventos do ano ocorrem um dia antes e um dia depois das comemorações do Carnaval. Nesta primeira etapa, foram removidos da água 1.319 objetos, totalizando 422,3 kg de resíduos sólidos. Em comparação à mesma etapa de 2013, foram 62,7 kg a menos, porém, 405 objetos a mais.

A maior parte do material é composta por objetos e fragmentos plásticos diversos, seguida por latas de cerveja, espetinhos de madeira e peças de tecido.

“Esse resultado nos preocupa porque a quantidade de resíduos advindos do consumo em areia aumentou; foram 217 palitos de churrasquinho e 224 latinhas. É muito para uma coleta de apenas um turno. Muitas pessoas têm bebido cerveja dentro da água e deixado as latas no mar. Por mais acesso a informação que se tenha, parece que alguns simplesmente resolvem ignorar os problemas que estes resíduos causam. Não custa, ao sair da praia, cada um recolher o lixo que produziu e levar para o cesto mais próximo", afirmou Lis Braga, diretora de comunicação do Projeto Fundo Limpo.

A maior parte do material é composta por objetos e fragmentos plásticos diversos, seguida por latas de cerveja, espetinhos de madeira e peças de tecido. No montante recolhido, há desde estojo de maquiagem, fraldas descartáveis, fogão de duas bocas e até pneu de caminhão.

As coletas ocorrem quatro vezes por ano e a próxima será realizada em 6 de março, um dia após os festejos do Carnaval. O Projeto Fundo Limpo foi criado em 1994 pela Escola de Mergulho Galeão Sacramento e seu objetivo é retirar a maior quantidade possível de resíduos sólidos do ambiente marinho, trabalhando pela sua preservação e sensibilização dos banhistas.

Bruno Rocha Souza, diretor fundador e responsável técnico pelo projeto, alerta para os riscos provocados por materiais perfuro-cortantes encontrados na água: “As pessoas precisam perceber que o lixo que vai para o mar acaba prejudicando não somente os animais marinhos – que o confundem com alimento e acabam morrendo – como também elas mesmas, pois espetos de madeira são pontiagudos e muito perigosos; as latas, por sua vez, se rasgam e podem provocar acidentes graves. Não é só na água; o lixo que se joga à toa, em qualquer lugar da cidade, pode acabar indo parar no mar e prejudica do mesmo jeito. É necessário haver uma conscientização de fato”.

Foram recolhidos, ao todo, 1.319 objetos, especificados a seguir:

  • 552 objetos plásticos diversos (incluindo 123 garrafas pet);
  • 259 objetos de madeira [incluindo 217 espetinhos e 31 palitos de picolé];
  • 224 latas de bebidas (213 de cerveja e 11 de refrigerante);
  • 161 peças ou retalhos de tecido;
  • 24 peças de borracha [incluindo 13 pneus (12 de automóveis e 01 de caminhão)];
  • 18 velas automotivas;
  • 18 peças em PVC;
  • 15 peças de vidro;
  • 12 objetos diversos de metal;
  • 09 pés de sapatos;
  • 06 pesos de chumbo;
  • 04 anzóis;
  • 17 objetos de composição mista [incluindo um fogão de duas bocas, estojo de maquiagem, bolsa feminina, brincos etc.].

Para a realização do Projeto Fundo Limpo, é utilizada a metodologia sugerida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), com todos os equipamentos básicos que assegurem a integridade dos mergulhadores envolvidos na coleta. A operação também inclui equipamentos destinados à remoção e armazenamento dos itens (embarcações de apoio, cabos, GPS, boias e sacos-rede) e registro de dados, informações e imagens (câmera para filmagem e fotografia).

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